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Chico Buarque - Geni e o Zepelim

por Isabel Paulos, em 09.07.20

 

Passear

por Isabel Paulos, em 09.07.20

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Vamos ao Negage?

A urticária a Rita Rato

por Isabel Paulos, em 08.07.20

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Sobre a nomeação da ex-deputada Rita Rato para o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade queria deixar o registo do quão divertidas e ridículas são algumas reacções  para quem vai observando o país real nas últimas décadas. Não me refiro a bons textos a denunciar mais uma nomeação de alguém sem competência para o cargo, por pessoas que sempre estiveram do lado da liberdade e que pautaram a vida pelo respeito dos valores democráticos e da igualdade. Mas aos que só acordam – ou fingem acordar – para estes princípios por oportunismo ou diversão.

Refiro-me a alguns jarretas de hoje e jovens dos idos setenta e oitenta, que simpatizavam ou militavam em partidos de extrema esquerda. E não a todos - alguns havia que lá estavam por acreditarem num Portugal mais justo e tinham razões várias face à realidade que os viu nascer -, mas apenas àqueles cuja adesão ao discurso e aparência de esquerdista funcionava como adereço in para singrar no seu tempo. Gente que foi vingando a roçar-se entre conhecidos partidários e nomeações para lugarzitos em instituições públicas ou da governação. E que uma vez entrada na meia ou terceira-idade revelou o seu primitivo e natural cariz reaccionário, sobretudo por ter chegado o tempo em que não precisa de disfarçar. Afinal ser pseudo-conservador confere certo pedigree. A estes indivíduos oportunistas não há como reconhecer idoneidade para criticar a ignorância selectiva de Rita Rato.

Noto também neste tipo de homens (normalmente são homens) a tendência para serem mais críticos e exigentes quando os (mal) nomeados são mulheres. É que ainda que se façam apreciações negativas a homens designados por motivos alheios à seriedade, ao conhecimento e à competência, normalmente esses remoques não são tão vexatórios. Às mulheres humilha-se, como se não faz aos homens. Talvez seja uma questão de tiques. A ex-deputada Rita Rato não é conhecida por beber bons vinhos e gostar de boas almoçaradas, fumarolas e futebol. Nem por se comportar na sua vida como uma tiranete. Se fosse homem com este tipo de postura e citasse passagens de autores em voga talvez nem reparassem que nunca tinha lido nada sobre Gulag e a nomeação passasse despercebida por ser mais uma entre os amigalhaços do costume.

Passei a vida a temer ou mesmo recusar lugares de maior responsabilidade por não me achar capaz ou preparada, e também por isso nunca saí da cepa torta. Sou contra as quotas. Detesto ver mulheres a fazer má figura e encho-me de orgulho quando as vejo brilhar por saber o quão difícil é num país onde mandam os homens. Mas bem vistas as coisas nem sei bem se não será boa uma nomeação como a de Rita Rato. Talvez seja a maneira da comunista aprender alguma coisa e afinal entre centenas de nomeações de tiranetes masculinos, corruptos, ignorantes e incompetentes, haja mulheres nomeadas. Afinal no que parece estar tão errado pode estar o acerto e, no futuro, os filhos dos outros – porque os não tive – vivam num país mais justo para as mulheres.

Verdes - Couves

por Isabel Paulos, em 08.07.20

Ontem foi um dia difícil de trabalho. Não deu tempo para escrever. Logo ontem que comi caldo verde ao almoço e fiquei cheia de vontade de falar na couve-galega. Bem vistas as coisas não sabia muito bem o que dizer. Mas basta puxar pelas recordações e talvez comente que conheço a planta desde sempre. De tal modo que me lembro de ser do meu tamanho. Não sei se muitos dos que a compram esta couve (brassica) nos mercados têm noção de que o pé da menina tem amiúde um metro de altura. Lembro-me de arrancar as folhas à altura da minha cabeça e ir dar às galinhas e aos patos. Sim porque estas plantas, além de acabarem em óptimas sopas, são alimento essencial da bicharada e, por isso, também se chamam forrageiras.

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Imagem daquiPodem aprender sobre a couve-galega aqui.

 

A maioria dos australianos nem coloca a hipótese de trazer à mesa as deliciosas nabiças, que considera tão simplesmente alimento dos animais. Que desperdício. Logo nestas outras brassicas em que tudo se aproveita. Começando pelo nabo - a raiz -, que ainda não aprendi a gostar mas lá chegarei; é tudo uma questão de idade. Em criança não apreciava a folha – a nabiça -, e hoje pelo-me pela textura áspera e gosto acre que dá à sopa, apesar de nunca mais ter voltado a comer tão boas como as experimentadas em mais nova. Das duas uma: adulteraram a planta ou os cozinheiros perderam a mão. Valham-nos os grelos – a inflorescência da planta -, bem confeccionados na maioria das vezes, talvez por ainda estarem na moda culinária.

 

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Imagem daqui. Podem aprender sobre o nabo e nabiças aqui

 

Mas a rainha das couves (a rivalizar com a penca no Natal) é a da primeira fotografia. Talvez por ter crescido a ver segar (termo que nunca mais ouvi) a corriqueira couve-galega para o excelente e ligeiramente amargo caldo-verde do almoço de Domingo. Cortar fino e depois de retirar bem o caule e os talos. Coisa que quem prepara as folhagens para as sopas disponíveis nos supermercados não faz. É bom que se diga: aquela coisa de andar a comer talo fatiado de couve-galega ou pé de agrião estraga o prazer de saborear, sobretudo no último, o seu creme suave.

Por fim e voltando às galinhas, outro apontamento importante é notar a diferença entre um ovo de galinha que come verdes ou apenas milho e farinha. Aqueles ovos amarelo pálidos sem sabor relevam pobres galinhas que enfardam farinha, já os laranja vivo com paladar forte denotam galinhas que picam e se alimentam de verdura (tal como casca de fruta). E por falar em ovos, conhecem o sabor de ovo de pato? Muito diferente: tem travo de ave selvagem, distinto do da galinha. Experimentem.

E foi este o momento verde de hoje nas Comezinhas. Matérias que importam.

O Livro de Shang Yang

por Isabel Paulos, em 07.07.20

Digam lá se lendo este capítulo d’ O Livro de Shang Yang, não notam a fonte de inspiração das governações socialistas? Tal e qual: há-que enfraquecer o povo. «Sendo fracos são submissos à lei; sendo licenciosos, permitem que a ambição vá longe demais.»; (...) «Logo, ao fortalecer as pessoas, o estado tornar-se-á duplamente fraco e perece.»

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O Livro de Shang Yang.

Passear

por Isabel Paulos, em 06.07.20

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Uíge.pngVamos a Uíge (Carmona)?

Irritações

por Isabel Paulos, em 06.07.20

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Apesar de reconhecer que cometo vários erros gramaticais (alguns graves) e que todos os dias me encho de dúvidas ao escrever, não deixo de notar nos maus usos da língua portuguesa. Por mero preciosismo de educação ou vivência tenho, como todos nós, irritações de estimação. Manias. Começo hoje por contar uma delas.

Fico de pêlo eriçado quando oiço ou leio alguém "meter o livro em cima da mesa", "meter nomes estrangeiros aos filhos" ou pérolas do género. Já não digo para colocarem por poder parecer pretensioso, mas por amor de Deus: ponham. O verbo pôr existe e é para ser usado. Creio que a explicação para o uso abusivo e grosseiro do verbo meter está no facto desta nova geração que perora na televisão e nas redes sociais ser filha dos que nos diziam há trinta anos que quem põe são as galinhas. E pronto, estamos nisto.

*

Adenda: grata a quem avisou da falha 'oiço o leio'. Já emendei.

Ennio Morricone

por Isabel Paulos, em 06.07.20

Não gosto nem costumo escrever no momento da morte de alguém. Mas hoje doeu. Para terem a noção do apreço que cá em casa temos por Ennio Morricone, o Nuno tem guardados mais de duzentos títulos. Julgo que é o compositor que mais ouvimos. O gosto e admiração é de tal forma vincado que um amigo meu trata o Nuno por Ennio. Agora nada mais interessa, senão ouvi-lo e ouvi-lo sempre. É magnífico e a sua prodigiosa e bela herança está disponível a todos. Para sempre.

O extensão do artigo da Wikipédia demonstra a dimensão do homem. Há vidas assim: incomensuráveis.

Caruso

por Isabel Paulos, em 05.07.20

Podem ouvir aqui, cantada por Lara Fabian.

Se preferirem ouvir no violoncelo de Hauser, aqui está.

A vida não é só viço

por Isabel Paulos, em 05.07.20

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Quem aponta o cume da pirâmide por lá viverá, mas a quem aponta o céu restará sempre a companhia e compreensão das estrelas, ainda se no chão tombado.

Passaste a vida a desejar o céu e a viver com a mais terrena das realidades. Toda a vida te foi estranho o cálculo e a sensação de olhar d’ alto. Nunca te atreveste a tutear o cimo e contar com obediência da base. Nunca tomaste o topo como a tua casa de pleno direito e nada te impediria de fazê-lo. Seria, aliás, o suposto, não fosse a tua natureza imperfeita e consciência dela. Bendita imperfeição, que te aproxima de gente com vidas desventuradas. Amizades que te recheiam os dias não de brilhos e certezas, mas de humanidade. A vida não é só viço, pensas tantas vezes. Acreditas na beleza do erro. Enternecem-te os tropeços do caminho e a luta pela sobrevivência. Sabes que grandes homens e grandes mulheres se escondem nas sombras e redemoinhos de vidas improváveis e esquecidas. Comoves-te ao encontrar num emigrante português - que, para se desfazer de dificuldades provocadas por más decisões do passado dá banho a velhos dementes ingleses, serve num restaurante indiano, ou faz entregas de comida -, um amigo que ora devaneia com o fulgor de Bonaparte, ora com as inquietações de Lobo Antunes ou delírios biográficos do tenor Enrico Caruso. Sentes orgulho em ter a companhia de amigos assim, com quem aprendes e te fazes melhor.

Talvez por isso, o discurso bem articulado e quadrado de quem desconhece os cambiantes dos verdadeiros cavalos-de-batalha não te emocione. São fáceis de identificar as proposições debitadas do alto do conforto material e mental. Dás por escritos bastante intelectualizados nos quais não sentes ponta de alma. Quantos discorrem nas ideias e nos argumentos como se a palavra não fosse mais do que um florete, desconhecendo o calafrio de esgrimas fulcrais e renascimentos sofridos após estocadas quase fatais. E já não é de retórica que falas por oposição ao discurso lacónico da acção, por teres aprendido que a vida é feita de dualidades e ambos podem ter cabimento na razão. É de conhecimento e humanidade. E de não confundir intelectualização com palavreado insensível.

Keiko Matsui

por Isabel Paulos, em 04.07.20

Reino Unido

por Isabel Paulos, em 04.07.20

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À porta da Biblioteca (Bodleiana) em Oxford, Julho de 1990.

Chico Buarque - João e Maria

por Isabel Paulos, em 04.07.20

Arrepia a doçura.

Aqui mais velho e despojado, e sempre terno.

Bom dia, bom fim-de-semana.

Ainda a TAP

por Isabel Paulos, em 03.07.20

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Na sequência deste post matinal, só mais três notas sobre as negociações da TAP. 

A primeira relativa à alegação de que a bancarrota da TAP provocaria falências de várias empresas e despedimento de muitos trabalhadores ligados à operacionalidade da companhia.

Não precisam encomendar estudos a consultoras, mas talvez já tenham ouvido falar em mercado. Presumo que as companhias que ocupariam o lugar da TAP nas suas rotas teriam que ter o mesmo suporte, apoio e serviços e que, ao menos em parte, esse poderia ser assegurado pelos mesmos trabalhadores e empresas.

A segunda para lembrar que se a ideia é emagrecer a TAP, as consequências nefastas acima referidas irão verificar-se de igual modo, com a agravante do Estado financiar o vazio (e estou certa que generosamente). O Estado português é perito em financiar aquilo que não é económica e financeiramente viável. Ou seja, não se evita, mas sim agrava o perigo que se pretende precaver.

A terceira e última relativa ao discurso aparentemente suave do ministro. Se por um lado, condescendente, entende os portugueses desconfiados por ganharem pouco e estarem a passar por dificuldades, por outro ataca delicadamente os comentadores que questionam a operação.

É bom que quem está no Governo saiba que, apesar de ter oposição, comunicação social e população por conta, ainda há alguns portugueses bem conhecedores dos modus operandi do PS quando se trata de calar as vozes discordantes. O tom mais cordato e diplomático do actual Governo – em comparação com o animal feroz – não ilude quem conhece a tendência para descredibilizar e calar os que questionam a acção governamental.

Passear

por Isabel Paulos, em 03.07.20

Cabinda.pngVamos a Cabinda?

*

Tenho saudade dos tempos em que se via o mundo nos jornais. Dos tempos em que havia reportagens sobre países, cidades, aldeias, populações.

Agora, a cada dia que passa e mesmo antes da pandemia, salvo raras excepções, só vejo futebol ou a fuça do Trump e congéneres, a tromba de manifestantes tontos enfurecidos, a fronha de políticos, educadores do povo e artistas vários, todos a entrar ou sair de conferências, reuniões, aparições e o diabo que os carregue.

Notícias do mundo e de gente banal praticamente não há, salvo se for a propósito da covid-19. E se pensar bem, também não há notícias de Portugal. O mundo parece ter-se esfumado dos jornais. Agora só há cenário e protagonistas.

A moleza do Povo

por Isabel Paulos, em 03.07.20

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Faço novo exercício hoje: dizer o essencial sem recorrer a ligações às notícias. Sem a rede dos factos dos jornais – e das habituais extrapolações. Para além da revolta contida sempre presente, encolho-me envergonhada com os nossos políticos e população de onde germinam. Abespinhada, como já fiz notar nas Comezinhas, com a tão previsível intervenção na TAP comparável à do Novo Banco (ou outras que se avizinham), apesar do benigno romance da defesa da companhia de bandeira a tratar de modo diferente dos gananciosos dos bancos. Fazem-me ter vergonha de ser portuguesa. Não haja dúvida que a TAP é a companhia de bandeira, aquela que bem retrata o português lorpa que pagou os prejuízos de quarenta anos de má gestão principescamente remunerada. Ao que parece não deu prejuízo dois anos. E a lírica associada é a de que temos que pagar para assegurar a nossa vocação universalista. Para este efeito já não somos perigosos esclavagistas a abater.

A ideia de que há decisões sem dor, que se pode cortar o mal pela raíz sem provocar males menores, eterniza as piores das soluções. As que nos perpectuam na pobreza de bem materiais e de carácter. Mais uns meses, pegarei num papel e lápis e farei aqui uma conta de somar à moda antiga, daquelas com as rúbricas sobrepostas em coluna, com uma linha e um total. Sempre quero confirmar se tínhamos razão quando dissemos há semanas que os próximos 25 mil milhões de euros da Europa vão ser absorvidos pelos sumidouros costumeiros do Estado. E para todos eles haverá explicação lógica e razões humanitárias de fazer chorar as pedras da calçada. As televisões ficarão condoídas e as redes sociais e o povo comovidos.

É, aliás, sintomático que o negociante do dossiê da TAP seja um homem que chora ao falar – no mesmo tom de voz do ex-primeiro ministro Santana Lopes. Na verdade quem deveria chorar era o País feito de pequenos comerciantes e empresários e de trabalhadores, vendo milhares de outros profissionais fugir aos impostos e congeminando se não deviam imitar, já que o Estado os suga até ao tutano para acudir a quem nunca corre riscos por saber que poderá sempre contar com a mão protectora das políticas desonestas, injustas e destrutivas da dignidade nacional.

Um País digno valoriza quem cria riqueza, quem trabalha, quem cumpre. Enfim, quem contribui para o bem comum. Um País de trafulhas enreda-se em medidas, decisões e políticas de meias-tintas que beneficiam quem destrói a riqueza nacional ou a delapida. Um País de trafulhas beneficia os corruptos, os inaptos e quem causa dano aos compatriotas. E arranja sempre pretexto para fazê-lo nos momentos em que, por causas conjunturais, as ajudas parecem de todo justificáveis, abstraindo das razões estruturais, que imporiam mão firme e coluna vertical.

Mas as cabeças pensantes que povoam a televisão dizem que não havia outra forma das coisas acontecerem e a população na sua proverbial moleza diz que sim senhor. Que é assim mesmo. Noto que quanto mais estão de acordo, mais estacionam o carro em segunda fila em frente das rampas de garagem ou passam à frente nas filas dos supermercados e dos hospitais, e mais desdenham de quem acha mal prejudicar os outros. Consideram inocência ou mau-feitio, afinal temos que ser uns para os outros. Já lá vão décadas do temos que ser uns para os outros. Ou duzentos anos, já perdi a conta. Séculos a dar colo à canalhice. À cauda da Europa.

*

Adenda.

É isso, Vorph. Quantos mais formos a levantar a voz, melhor. A ler aqui e aqui.

Reino Unido

por Isabel Paulos, em 02.07.20

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Casa onde fiquei hospedada em Christchurch - Bournemouth, Julho de 1990. Viagem e estada a solo. Com direito a aulas com alunos de diversas nacionalidades, deslocações a Londres e Oxford, e programação vária: rádio, cinema, teatro. O melhor dos presentes para uma miúda de 16 anos.

Léo Delibes - Sylvia - Pizzicato

por Isabel Paulos, em 02.07.20

Nota relevante: a escolha musical nas Comezinhas está, neste caso tal como na maioria das vezes, a cargo do Nuno.

Verdes - Flores campestres

por Isabel Paulos, em 02.07.20

Fumaria, Sangre de Cristo, 03 (Fumaria officinalis

Podem aprender um pouco sobre a Fumária e as propriedades medicinais aqui e aqui.

*

Longe do reboliço das ruas da cidade com trânsito, autoestrada, pontes, escolas de milhares de alunos, lojas mil, cafés e restaurantes, edifícios de escritórios, igrejas, galerias, museus e grande clube de futebol, que conhecia das sextas-feiras, alguns fins-de-semana e férias e onde viviam os avós de ambos os lados e grande parte da família alargada, como criança que viveu no campo aprendi o sossego de um espaço cheio de tempo e cresci a mexer nas miúdas flores da erva. Ora davam para fazer raminhos para dar à mãe, ora para enfiar nas casas dos botões das blusas, que acabavam sempre tingidas pelo verde do pé ou pela cor da flor. As que mais iam parar à roupa eram as completamente amarelas a que chamávamos por simplicidade malmequeres, mas vejo que o nome é senécio; estão na imagem do centro.

Senecio doronicum (L.) L. subsp. lusitanicus Cout.

A fotografia do topo é de uma das pequenas flores que, juntamente com outras, colhia em criança para enfeitar a jarra em forma de burro alforjado e que sempre acabava em desgosto ao acordar na manhã seguinte vendo-as murchas. Lembro-me do dilema ao tomar consciência de não sobreviverem, mesmo com muita água: não as devia arrancar às ervas, à sua casa. Soube agora que se chama fumária e é considerada uma planta medicinal. Na recordação tenho apenas o sentimento dúbio ao olhar para esta flor. Continuo sem saber se a acho bonita. É esquisita, não tem a forma normal, como outras também cor-de-rosa e que davam pequenos ramalhetes bem mais harmoniosos. Destas últimas tentei arranjar imagem, mas ainda não consegui. As fotografias abaixo são de flores que se aproximam, mas não são as ditas. Quando encontrar as verdadeiras trago-as para as Comezinhas.

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John Lee Hooker

por Isabel Paulos, em 01.07.20

A banda sonora desta noite.



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