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De olhos lavados

por Isabel Paulos, em 24.06.22

   

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De olhos lavados, com girassóis e pinheiros mansos despeço-me da Nacional 2, para dar entrada na incompleta A26.

Barragem do roxo

por Isabel Paulos, em 24.06.22

 

Aljustrel

por Isabel Paulos, em 24.06.22

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Almodôvar

por Isabel Paulos, em 24.06.22

 

O Alentejo de antigamente

por Isabel Paulos, em 24.06.22

Intervalados, o motor do carro à distância, o movimento da corrente da bicicleta,  a aproximação do tractor quebram o silêncio raro do Baixo Alentejo. 

Curva contra curva

por Isabel Paulos, em 24.06.22

Por estas bandas sobreiros, medronheiros, pinheiros e eucaliptos. Cheirinho a esteva. 

São Brás de Alportel

por Isabel Paulos, em 24.06.22

Almoço em restaurante de alentejanos, de origem no Cercal. Pratos de cozinha tradicional. Caseiro. Simpatia extrema. 

Estói

por Isabel Paulos, em 24.06.22

 

Despedidas

por Isabel Paulos, em 24.06.22

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Tu ficas, Algarve. Eu vou, mas volto. Até breve. 

São João

por Isabel Paulos, em 23.06.22

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São precisas várias mãos e sorrisos para lançar um Balão de São João. Daqui de Portimão sinto a noite longe de casa e nenhuma dúvida que pertenço à minha gente. Só aspiro a que se concretizem os sonhos de todos os que têm bom coração e vontade. Em espírito e a quinhentos e cinquenta quilómetros do Porto estico com as pontas dos dedos uma das dobras do papel de seda até que o balão ganhe forma e voe cuidando do divertimento e desejos de todos os que vibram com descontracção e cumplicidade a noite mais alegre do ano. Festa nas ruas da cidade molhada pela morrinha que premeia e abençoa o ano de trabalho.

São João é antónimo de solidão. É companhia, alegria em multidão - pertença à nossa casa.

Até amanhã, Porto.

Leitura do momento

por Isabel Paulos, em 23.06.22

Na antevéspera de vir de férias um leitor das Comezinhas abriu os postais de Setembro último sobre a minha segunda visita à Feira do Livro. Na altura li uma das duas histórias do escritor e cineasta afegão Atiq Rahimi que comprei nesse final do Verão. Trata-se do primeiro romance do autor, publicado em 2000, cuja narrativa decorre nos anos oitenta durante a invasão Soviética: Terra e Cinzas. Apesar de ter gostado da beleza poética e violenta das palavras nele contidas afastei a ideia de segunda leitura imediata. Deixei assim Pedra-de-Paciência, título pelo qual fui atraída à banca de alfarrabista, para mais tarde. Só agora, despertada pela tal visita a entradas passadas no blogue, decidi lê-lo. Ontem à noite embrenhei no trágico mundo de uma mulher afegã.

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Dia de tempo incerto

Algarve: mais um dia corriqueiro de portugueses comuns

por Isabel Paulos, em 22.06.22

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Noite amena na rua em Portimão.

 

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Praia do Forte de São João, Albufeira. Fim de tarde passada com o meu pai, no seu refúgio a Sul.

 

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Portimão. Fui acompanhar apreciadores de caracóis e ao que parece festejar a maioria absoluta: se não os consegues vencer, junta-te a eles.

Só para que se saiba que não sou intolerante de todo.

Um dia bem passado

por Isabel Paulos, em 21.06.22

Praia de Porto de Mós - Lagos. 

A minha praia cerca de quinze anos consecutivos na infância e adolescência. Na casa dos vinte ainda lá fui com alguma frequência, depois começou a rarear como destino. Estava linda, hoje.

 

 

Lagos.

 

Lulas e camarão de entrada, pargo e sardinhas de almoço - Índios da Meia Praia, Lagos.

 

Praia da Rocha, Praia dos Três Castelos e Zona Ribeirinha no Alvor, Portimão.

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 21.06.22

Escrito há três meses e já nem me lembrava. O tempo voa.

*

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Diário

por Isabel Paulos, em 21.06.22

Acordo de madrugada após cinco horas de sono a rematar um dia cheio. Penso que preciso de dormir mais uma hora para aguentar o ritmo do descanso - parecendo que não isto de relaxar fatiga. Antes de o fazer escrevo este postal e tiro duas fotografias rápidas ao amanhecer com meia hora de diferença entre si.

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Ontem de manhã fiz duas horas de praia, como de costume em férias. Uma hora a caminhar na areia junto ao mar, outra a dar poucas braçadas e estender-me ao sol distraída com as conversas dos vizinhos de tolha estendida, que pelas pronúncias e temas de tagarelice me pareceram na maioria do Minho e Grande Porto. Vista do mar a costa urbana de Portimão é francamente feia. Feita de construção desordenada como é característica nacional das últimas quatro décadas. Vale o areal de consistência fina e a temperatura agradável do mar, que faz da caminhada a chapinhar na água um prazeroso passeio.

Seguiu-se o fingir de sesta após pretenso e mui ligeiro almoço e ao final da tarde o travar de conhecimento com a piscina do hotel - sempre ponto fulcral nas minhas férias. À partida foi o susto: entre prédios nem uma nesga de sol no espaço exíguo onde está instalada, rodeada de espreguiçadeiras a poucos centímetros umas das outras. Contudo, pouco na vida é realmente o que parece. Entrada na água, a temperatura estava excelente pelo que se seguiram trinta e cinco minutos a nadar calma e compassadamente por puro prazer deixando-me levar pelas divagações - o efeito da água em mim assemelha-se ao de seguir num carro ou comboio entre paisagem desafogada: parto em viagem. Nadar é um dos maiores prazeres que sinto na vida. Saí de lá mais uma vez a pensar que devo ir regularmente à piscina municipal junto a casa.

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Antes do jantar terminei de ler o livro que comecei na véspera: A História de um Sonho, de Arthur Schnizler. Um dos três que trouxe. Mais um romance escolhido entre a Colecção Mil Folhas pelo reduzido tamanho. O que no caso é enganador atenta a densidade freudiana da narrativa. Se entrei no romance com a sensação de desconfiança face aos estereótipos e excessos da psicanálise, terminei agradada. Não foi leitura em vão.

Até que enfim

por Isabel Paulos, em 19.06.22

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A aterrar na Praia da Rocha. Não vinha ao Algarve há dez anos. Venho matar saudades. Lagos está na mira. Só não fico lá por sem carro preferir uma praia mais acessível. Bem sei que estou a fazer uma utilização 'facebookiana' das Comezinhas - até com excesso de elementos pessoais. Não quero saber, não usando Facebook nem Instagram preverto um pouco este meu blogue. 

Faz cá falta o Ritz.

Matar saudade

por Isabel Paulos, em 19.06.22

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Se tudo correr bem, o regresso será pela Nacional 2.

Companheira de viagem

por Isabel Paulos, em 19.06.22

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Maus tratos

por Isabel Paulos, em 19.06.22

 

Cem razões para viver

por Isabel Paulos, em 18.06.22
  1. No Inverno sentir vento frio bater na cara enquanto caminho na rua ou no parque.
  2. No Verão numa noite de calor sentir a brisa fresca do mar.
  3. Deixar-me apanhar pela chuva num dia quente.
  4. Vento e trovoada nos dias sim.
  5. Ver o sorriso de felicidade no rosto do Nuno.
  6. Observar alegria no olhar, na voz, na postura dos meus.
  7. Conversar individualmente com amigos e familiares em presença física.
  8. Receber chamada ou mensagem de amigo ou familiar a perguntar se estou bem ou se estamos bem, ou a contar novidades.
  9. Ser avisada por familiares ou amigos que vão passar cá por casa.
  10. Perceber no olhar e postura de quem estimo que gostou genuinamente da palavra que lhe disse ou da lembrança que lhe dei.
  11. Um par de vezes ao ano fazer uma jantarada familiar.
  12. Uma vez ao ano fazer uma jantarada com amigos.
  13. Assistir a gestos de atenção e delicadeza especialmente com pessoas de quem gosto.
  14. Andar de carro conduzida por alguém perdida na paisagem e nos pensamentos.
  15. Andar a pé na rua perdida nos devaneios.
  16. Estar sozinha com as minhas fantasias, sem que me interrompam: em casa, no autocarro, no comboio.
  17. Nadar em água tépida nos dias quentes.
  18. Passear na areia molhada da praia junto à rebentação.
  19. Dar e receber mimo.
  20. Coçarem-me as costas.
  21. Ler tudo quanto não me mace.
  22. Ler poesia.
  23. Descobrir novos livros e autores.
  24. Descobrir escritas cristalinas.
  25. Abrir livros, ler passagens ao acaso e decifrar enigmas imaginados.
  26. Ver na janela do escritório os aviões passarem em direcção ao aeroporto (dezenas, diariamente).
  27. Estar atenta às fases da lua.
  28. Noites de lua cheia.
  29. Ver subir no ar um balão de São João entre risos e alegria.
  30. Ouvir boa música.
  31. Ir a museus ou galerias apreciar pintura.
  32. Ouvir e dizer patetices que dispõem bem.
  33. Adormecer apaixonada.
  34. Acordar bem disposta e com vontade de rir.
  35. Regar as plantas da varanda e vê-las bonitas.
  36. Conjecturar remodelações do apartamento (raramente concretizadas).
  37. Percorrer lojas de artigos para o lar.
  38. Presenciar o apanhar de vigaristas, corruptos e criminosos.
  39. Ver reconhecido valor a quem o tem.
  40. Antever o desmascarar da aparência e da mentira.
  41. Ver pardais e boeirinhas a saltitar.
  42. Apreciar nos relvados melros de pena negra luzidia e bico laranja.
  43. Dar mimo e brincar com o Ritz.
  44. Escutar ou ler palavras delicadas.
  45. Sentir-me amada ou estimada.
  46. Devanear com momentos felizes e impossíveis.
  47. Sonhar, acordar e procurar a interpretação dos sonhos.
  48. Manter a casa limpa e arrumada.
  49. O cheiro a pão quente acabadinho de sair do forno.
  50. O sabor de pêssego, meloa, maracujá, cerejas e da fruta em geral.
  51. A memória do paladar da mousse de maracujá em Luanda.
  52. Café e água sem gás fresca numa esplanada.
  53. Tempo e disposição para de manhã pôr o creme hidratante na cara.
  54. Dormir de janela aberta.
  55. Dormir meia destapada.
  56. Acordar de manhã com o chilrear da passarada.
  57. Andar descalça em casa.
  58. De vez em quando gozar um dia inteiro (Domingo) de pijama.
  59. Árvores, arbustos, plantas e erva.
  60. Odor a relva cortada.
  61. Cheiro a terra molhada.
  62. Perfume a eucalipto e a resina dos pinheiros.
  63. O vôo errante das borboletas, especialmente coloridas.
  64. Chuveiro de água (quase) fria nos dias muito quentes.
  65. Dormir em lençóis lavados de cama bem feita.
  66. Sentir o aconchego do édredon macio e quentinho nos primeiros dias de frio do Outono.
  67. Demorar-me no chuveiro do hotel.
  68. O paladar de cogumelos frescos salteados.
  69. Ver o meu Portinho jogar bem e ganhar.
  70. Ser recebida por um sorriso na caixa do supermercado ou qualquer outro estabelecimento.
  71. Sumo de laranja natural e tosta mista ao almoço (raramente).
  72. Compal de pêssego e meia torrada ao pequeno-almoço (raramente).
  73. Ouvir ao acaso conversas alheias na rua ou no autocarro e sentir nelas cumplicidade e entreajuda ou simples surpresa.
  74. No Inverno ao fim-de-semana fazer chá preto com torradas para o lanche (raramente).
  75. Saber (boas) notícias da família alargada.
  76. Estar na treta com gente nova.
  77. Tagarelar com gente menos nova.
  78. Cavaquear com os mais velhos.
  79. Conversar com desconhecidos.
  80. Contemplar o céu laranja a poente e regressar à infância: amanhã estará bom tempo.
  81. Reviver Valinhas.
  82. Recordar Lagos.
  83. Lembrar viagens.
  84. Retroceder aos momentos felizes do passado.
  85. Fazer ronha de manhã ao fim-de-semana.
  86. Demonstrar afeição pelas pessoas que gosto.
  87. Planear mudanças e sonhar com o futuro.
  88. Visitar casas nos sites imobiliários.
  89. No Outono calcar com restolho folhas secas.
  90. Ouvir a zerichia e burburinho das crianças a brincar.
  91. Refastelar-me no sofá e tirar uma soneca com a smooth de fundo.
  92. Deslumbrar-me com os recantos de beleza “postal” da minha cidade.
  93. Pessoas e coisas despretensiosas.
  94. Pessoas e coisas com ar lavado.
  95. Reparar nos traços fisionómicos particulares entre aglomerados de gente.
  96. Esplanadas alegres à beira mar e navios na linha do horizonte.
  97. Férias, feriados e fins-de-semana.
  98. A ideia de viajar (temo que se escrevesse tão só “viajar” mentisse, de tal forma me comecei a embaraçar na logística).
  99. Escrever nos dias em que me sinto bem comigo e com o mundo.
  100. Meu Deus, só ao fim de 85 entradas (entretanto acrescentei mais algumas) me lembrei do cigarro: saborear a ideia de voltar a ter o prazer de fumar um cigarro quando fizer 82 anos.

 

E por aí fora. Esta lista não teria fim se continuasse a dizer tudo quando me anima.

Depois deste elenco não posso senão concluir tender mais para o feliz do que para o infeliz. Não foi com essa intenção de terapia que comecei a escrevê-lo, mas ainda bem que teve esse efeito útil. Não sei se faça um postal com o que não gosto e outro com o que me deixa indiferente. Ficarão para um dia lá mais adiante.

Se este postal tivesse pretensões, no lugar de boa música estariam três referências a obras e compositores célebres, em vez de pintura figuraria o nome de um par de mestres e seus quadros, tal como mencionaria a forma como me teriam tocado quatro poetas e dois romancistas. Desapareceriam as banais torradas para dar lugar a um requintado prato confeccionado por chef de renome. E por aí adiante. Sucede que não há em mim intenção de exibir uma vitrine de conhecimento em leque, mas tão só revelar o que penso e sinto. O que na verdade me alegra. 





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