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Novela

por Isabel Paulos, em 04.06.20

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Ando a seguir esta novela. É uma espécie de reposição. Alguns actores são os mesmos. Daqueles que não falham presenças nos papéis principais das grandes casos judiciais intrigas luso-brasileiras. Gosto especialmente do desempenho da actriz brasileira que faz o papel de contabilista. Não fosse ela a trama não atava nem desatava.

Sempre que vejo um episódio novo desta novela percebo a razão para os portugueses pagarem uma das mais caras electricidades da Europa. Como é sabido na sofisticada e impoluta gestão de elite as prioridades são definidas com aquele rigor e seriedade que só as auditorias de insuspeitas e expeditas empresas de consultoria internacional validam.

Harvard

por Isabel Paulos, em 04.06.20

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Imagem do Observador.

*

Não. Juro que estava nostálgica. Melancólica. Mas regressei ao estado normal no ápice que li «Três médicos da Escola de Harvard sugeriram num artigo publicado no início de maio que quem tiver relações sexuais com alguém que não esteja a cumprir confinamento deverá utilizar máscara para evitar um contágio pelo novo coronavírus. O melhor mesmo é a abstinência sexual ou a masturbação. Para quem isso não for “exequível”, aconselham o sexo online.»

Agora em vez de melancólica estou muito indecisa, não sei se escolha a máscara - tipo fetiche mascarilha - se o online. Ou as duas, sei lá. Tudo a bem da saúde e do respeitinho aos mantras covídicos.

Marabunta

por Isabel Paulos, em 04.06.20

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Tinha decidido pura e simplesmente não escrever uma linha sobre os acontecidos no Estados Unidos. Mas depois de ver tanta gente com vontade de acusar outra tanta gente de racismo e de tentar abater, à custa da emoção fácil, quem não vê o mundo a preto e branco, apetece-me apenas mandar os acusadores para o cê. Com tanta boa vontade e amor ao próximo estão cegos ou não querem ver. Nem valeria a pena escrever uma linha de bom senso. Já vi algumas escritas sensatas por aí e caem em saco roto. Logo são vilipendiadas. A marabunta não quer saber, quer é estar excitada. De garganta feita. Animada, inflamada, tal como estaria a urrar num festival de música ou num jogo de futebol. A morte injusta, trágica, desumana e macabra transforma-se em mero pretexto. Duplamente assassinado, o negro. Por excesso de força da polícia e por diversão perversa de uma turba inconsequente. Deixará de ser um homem para ser uma bandeira em forma de pretexto. Podia ter qualquer outra cor. A das alterações climáticas, ou outra. A marabunta quer é excitação por estar insaciável nas suas frustrações de homens e mulheres cheios de ódios pequenos e vingativos.

Ele há coisas lindas. Como é que é possível poisar os pés no chão ao ouvir isto? Como?

Passarada ao final da manhã

por Isabel Paulos, em 04.06.20

Dica: coloquem o som alto para ouvir bem os passarecos. No centro da cidade, numa das zonas mais densamente povoadas. E é isto a vida boa em 30 segundos. O verdadeiro luxo. 

De volta à realidade

por Isabel Paulos, em 04.06.20

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Ao final da tarde caiu uma neblina cerrada no meu cérebro, ou talvez fosse no peito. E a humidade fria fez arrefecer os ossos e os devaneios. Espreitei na janela da cozinha para ver se as tíbias e os rádios do Porto tinham sofrido abalo, mas percebi que a cidade apenas pressentiu ao de leve o que me ia na alma. Fez-se incerta e coada a luz, nem branca nem rosa. Nem amarela. Podia colher a claridade com os dedos e fazê-la escorrer, qual seda de ilusão, pela palma aberta da mão. Os lampejos de contentamento quanto mais belos e vigorosos mais cedo nos deixam caídos, assim prostrados no chão no meio do nada, nesta cidade em que a neblina cai no rio mais com o peso do granito, do betão e do ferro fundido do que como ar húmido rarefeito. É pedregulho pesado, denso, com história até aos primórdios dos tempos. Não brinca em serviço. Dói. E faz doer.

E nem posso dizer que é minha, a cidade. Pedi-a emprestada aos meus pais, o Porto à mãe, Gaia ao pai. Nem sei qual é a minha cidade. Suponho que não tenho senão esta por usucapião. Talvez por isso lhe seja tão agarrada. Dá-se o caso de ter ficado tão pouco tempo no bafo quente do forno de barro de Angola, depois de lá nascer, que seria ridículo chamar com propriedade a minha terra a Salazar ou N'Dalatando - nem no nome a vida é certa. Se assim fosse, e por maioria de razão, Felgueiras também seria a minha terra. E como impressiona o hiato de mundo que pode haver em sessenta quilómetros: o paraíso das árvores que ficou para trás e me faz lembrar o quanto o Porto era o centro do mundo e dos desejos. Tanto quanto é hoje o regresso às árvores. Nunca estamos contentes. Mais tarde seria Gaia a minha terra. Não fui longe. Mas esta tem aquele especial cunho do vinho a ter feito siamesa de fígado do Porto. Se um dia morrerem, morrerão unidas de cirrose à bolina de um rabelo.

Em Janeiro último, no meio dos mil e um planos que sempre esboço e conto, achei que iria passar alguns fins-de-semana da Primavera a fotografar a cidade, projecto sempre adiado. A estação das flores ficou-se pela corona e as fotografias foram para o brejo. Mas a Primavera fez jus ao uso e fez-se começo. E tudo o que desponta é belo. Promissor e ilusório.

*

No próximo dia 15 – depois de uma semana de férias -, acaba o teletrabalho. Por agora e até ver. Foram três meses bons. De doce enlevo. Depois do choque inicial com o confinamento e do estrebuchar de velharias da memória - zangas que caem no esquecimento e regressam sabe-se lá porquê, se é certo que o sentimento não perdura -, o abrandar de vida permitiu que nascesse o empolgamento e boa disposição adiccional. Alegria. Mais escrita a metro, impensada, irreflectida. Publicada sem ficar em vinha d' alhos. Como quase sempre, talvez felizmente. Não tenho que ter remorsos sérios do que expressei sem medir nem calcular. Tal como não será mau se a vida se refizer e voltar ao rame-rame de sempre. É sabido que todos os doces enlevos têm um fim. E este não fugirá à regra.

Talvez no próximo ano se coloque a questão do teletrabalho de novo. E nessa altura aproveite finalmente – que talento a procrastinar -, para escrever a Quinta que de tão parada e há tanto tempo mais parece o Ponto Morto. Ou talvez não. Não sei. Raramente sei. Devaneio e projecto mais do que sei. Sempre. Agora compete-me focar no que existe e nas pequenas-grandes alterações do quotidiano, que permitam nova vida mais saudável. E não baixar os braços, aí sim. Não desistir do que tem pernas para andar. Em jeito de laivo melancólico percebo que esta foi época de gatilho. Saiba eu aproveitar e estar grata pelo balanço. E deixar este negrume feito névoa passageira para trás.

*

P.S.1 - 19:00h O Nuno toca piano lá dentro. Em dia muito inspirado. Toca Yann Tiersen.

P.S.2 - 19:00h  Não esqueci de ter agendado uma cronologia do coronavírus. Ela aparecerá. Não sei quando, mas virá.

P.S.3 - 23:00h Estou chateada comigo por ter escrito 'imaginas-te' em vez de 'imaginaste' no post 'Corridinho'. E este é o tipo de coisas miúdas que pode mudar fortemente a minha disposição.

José Gomes Ferreira

por Isabel Paulos, em 03.06.20

IMG_20200603_142121.jpgJosé Gomes Ferreira, Luar Azul - Província, Poesia III.

 

IMG_20200603_141854.jpgJosé Gomes Ferreira, A Poesia tem pés de terra - Cinzas, Poesia III.

*

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Este livro de Poesia foi uma das grandes companhias entre 1988 e 1990. Interrompi aulas para ler versos soltos, com o beneplácito de uma das duas excelentes professoras de Filosofia que tive. Chamava-se Ângela (ou seria Eunice?) qualquer coisa e queria que a filha se chamasse Penélope. Só podia ser uma boa pessoa. O livro não era meu. Mas ao fim destes anos todos foi-me dado.  Bom livro à leitora retorna.

Paris

por Isabel Paulos, em 03.06.20

Nos jardins da Eiffel.jpgNa base da Torre Eiffel, Maio de 2005.

Ronda da manhã

por Isabel Paulos, em 03.06.20

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O senhor presidente baralha-me. As comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio deveriam ter sido de outra forma? Sim. A Assembleia da República esteve bem? Sim. Dou o nó com estas afirmações contraditórias. Tudo é ilusão. O que vale é que assento os olhos neste artigo e começo a cair mais na realidade. Ele há vidas e vidas e algumas são mais ricas e ferazes do que outras. E, por falar noutras vidas mais previsíveis, cá temos as habituais artimanhas no que aos tribunais diz respeito. Naturalmente o juiz em causa é um justiceiro, como todos os que levam as acusações por diante, não as desfalcando de todo o material de prova que possa vir a conduzir a uma pronúncia. E ao desplante dessa gente inoportuna que faz perguntas incómodas há que responder com o silêncio, pois claro. Mais óbvio e calculável não poderia haver. Ainda por cima logo hoje que valores mais altos se levantam: recomeça o campeonato e já é conhecida a lista dos cinco candidatos ao Nobel da Literatura.

Ricky Nelson - Travelin' Man

por Isabel Paulos, em 03.06.20

Morte pela Água

por Isabel Paulos, em 02.06.20

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T. S. Eliot, A Terra Devastada.

*

Tal como na pintura, também na literatura temos infindos cantinhos dedicados ao tema espalhados pela internet. Sempre podemos saber um pouco mais dos autores e obras. Hoje li esta análise a propósito poema fotografado. Graças ao famigerado Mr. Google. Abençoado seja.

Passear

por Isabel Paulos, em 02.06.20

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Vamos a Toledo?

Bom dia

por Isabel Paulos, em 02.06.20

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*

Bons motivos para a campainha da porta tocar pela manhã. :)

*

Pode parecer que não tem nada a ver, mas quando vi esta menina com o violino, lembrei-me da música de Chico Buarque Morena de Angola/Que leva o chocalho amarrado na canela/Será que ela mexe o chocalho/Ou o chocalho é que mexe /com ela. Neste caso, é a moldava-suíça-austríaca que leva o violino amarrado no pulso.

Amadeo de Souza-Cardoso

por Isabel Paulos, em 01.06.20

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Amadeo de Souza-Cardoso2.jpgAmadeo de Souza-Cardoso, Museu Calouste Gulbenkian.

1.Entrada2.Máquina registadora3.Título desconhecido.

4.Procissão Corpus Christi5.Cozinha da Casa de Manhufe.

*

Há momentos e registos que valem a pena. Melhoram a nossa vida exponencialmente. Existem inúmeros espaços virtuais onde se podem ver obras de arte e aprender sobre elas. A par das visitas aos museus, ter possibilidade de ir descobrindo as obras que se foram vendo ao longo dos anos, tranquilamente em casa, é um dos maiores luxos da democratização trazidos pela internet.

Se tiverem pouco tempo, escolham o Entrada e percam dois minutos a ler a descrição do quadro. Pode ser que se surpreendam: quem diria que as artes plásticas podem ter intriga e espionagem incorporada? Sei, muitos diriam e sabem. Mas não deixa de ser curioso.

A paisagem

por Isabel Paulos, em 01.06.20

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Dia 1

por Isabel Paulos, em 01.06.20

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Venham os novos dias. A nova vida. Hoje nem queres saber das injustiças do mundo, nem das certezas, nem das mentiras. Nada. Sonhaste com duas crianças a brincar e uma pequena árvore bem verde e alegre. A semana começa bem, o mês começa bem. Tudo quanto precisas.

Bom dia. 

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