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Gabriel Garcia Márquez - Alugo-me para sonhar

por Isabel Paulos, em 17.01.21

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Covid-19

por Isabel Paulos, em 17.01.21

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(Worldmeters)

 Mais consultas possíveis no Covid Visualizer, no ECDC e na DGS

A ver

por Isabel Paulos, em 17.01.21

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*

Num tempo em que muito pouco na televisão vale o nosso esforço para ver e ouvir, o Leste/Oeste semanal de Nuno Rogeiro, na Sic Notícias (se não conseguirem a ligação, vejam na gravação da box), é óptima excepção. Numa época na qual para além do problema de saúde das convicções precoces e das guerrinhas pessoais e políticas com que somos brindados  a todo o momento no twitter e facebook (e blogues, sejamos justos), os programas e tempos de informação, opinião e debate televisivos transformaram-se quase todos em espaços amorfos ou excitados de evangelização e os seus protagonistas em crentes ou pregadores. Neste clima é bom saber que ainda há quem se dê ao trabalho de pensar e trabalhar, passe o pleonasmo.  

Jornais

por Isabel Paulos, em 17.01.21

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Numa olhadela rápida pelos jornais, comecei por procurar na BBC o estado de alerta nos 50 estados norte-americanos. Entediei-me mais um pouco com a ladainha da liberdade excessiva do Natal no The Guardian, que por cá também medra para consolo das almas inquisitórias. Passei pela China para ver dados da Covid no China Daily. E acabei mais satisfeita no Der Spiegel por finalmente ver um artigo no jornal que explica com acerto e minúcia as dificuldades que pessoas com deficiência têm em aceder aos conteúdos da internet. Por incrível que pareça temos regredido nesta matéria, pelo que seria bom que os designers das páginas online lessem o artigo.  

Livrarias online

por Isabel Paulos, em 16.01.21

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(imagem editada.)

Tirando irmos à falência, não há razão para não continuarmos a comprar livros.

Fiel da Balança

por Isabel Paulos, em 16.01.21

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*

Com alguma pretensão o nome desta casa feita blogue poderia ser Fiel da Balança. Não por especial queda para pesar grandes gestos de afeição ou brandura, até porque por estas bandas o jeito foi sempre meio bruto ou bruto inteiro, mas pela propensão inelutável para denunciar o lado mais forte. Seja no sentimento seja na razão só por distracção ou toldada por emoção nesta casa se declara alinhar pelo vento favorável e só por desconhecimento não se tenta usar o contrapeso para corrigir a situação. A coisa é de tal modo inata que quando criança à pergunta bicuda de quem gosta mais, e apesar de não haver alma que não soubesse que o Fiel da Balança denunciava absoluta preferência pela mãe, ninguém algum dia ouviu resposta diferente do que esta: dos dois igual.

Não é defeito, é feitio. O Fiel da Balança serve para isso mesmo: orientar na direcção do justo. E não se confunde com o politicamente correcto, que é apenas encosto cómodo.

 

São Miguel

por Isabel Paulos, em 16.01.21

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*

Dezasseis de Janeiro

do ano vinte e um.

Ordem de clausura

e encontro clandestino

ao meio-dia e meio caminho

do cordão umbilical.

 

A casa São Miguel.

Em jeito de escusa, mão-cheia:

oito bravo-de-Esmolfe,

um beijo na mãe

e o parabém.

 

Coisinhas boas (resultado)

por Isabel Paulos, em 16.01.21

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E pronto, fiquei com as costas num oito (nada que uma noite se sono não tenha curado), mas lá levei a minha avante. É impressionante o que pode caber em menos de cinco metros quadrados. Agora calhar, calhar, calhava bem a reforma para ler os vários que não li e reler os que mais gostei.

Coisinhas boas

por Isabel Paulos, em 15.01.21

Estado de espírito às 16h30: reina a boa disposição e a ideia de mudar móveis em casa fervilha. Morta por acabar o dia de trabalho e jantar, para depois começar as mudanças. É um vício que nasce connosco, não há que lhe fazer. Faço-o desde miúda. Quando acabam as ideias para mudar os móveis é porque está na altura de mudar de casa. Há menos de três anos neste apartamento e já mudei a sala três vezes. Cada vez mais rápida: depois de vir à cabeça a nova disposição, em quaisquer trinta minutos a alteração está feita. O único senão são as modificações que implicam parte eléctrica, nesses casos lá tenho que chamar o Sr. A. nos dias seguintes. Mas hoje vai ser apenas uma mini troca de posições: estante do escritório por aparador do +1.

Conheço as tretas da psicologia: blá blá blá, quando se tem tanta necessidade de mudar os espaços é porque alguma coisa de errado connosco. Balelas: errado estaria se estivesse quieta a olhar para os mesmos monos há anos no mesmo sítio ou a pedir conselhos a decoradores em função das modas. Valha-nos a vontade própria.

Escola da Ponte

por Isabel Paulos, em 15.01.21

Não é atraente, não ignoro as objecções dos defensores da escola clássica, também me arrepio com expressões como ‘pessoa humana’ e não deixei de reparar no 'há quarenta anos atrás'. E, a despropósito, tenho uma vaga noção do laxismo das novas oportunidades. Mas não custa baixar a crista e ouvir um pouco.

Escola da Ponte, na Wikipédia.

A ler

por Isabel Paulos, em 15.01.21

 

Donald Trump e a força das coisas, de Jaime Nogueira Pinto, no Observador.

 

[...] «Na América – como em Portugal e mesmo na generalidade dos países europeus – a reacção popular às grandes linhas da globalização político-económica, ao ideário da correcção política e ao apoderamento da opinião e do sistema por “vanguardas” interessadas, é, por enquanto, só isso: essencialmente reactiva. É a antítese, a negação de um discurso que se quer impor como discurso único. E nesse discurso coincidem os bilionários da Big Tech, grande parte dos académicos e dos comentadores, quase todos os noticiaristas (agora autopromovidos a pensadores políticos) e os activistas Antifas e seus equivalentes europeus. Uns, porque ganham muito dinheiro, mais ainda que o que já ganhavam; outros porque impõem as suas ideias sobre o homem e o Estado ou porque vão com a maré; outros ainda porque passam por heróis, a derrubar ou a vandalizar estátuas de “fascistas”, como Abraham Lincoln ou como o Padre António Vieira. O apetite do lucro de uns junta-se ao zelotismo utópico ou ao instinto de saque de outros. E à ignorância e ao simplismo populismo de quase todos.»[...]

 

[...]«Também a Trump, que derrotou os tradicionais conservadores do Partido Republicano – de Jeb Bush e Marco Rubio a Ted Cruz – e se apoderou do lugar e da agenda deles, lhe faltou sempre aquele substrato de convicções e de princípios profundos, que vem das ideias e das concepções de vida de longa-duração. Talvez por isso, e por temperamento e circunstância, não tenha percebido que, a partir de um certo momento, não valia a pena persistir, mesmo com razão, numa batalha que a força das coisas já tornara perdida. A partir do resultado consagrado pelos poderes deste mundo na eleição presidencial o que passava a estar em jogo era conservar a maioria no Senado.

No momento em que o Presidente se afastasse, deixando o que houvesse a decidir aos tribunais, a coligação anti-Trump que elegeu Biden desmobilizava. Com a sua insistência, usando o peso da popularidade entre o eleitorado republicano, e com o seu pouco ou nulo empenho na campanha senatorial da Geórgia, os Republicanos acabaram por perder dois senadores, perdendo assim a maioria no Senado.

O Partido Republicano que Trump ajudou a construir, um partido mais popular, mais baixa classe média e trabalhadora, mais chegado aos latinos e aos negros, era um bloco de 74 milhões de eleitores, face a uma coligação negativa que ia dos megabilionários de Silicon Valley – e de outros vales – aos Antifas, passando, claro, pelos novos “cabeças de ovo” da Academia e dos media, habituados, como bons puritanos, a justificar os próprios excessos pela bondade das suas causas e a demonizar e perseguir o inimigo, as suas causas e os seus excessos. A invasão do Capitólio por adeptos de Trump serviu-lhes na perfeição para confirmar e justificar a estratégia de Redutio ad Hitlerum que há muito prosseguiam.»[...]

 

Cláudia Pascoal - Espalha Brasas

por Isabel Paulos, em 15.01.21

Bom dia.

Fim-de-semana à espreita, yeahh.

Voto Nulo

por Isabel Paulos, em 14.01.21

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*

No início de Outubro, já aqui havia falado do meu voto nas presidenciais. Nesse postal, não mencionei Mayan Gonçalves. Julgo que no momento ainda desconhecia o nome do candidato. É indiferente, o cantar liberal é-me demasiado próximo para não conhecer os vícios e prejuízos que comporta. Conheço a argumentaria desde sempre e, mais ainda, dos anos de faculdade. Em política, partir do princípio que existe um mundo sem desigualdades no qual a cada um é dado aquilo que merece é uma crença cínica que não convence.

Em Dezembro respondi a uma extensa e minuciosa sondagem da Pitagórica e já tinha, então, decidido voltar atrás e não votar João Ferreira a quem considerei dar o meu voto. Por não me rever em nenhum dos candidatos, voltarei nulo. 

Também já aqui falei do sentido habitual do meu voto. E daquilo que não se pode ignorar para além das questões ideológicas e programáticas puras e duras – que se esvaem rapidamente nos mais terrenos jogos de interesse e do peso das limitações reais. Tenho plena consciência que a maioria das pessoas sensatas acham um total disparate – uma tolice ou burrice -, deambular entre um partido dito moderado de centro direita – o PSD – e o PCP. A essas pessoas sensatas só tenho a dizer que faço parte da maioria: a maioria dos que estão pelos cabelos. Mas com uma diferença: em quase 30 anos de eleitora, só faltei a uma eleição, por estar em viagem de Luanda para Lisboa (recordo agora que foram duas: acabei por não votar, apesar de estar junto da assembleia de voto, numa eleição que exigiram prova de deficiência ao meu companheiro que tinha feito 300 quilómetros nesse dia para votar e esquecido da porcaria do papel que prova que é cego). Votei quase sempre no PSD, muito raramente no PCP (ou CDU) e julgo que vai ser a terceira vez que voto em branco ou nulo. Apesar de tudo ainda me dou ao trabalho de não faltar à urna de voto, mas percebo bem quem já nem a isso se digne. 

Como nota mais leve, conto apenas que foi curioso na sondagem a que respondi, quando perguntada com que candidato preferia jantar, escolher Marcelo Rebelo de Sousa e ao mesmo tempo ter respondido que preferia comprar um carro usado a João Ferreira. A única razão possível é que Marcelo Rebelo de Sousa diverte mais. Definitivamente algo vai mal. Não sei se comigo, se com o mundo.

Leio o que acabei de escrever e lembro-me do primeiro Comício a que fui - assisti a três ou quatro na vida e todos antes dos 19 anos. Tinha 12 anos, pedi autorização materna para sair da escola e ir assistir ao Comício; obtive-a. Saí e sozinha e, no meio da multidão do Jardim frente à Câmara Municipal de Felgueiras, vi e ouvi Freitas do Amaral. Detestei-o; sentimento que mantive ao longo da vida. À saída colaram-me um autocolante de Soares é fixe. Piada a que só então, quando criança, consegui achar graça.

 

Os reis da banalidade

por Isabel Paulos, em 14.01.21

Acho imensa piada às pessoas que passam uma vida inteira a dizer banalidades, a usar termos de tendência e que se mantém sempre 'ajeitadinhas' ao que é suposto render lucro e reputação a insurgirem-se, por estar na moda fazê-lo, contra uma ou outra banalidade isolada. 

Blade Runner

por Isabel Paulos, em 14.01.21

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*

Nesta manhã estava difícil arranjar uns minutinhos para respirar e dizer que, finalmente, vi ontem à noite o Blade Runner. Há anos insistiam que deveria ver e com pouca aptidão para a ficção científica fui sempre adiando. Quem me aconselhava a escolha usava dois argumentos: não é um filme banal de ficção científica e é um hino à vida.

Sem esmiuçar nem recorrer a grandes interpretações e adjectivações confirmo apenas que o valor da vida é a ideia que transcorre todo o filme e está bem patente nos instantes finais, sobretudo, na penúltima grande cena. Apesar do que chamo bonecada e adereços – não levem a mal os amantes dos efeitos especiais, tecnologia e futurologia, bem sei a importância que têm, simplesmente e talvez por ignorância, nunca me impressionam - e dos clichés do cinema de acção norte-americano - todo o filme remete para o essencial: o sentido da vida.

Valeu a pena. Um filme a ver nestes tempos angustiantes.

 

Episódios de Janeiro 2021 - O Oriente

por Isabel Paulos, em 13.01.21

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*

Lembro-me dos primeiros quatro conhecidos virtuais do final do século XX: dois norte-americanos, um kwaitiano e uma neozelandesa e das curtas e úteis conversas que tive, apesar do meu parco e mau inglês. Mais talvez do que os rápidos diálogos tidos em viagens de turismo, que pouco acrescentam ao nosso conhecimento sobre os locais que pisamos, conversar com os outros sem scripts determinados por circunstâncias limitadoras da livre expressão, dá-nos a oportunidade e a proximidade necessária para deixar de ver o mundo através do simplismo e dicotomia nós e eles. O Golfo Pérsico deixou de ser uma abstracção da televisão onde caíam rockets e o Kuwait passou a ser a terra onde nasceu, vivia e trabalhava um conhecido com apurado sentido de humor. Os Estados Unidos deixaram de ser só um rico e belíssimo país que visitei e que é permanentemente desprezado pela sobranceria das pessoas pouco educadas da velha europa, para ser o berço do cristão defensor das causas cívicas da costa atlântica e do mais terra-a-terra texano. E a Nova Zelândia deixou de ser apenas um enorme e idílico campo verde, para se transformar na casa de uma mãe preocupada com a fragilidade de um filho. A vinte anos de distância pergunto-me se esta mãe terá votado em Jacinda Ardern e se sentirá representada. Infelizmente, nos vinte anos seguintes quase só cavaqueei com portugueses. As conversas de outrora fazem-me falta para tomar pulso ao mundo.  

A Terra não está para meninos. Não é a enterrar a cabeça na areia e a negar a realidade, a injuriar comodamente ou a fazer chacota de quem põe em causa as nossas regalias, ou a defender romanticamente um status quo que não serve a cada vez maior número de pessoas, que vamos defender a vida, a democracia e a liberdade de expressão.

A flor amarela que está no meu perfil este ano foi arranjada num site chinês. Conhecendo a dificuldade em encontrar o que preciso em sites através do português e tendo-me habituado a fazer pesquisas noutros idiomas (apesar da franca dificuldade no seu domínio) para conseguir obter o que quero, e não tendo intenção de vir a aprender mandarim ou cantonês, lancei mão das ferramentas que existem, e para quem não tem grandes ambições – apenas saber com que linhas se cose o futuro do mundo -, o tradutor do Google para chinês simplificado é suficiente. Dou por mim a devanear na ideia recorrente dos últimos anos e numa das 350 resoluções anuais, das quais concretizo duas ou três: talvez esteja na hora de recomeçar a conversar. Talvez com o Oriente.

Mundo longínquo que me chegou até hoje sobretudo por via feminina nos relatos que me fizeram em criança da visão ocidentalizada da China impressa nos livros de Pearl Buck, e no final da adolescência da áspera história das últimas gerações dos Cisnes Selvagens, ou das mais recentes incursões pela China, na viragem do milénio, de Peter Hessler. Apesar de não ter lido estes autores/livros – e de ainda ter as Rotas da Seda na calha da próxima série a ler -, digamos que os relatos que me chegaram foram bastante minuciosos.

Esse mundo surgiu-me também na viagem de dois meses à Austrália, com duas paragens em Singapura, para lá com a preocupação de viajar com quem adoeceu no vôo, para cá com dois dias e o tempo suficiente para visitar em zona industrial uma fábrica em laboração – onde vi os mais belos planisférios de porcelana azul breu que tenho memória e pena de ter perdido as fotografias -, o Jardim Botânico e o Mercado, no qual retive os profundos e impressionantes olhos verdes esmeralda duma jovem vendedora. E onde me senti em absoluta segurança – quase única quando fora de Portugal – ao passear à noite pelas ruas da cidade. Mas também das leituras de História e das dinastias e das consultas esotéricas que na China envolvem as crenças e superstições na sabedoria que nos traz o mundo antigo, no qual palavras como parcimónia, vento, rio e vénia voltam a ganhar significado. Sem esquecer a mundividência que transportam os filmes de animação japoneses e sul-coreanos. Nem o conhecimento da extraordinária capacidade de trabalho, dedicação e abdicação das gentes de leste. E num plano mais terreno dos contactos profissionais nos últimos 15 anos com cidadãos chineses residentes em Portugal.

Tudo isto é nada. É muito pouco o que me chega do Oriente. Só conversando sobre as banalidades do dia-a-dia com orientais poderei vislumbrar mais do que isto. Será que é este ano que retomo as conversas fora do português?

A ver vamos.

 

Episódios de Janeiro 2021 - O Ocidente

por Isabel Paulos, em 12.01.21

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*

O vício dos dias de hoje, atenta a voragem informativa, é elaborar sobre compartimentos estanques. Seja em termos de espaço seja de tempo. Socorrendo-se de ideias feitas ou conhecimento válido, discorre-se sobre o que se passa em cada dia, como se o passado se tivesse desvanecido. Escreve-se sobre o que se passa em Portugal, como se a realidade norte-americana, britânica, australiana, angolana, nada tivessem a ver com isso e com o estado de sítio deste mundo globalizado. Termo tão na moda durante anos e varrido dos jornais e espaços virtuais. Curiosamente por acção da Covid, a mais globalizada de todas matérias.

A título de exemplo pergunto que ideias válidas e consequentes se poderão retirar da reacção aos chavões racistas e xenófobos do Chega, sem perceber que por mais que o Antifas norte-americano tenha origem funda naquele grande e novo país de imigrantes com oportunidades desiguais, tão distantes das velhas raízes do pequeno país definhado, ruína de antigo e envergonhado império colonizador feito terra de emigrantes, todo o moderno ruído mediático e virtual é instantâneo, global e imparável?  

Em termos mais gerais, há perguntas às quais talvez ainda seja cedo responder. Como se mescla na História a nova realidade feita de destempero e da mexerufada de ódios recentes - com trinta ou quarenta anos -, e os rancores antigos que há muito se julgavam expiados? Como se abstrai do que continua a ser a luta de rebelião e resistência pelo quinhão de poder? Como é possível negar nas bandeiras empunhadas a contradição e absurdo nuns casos, mas também a necessidade e justeza noutros? Como se cultiva, a pretexto de grandes declarações de amor à democracia e através de meios digitais, o atavismo obsoleto? O que fez o mundo ocioso do Ocidente emergir do falso unanimismo das últimas décadas e levantar-se do sofá para discutir com o vizinho do lado? Qual a razão para cada um se lembrar agora da sua quota de poder?

Mas há outras questões bem evidentes que interessam a quem se preocupe com o efeito borboleta. Se quisermos tentar perceber o que se passa e pode vir a passar nas próximas semanas ou meses, teremos que assentar na ideia de que a opinião pública ocidental, educada há décadas no facilitismo e na falta de juízo crítico, repele ou cede tão ou mais levianamente ao apelo ou slogan dos longínquos mentores das causas imediatas que vê bradar nos jornais das televisões e redes sociais, como aos sentimentos e razões do seu pequeno território de interesses e influência. Os órgãos de informação não têm autonomia financeira, nem independência face à voragem dos acontecimentos, nem arcaboiço estrutural de conhecimento. Os estados estão desprovidos de autoridade na cúpula, sendo geridos como empresas que concorrem ao melhor lugar para trabalhar e estão subjugadas aos grandes grupos de interesse económico. Da autoridade militar estranhamente pouco se fala.

A ver vamos.

 

Apontamento

por Isabel Paulos, em 12.01.21

Em apontamento agora extemporâneo resta apenas dizer quanto ao Presidente da República que tanto insistiu, tanto insistiu, que lá conseguiu um falso positivo. Por cá a pieguice colhe.

*

Depois dos provérbios e expressões idiomáticas, virão as palavras proscritas e a primeira será: piegas.

Suspenses

por Isabel Paulos, em 12.01.21

Desfez-se o pequeno suspense do teste positivo ao primogénito. Como seria de esperar, 'negativou'.

O País vive agora relativo silêncio e grande suspense por causa do novo confinamento. Por horas, até começar a 'mexeriquice' toda de novo à volta dos números e das medidas.

E lá fora um frio de rachar.

Presidenciais

por Isabel Paulos, em 12.01.21

Procurei ver o menor número de debates que consegui, mas às vezes ia a passar na sala e à má fila lá levava com trocas de galhardetes. Possivelmente isto não tem cura e, apesar da fobia social, vou ter que me sujeitar mesmo às reuniões de Adictos dos Debates Anónimos. Ao assistir às discussões recreativas na televisão sinto-me sempre como o Statler e o Walforf. 

O que vale é que posso ressacar virtualmente.




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