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A ler

por Isabel Paulos, em 18.04.21

No The Guardian, o quotidiano na pequena cidade fronteiriça ucraniana Marinka, que se prepara para a invasão pelas tropas russas.

No Observador, o apelo do Papa ao fim das tensões entre Rússia e Ucrânia, lamentando a violação do cessar-fogo e o aumento do contingente militar russo.

Em suma, é oficial e a invasão fatal como o destino.

Pedro Abrunhosa

por Isabel Paulos, em 18.04.21

Agenda

por Isabel Paulos, em 18.04.21

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No próximo fim-de-semana devo acabar de espanar o mundo. Em princípio, será coisa para tirar o pó vite-vite (à moda da V.) à Índia, China, Coreia do Norte e Nova Zelândia. Não faço a menor ideia sobre o que vou escrever, mas também não há nada como a ousadia.

Domingo a pé

por Isabel Paulos, em 18.04.21

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Ontem conversa da animada T., amiga de sempre. Foi dando o toque que é preciso espevitar e não cair no marasmo. Nada como voltar a andar a pé: não tem custos nem complicações associadas, só temos que bater a porta e pormo-nos a caminho.

Hoje percorri 6.300 metros para ir e vir ao Jardim Botânico, que estava encerrado. Os destinos não variam muito, já que a zona é uma tentação: é-me querida e bem familiar. Paragem na Casa Allen - Casa das Artes -, para as fotografias da praxe. Já sabem que não sou grande fotógrafa, por isso, não esperem qualidade de imagem. Não faço muita questão nisso. Interessa-me o registo e a beleza vivida do lugar.

Se fizesse isto três vezes por semana, seria uma conquista.

Coisinhas boas

por Isabel Paulos, em 17.04.21

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Coisas que fazem bem à saúde e disposição. As melhores razões para suportar a zerichia de um Centro Comercial. Por mim, mudava de casa ano sim ano não. E continuava a ir aos Centros Comerciais apenas meia-dúzia de vezes ao ano.

Ao escrever zerichia - termo que toda a vida ouvi -, somei mais uma razão de benfazer à saúde e disposição. Não é difícil encontrar razões para sorrir.

Pedro Abrunhosa -Tudo o que eu te dou

por Isabel Paulos, em 17.04.21

Pedro Abrunhosa é daquelas figuras que opinam, com quem não concordo 90% das vezes, mas é um músico de mão-cheia, tem composições belíssimas e parece ser alguém que tem consideração pelos outros.

A direito: o mundo online

por Isabel Paulos, em 17.04.21

Há dezasseis anos marcaram comigo um encontro para conhecer duas pessoas com quem conversava online. Foi numa esplanada do Parque das Nações e em vez das duas pessoas, surgiram talvez mais de uma dúzia de curiosos - para meu desagrado, que gosto pouco de ajuntamentos, apesar de ter ido a dois ou três do género.

Pouco depois de chegada, a figura central feminina, com as pestanas pintadas de azul e uma lábia monumental, contava divertida e cheia de si como tinha tido a ideia de nomear um espaço virtual. Ia contando e fazendo pausas olhando-me provocatória para que eu anuísse, presumo. E eu consenti, por omissão. Não recordando nem dizendo aos presentes, que usava aquela designação há muito e que comigo se tornou popular naquela espelunca virtual onde pastava, tendo sido mais tarde aproveitada pela senhora das pestanas azuis. Não é bonito desprezar um espaço que nos acolheu, mas factos são factos; passeei-me noutros pastos que horrorizam muitos, mas são bastante mais arejados do que se pensa e povoados de verdadeiros tesouros, que ali apesar do esforço não consegui encontrar. Ainda assim reconheço que, como em todos os lados, havia gente decente.

Como é evidente, não faço questão em dar nomes a espeluncas e tenho consciência que toda esta conversa tresanda a menoridade. Mais, consciência de que posso facilmente ser tomada por tonta e mesquinha. Mas uso o exemplo para dizer o que quero e faço questão. A idade, ao contrário do que seria de esperar, tem-me feito perceber que desfazer menoridades, equívocos e questiúnculas, desde que com bom senso, não faz cair os parentes na lama a ninguém e resolve problemas, ajudando a pôr pontos nos ‘is’ para mal dos pecados de quem sobrevive à custa de ambiguidades.

Todos nós aproveitamos as dádivas dos outros. Todos nós nos inspiramos nos outros. Todos nós fazemos versões. A nossa vida é construída em volta não só do que criamos – mal fora, morreríamos todos novos e exaustos -, como do que os outros nos dão. É desta espiral de criação e dádiva que o mundo vive e num mundo em rede como o nosso esta realidade tem ainda mais significado. Passando eu anos a fio – desde a adolescência – a ouvir e ler outros, é natural que haja tiques, sensibilidades e ideias alheias que se me tenham entranhado no discurso. Vejo que acontece a todos. Mas não me tenho em tão má conta que não saiba que, além de vida interior, toda a vida puxei pela cabeça para ter opinião própria e que muitas vezes me custou o pêlo manter-me fiel ao que acredito. Falho na preguiça e algumas vezes na inconsequência, mas procuro dizer aquilo que penso.

O mundo online está apinhado de pessoas com vontade de se manifestarem, de mostrarem a sua opinião, de declararem quem são. E isso é tão só a democracia a funcionar, para desgosto de muitos ditos lutadores pela liberdade e democracia, que todos os dias desprezam e espezinham a opinião alheia. Como eu há inúmeros anónimos, que dia após dia ao longo dos anos vão dizendo o que lhes vai na alma, não retirando daí nenhum outro benefício que não seja o maior de todos: gozar da liberdade para dizer o que se pensa e, nalguns casos, influir ainda que modestamente no curso da opinião dominante. Muitos anónimos que parecem não ter papel na democracia, que os deveria representar. Entre eles muitos que não buscam protagonismo, que gostam da discrição, mas prefeririam não ser usados.

Em regra, é pateta reclamar créditos e fazer cobranças neste contexto. Até porque a partilha é desejável. Mas convém recordar aos sábios deste mundo que sugar e abusar dos outros para colher aplauso, sem agradecer – não digo publicamente, mas ao menos em particular -, desconsiderando quem reputam não estar à altura ou ser dispensável a não ser para trabalhar e doar o melhor que tem – não é coisa muito limpa e honesta de se fazer. Sobretudo, porque quem está atento repara que jamais se esquecem de agradecer a quem retiram ganho reputacional ou material. Outras realidades paralelas no mundo online, que às vezes se confundem com a anterior, são a insinuação cobarde e as aproximações não assumidas. Um mundo que não presta, nem pode trazer nada de bom a quem está de boa-fé, mas altamente atraente para quem gosta de jogos sujos. E, no meio disto tudo, é uma lata descomunal ouvir conversa paternalista e lições de sapiência sobre como fazer vingar projectos e ideias. Isto para não falar daquelas pessoas que usam os estratagemas mais sórdidos para andar online à cata de histórias para vender. Normalmente todos estes tipos de figuras se dão bem: une-os todo um certo carácter e estilo de vida.

Estas considerações levaram-me ontem a ponderar fazer mais uma pausa nas Comezinhas, por cansaço. Mas reconsiderei, já não tenho idade para, como forasteira, agarrar na trouxa pela milésima vez e abalar desencantada e confiante em melhores dias noutras paragens ou simplesmente desaparecer no deserto por uma década. Talvez abrande, talvez não. As Comezinhas e a dúzia de generosos leitores regulares – a quem agradeço cada vez mais espantada por aqui estarem -, começam a ser um ninho com algum conforto – mas muito inconformismo, descansem -, na qual me dou ao luxo de fazer desabafos desta natureza e ir ficando enquanto tiver ânimo

Serralves

por Isabel Paulos, em 17.04.21

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Cão Ladrando à Lua, Joan Miró.

*

Sobre esta e outras telas de Joan Miró, podemos aprender qualquer coisa no The Art Story.

 

Vi a obra deste pintor catalão pela primeira vez em Serralves, não sei bem se no fim dos anos 80, se no início dos anos 90. Achei que o artista brincava connosco, o que deu azo a desconexas conversas sobre os vários quadros, a irreverência e espírito provocador, com a amiga que me acompanhou na visita.

Serralves foi o principal espaço de arte que comecei a visitar com a minha mãe - desde criança espreitávamos as galerias na Rua da Conceição, Rua da Galeria de Paris e mais tarde as da Rua Miguel Bombarda.

Lá, em Serralves, em torno de 1989 ou 1990, impressionei-me brutalmente com os carvões dos Caprichos, Desastres e Tauromaquia, um aperitivo para os Desastres da Guerra de Goya. Em 2005 tive possibilidade de ir ao Prado - na companhia de uma argentina com muita vontade de fotografar -, ver tudo quanto ambicionava de Francisco Goya: sem perder, claro, O 3 de Maio de 1808 em Madrid e A Maja Nua. Lembro-me que a catrefada de quadros da Côrte sensibilizou-me menos, salvo talvez a presença marcante das crianças e a tentação - como usual entre os grandes mestres -, de se retratar discretamente em tela imortal. Tal como lá, em Serralves, pasmei com as Gravuras de Picasso. Ia jurar, mas não assevero, que foi nessa altura que vi a série Guitarras, que nunca consegui dissociar das Meninas de Avignon, nem das outras meninas com que homenageou Velásquez. Mais tarde também o revisitei no Museu do Prado.

Sexta-feira

por Isabel Paulos, em 16.04.21

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*

Hora de almoço. Consulta de anestesiologia com um ano de antecedência, mas sem fila. Nos Jardins do Palácio enquanto todas as câmaras dos passeadores de dedo afoito focam os vistosos pavões (é uma tentação a que não resisti várias vezes), um vulgar casal de pombos troca carícias primaveris. Cheira a relva aparada (a minha sorte), um trabalhador leva o cortador com rede repleta de grama, o outro fica estacionado. Um pequeno grupo juvenil faz de figurante à Ponte da Arrábida e ao Douro, o arvoredo de moldura. De regresso, um bebé de pezinhos ao léu (ah, alegria) goza o pequeno idílio sob o olhar atento da mãe. A vida continua.

Pretensão

por Isabel Paulos, em 16.04.21

Lá nos pedestais a que trepam cheios de si e das suas certezas fazem correr rios de sentenças. Às vezes, em dias de Sol brilhante e humores benevolentes, concedem atenção à vida rasteira. Nela vêem potencial pupila.

Cá de baixo, da vida rasteira, a vista é magnífica: leio-vos o bojo e as vísceras. Toldais-me o Sol.

Miró

por Isabel Paulos, em 16.04.21

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O Belo Pássaro Revelando o Desconhecido a um Casal de Amantes, Joan Miró.

Amor

por Isabel Paulos, em 16.04.21

Todas as vidas precisam ser salvas. Há golpes duros, suportamos canalhices, somos apunhalados pelo destino, cometemos os nossos próprios erros. Nalgum momento ou circunstância, mais ou menos prolongado no tempo, com maior o menor intensidade, mais tarde ou mais cedo, todos desacreditamos. Para cá continuarmos é preciso que os outros nos valham. É preciso confiar. A ti tem-te salvo o amor e o humor. O amor feito mimo e preocupação da família, e memória da meiguice da família alargada em criança. O amor feito compreensão de conhecidos. O amor feito cumplicidade de poucos amigos ao longo da vida. O amor feito paixão efémera de homens que conheceste. O amor feito ternura e cuidado do homem que escolheu contigo viver.

À beira do abismo, numa fracção de segundo, salvou-te o amor feito gesto lesto, generoso e o cuidado de um desconhecido, que só viste por segundos e a quem deves a segunda vida.

Enquanto tiveres memória de tudo isto e juízo, as comodidades mínimas, se possível companhia de animais e plantas e oportunidade para uma ou outra viagem, poderás enfrentar as desilusões com o país e com os aspectos mais mundanos da vida. A ti, deram-te tudo e a maior fortuna: não te perderes nos enredos, razões, cenários, teorias e nos ódios, e mais ainda do que ser capaz rir, ao seres amada, ensinaram-te a ser capaz de confiar e amar.

Gatices

por Isabel Paulos, em 15.04.21

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Michel Camilo - Altos de Chavón

por Isabel Paulos, em 15.04.21

Teletrabalho

por Isabel Paulos, em 15.04.21

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*

Já li alguns textos sobre dicas para organizar o espaço e prioridades de quem trabalha em casa. Fala-se em escolher um espaço próprio e autónomo (para quem o tenha), não trabalhar em pijama (faz todo o sentido), antecipar tarefas e estabelecer horários.

Parece-me tudo óptimo, mas ainda não vi nenhum artigo que fale de coisas verdadeiramente importantes. No meu local de trabalho caseiro, não prescindo de um objecto essencial ao aumento da produtividade: o Coçador de Costas à moda antiga, trazido do Algarve, de uma loja de lembranças explorada por asiáticos.

P.S. Estou um pouco temerosa: a palavra coçador não aparece nos dicionários online.

Truques

por Isabel Paulos, em 13.04.21

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*

Se pudesse. Se o mundo fosse à minha medida. Colheria um punhado de dias de Primavera e ficaria sentada, pasmada a contemplar as alegrias. As vividas e as imaginadas. Até as sofridas, desde que superadas. Ou não. Andaria para trás e para a frente. Só a compor sonhos acordada e a pensar na vida. A deixá-la transcorrer o tempo enquanto sorria pelo desplante e ousadia de não querer saber da sensatez nem da urgência de fazer tudo quanto se diz essencial.

Se pudesse. Se o mundo fosse à minha medida. Passearia nos dias colhidos a rir sozinha de quem diz que todas as frases têm de ter sujeito, predicado e complemento. E abraçaria os dois primeiros períodos deste parágrafo, em mimo cúmplice, e dir-lhes-ia ao ouvido: hei, se pudesse e se o mundo fosse à minha medida, eles não sabem que vocês existem mais do que na condicional, por si só. Além de mais querem que vos diga que vós existis. Não vos posso falar assim, nem saberíeis que a vós me referiria.

Chiu. Não contais contem a ninguém, que podemos tanto à nossa medida: nós os patetas do truque dos idiotas felizes.

Porta dos Fundos

por Isabel Paulos, em 12.04.21

Não resisti, tenham paciência os puristas.

Nacional porreirismo

por Isabel Paulos, em 12.04.21

O texto abaixo estava guardado há meses nos rascunhos, talvez por não estar certa se era publicável. Como hoje estou sem veia para as Comezinhas, segue este mesmo, que até parece vir no espírito dos dias. Se descobrir mais algum postal indeciso repousado em banho-maria, talvez o faça ver a luz.

*

Como muitos, digo há trinta anos que os portugueses são invejosos. E são. Mas mais grave do que isso é uma grande percentagem ser trapaceira ou cega militante.

Denunciar corrupção, má gestão dos dinheiros públicos, delapidação do património público ou iniquidades e arbitrariedades no sector público e privado não é populismo, não é inveja. É um dever cívico, por muito que custe a quem gostaria de manter Portugal do lodaçal do costume.

Acho muita piada ao faz de conta e ao passar o paninho quente pelos desvarios com os dinheiros públicos. A verdade é que muitos portugueses sentem-se bem no meio da intrujice na esperança que não se dê pela sua pequena trapaça. E verdadeira inveja têm de não serem capazes das grandes golpadas dos seus heróis. No fundo, a maioria ambicionava ser o dono disto tudo, como Ricardo Salgado, um dos homens mais admirados, respeitados e invejados antes da queda.

Os nossos políticos são maus? Não são piores do que a população de onde emergem. Se querem fazer diferente eduquem a população no respeito pelo outro e na honestidade. Resta saber se precisamos de importar pais e professores para fazerem o trabalho ou se a voz e a vontade dos portugueses que estão fartos da vilanagem se sobrepõe ao nacional porreirismo.

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Tom Sawyer - Monday Morning Blues

por Isabel Paulos, em 12.04.21

Outros tempos.


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