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Para quem achava que as Tartarugas Ninja não serviam para nada.
Obrigada, Quino. A Mafalda está bem guardada.
Começa a ser assustador. A ideia fortuita cruza o meu pensamento como um raio: um apartamento mais pequeno. Poucos segundos depois pego no ‘telelé’ e recebo uma mensagem imobiliária: vende-se T2 xpto.
Sinto que preciso limpar os cookies e o histórico na minha cabeça. Com urgência.
Para não repetir faço apenas a ligação para os registos de 5 de Agosto - Saúde para além de Covid-19 - e de 3 de Setembro - Interlúdio.
Às duas desta madrugada há debate entre Trump e Biden.
Já não há vida para estas coisas, tal como para as noitadas dos Óscares. Amanhã o Observador e a SIC espremem o 'confronto', irrito-me e ao fim do dia estará tudo igual, sobrando apenas as pantomias que distraem a marabunta.
Já que é para entreter ao menos podiam pôr o Billy Crystal a apresentar a coisa. Seria muito mais interessante.
Escrever e viver como manda o figurino é uma sensaboria.
Em Agosto de 98, estava algures num boteco no Grand Canyon, em grupo faminto ao fim de muitas horas de viagem e de excitação com aqueles desfiladeiros rugosos e ocre de cortar a respiração, junto da minha prima E., a principal responsável pela oportunidade de ter feito esta viagem, e em casa de cujo namorado aterrámos em grupo de sete. A E. tinha descoberto nessa altura, ao fim de muitos anos de mal-estares e incómodos de saúde, que sofria da doença celíaca, e tinha a singularidade de ficar com bastante mau feitio quando estava com fome. Particularidade de que mais tarde também comecei a enfermar - apenas do mau génio esfaimado, não da celíaca.
Decidimo-nos por cachorros. Chega a vez da E., o rapaz do outro lado do balcão pergunta o que é que quer, e ela responde: um cachorro, mas só a salsicha. O rapaz olha para ela hesitante, acha que não percebeu. Insiste na pergunta. A E., cheia de fome, cara de urgência e de poucos amigos, praticamente exigiu que ele lhe desse a salsicha. Eu, claro, já me desfazia em riso atrás dela. E perante o olhar meio incrédulo meio malandro do rapaz, lá vem um prato com uma salsicha no vazio. Imagino-o ao fim do dia a desabafar à namorada: nunca me tinham pedido salsicha com tamanha violência.
Os dramas da E. por causa da celíaca já vinham de trás. No mesmo ano, mas em Londres, hospedados num hotel em Covent Garden, a E. arranjou um estratagema para conseguir comer qualquer coisa que se visse ao pequeno-almoço: ovos mexidos, basicamente. A táctica passava por descermos em dois grupos distintos (duas levas, por assim dizer) e ela integrar os dois grupos, passando despercebida. Coisa perfeitamente compreensível para nós que mais tarde conseguimos iludir o staff do Imperial Palace, em Las Vegas, e juntar sete pessoas a dormir num só quarto.
Menos sorte tivemos com a nossa incursão pelo centro de Los Angeles, para satisfazer a curiosidade de conhecer as salas de audiência dos tribunais norte-americanos, que nos habituáramos a ver nos filmes e séries. Bom, até tivemos sorte. Nessa ocasião íamos apenas as duas. Ela a conduzir, que foi sempre muito mais desembaraçada do que eu. Tínhamos sido bem avisadas pelo namorado dela, actual marido, que jamais contrariássemos uma ordem da polícia e que se fossemos mandadas parar estivéssemos imóveis. Ora, sucede que a E. hesitante em virar na seguinte a direita, me perguntou se podíamos, e eu míope e calhau como sou fiquei na dúvida, não me ocorrendo perceber que aquele sinal para que olhei era um proibido voltar a direita. Ela virou. E nem um minuto depois tínhamos as sirenes do carro da polícia atrás a mandar-nos encostar. Saem dois matulões e o do lado dela a gritar num timbre histérico de voz, por a E. ter lançado a mão ao porta-luvas (e o que nos tinham avisado em casa: quietas, nada de mexer ou ir ao porta luvas). Eu tive mais sorte por várias razões: não ia a conduzir, o polícia do meu lado era muito mais giro e falava em tom sereno. Usei o velho argumento da turista burra: não compreendo, não somos de cá, não percebemos. Ao que o agente mulato me ia dizendo que aquele sinal era uma convenção internacional. E eu sorrindo com o melhor ar de parva que conseguia e dizendo que cada vez compreendia menos, até conseguir vislumbrar também no seu rosto um quase sorriso. Deram-nos ordem para seguir sem multa nem outra sanção que não fosse aquela esfrega.
Cara de quem cai na realidade e pensa que amanhã é dia de trabalho presencial.
9. Moçambique
No início da última década, foram descobertos grandes depósitos de gás natural em Cabo Delgado. Logo, algumas empresas multinacionais propuseram a exploração. Uma empresa petrolífera norte-americana lançou grande projecto para instalação de gás natural liquefeito, cujo início de produção estava previsto para 2024.
Neste ambiente, no ano passado, Frelimo e Renamo assinaram - com cândido entusiamo no futuro económico do país - o acordo de paz.
Apesar do significativo crescimento do PIB moçambicano e da grande riqueza natural - além dos depósitos de gás natural, foram descobertas minas de rubi - e potencial agrícola dos territórios de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, estas zonas apresentam elevados níveis de pobreza das populações, constituindo pasto fértil para a pregação fundamentalista.
Em 2017 surgiram no norte do país, em Cabo Delgado, grupos islâmicos que assumem expressamente ser sua intenção substituir as autoridades seculares moçambicanas por um estado islâmico.
Em Abril último numa acção de recrutamento no distrito de Muidumbe, face à resistência que ofereceram, 52 jovens foram executados pelos terroristas.
Após 1.500 assassinatos e a deslocação de 250.000 pessoas, Moçambique pediu esta semana apoio – logístico e treino - à União Europeia para combater os terroristas islâmicos.
8. Nigéria
A imagem do país tido por potência regional – considerada país emergente - contrasta com os índices de criminalidade e corrupção. A Nigéria é conhecida pelo tráfico de droga e fraudes informáticas.
Em 2002 Mohammed Yusuf fundou o Boko Haram, uma seita religiosa que rapidamente se militarizou e transformou numa organização fundamentalista e terrorista islâmica. Há 11 anos o fundador foi morto sob custódia policial e seguiu-se o terror com mais de 30.000 mortos e dois milhões de deslocados. O objectivo desta organização é por fim à democracia na Nigéria e impôr educação islâmica em todas as escolas. Impôr a lei islâmica. O grupo recebeu treino militar da Al-Qaeda, mas Abubakar Shekau, actual líder - que tenta estender a acção da organização a países vizinhos -, prometeu formalmente lealdade ao Estado Islâmico, traindo a Al-Quaeda.
Esta semana foram mortas pelos terroristas islâmicos 18 pessoas: 4 soldados, 10 polícias e 4 civis, num ataque que tinha como alvo um comboio onde seguiam funcionários de estado. Ataque assumido pelo EI.
7. Angola
Nasci em Angola, vim com pouco mais de um ano. Lá voltei 30 anos depois por umas semanas e é-me impossível um olhar isento. Conheço entre muitos que lá nasceram e viveram, um certo desapego auto-imposto, de quem não perdoa que o país tenha caído no fosso da guerra por 30 anos, que tenha sucumbido à tirania e à corrupção - transversal ao Estado e a toda a sociedade. Que tenha prescindido de muitos portugueses que a tomavam benignamente como a sua terra, não por a colonizarem, mas por nela terem sonhado, acordado, trabalhado, almoçado, amado, feito filhos e adormecido. E talvez também por isto conheça quem tenha resolvido intimamente a ferida emocional e acredite e deseje um futuro melhor para a terra que será sempre sua, apesar da distância.
Quando dei por mim na adolescência, cheguei à conclusão que a maioria dos amigos próximos tinha nascido em Angola ou Moçambique (e os outros tinham forte ligação ao campo ou ao mar). Não nos andámos a pescar, nem fizemos inquéritos sobre as origens para nos aproximarmos. Sempre achei que tinha calhado. Hoje percebo que não há coincidências, basicamente éramos os extraterrestres lá do sítio e naturalmente aconchegámo-nos.
Histórias diferentes, cada uma por si. Havia filhos de quem tinha ido meramente fazer a comissão ou pouco mais, havia filhos de quem decidira lá fazer vida e gente que já ia na terceira geração. Por volta de 1975, antes ou depois, era uma história de destino único: a vinda para a velha, retrógrada e anacrónica metrópole. Para o ‘Enclave’. Isto nos casos que conheci de perto, outros espalharam-se pelo mundo. Destinos como o Brasil, Canadá ou Austrália foram ponderados.
Profissionalmente dou por mim a ser muito mais amistosa e cúmplice com angolanos do que com outras gentes. Não há o que lhe fazer, tocam-me na pele.
Nada em Angola me é indiferente. Quando li na semana passada que a procuradoria-geral da República encerrou vários templos da IURD, por suspeita de branqueamento de capitais, burla fiscal e associação criminosa, fiquei contente. Não desejo uma Angola com os maus vícios do Brasil.
Não sou tão lesta quanto os jornalistas e comentadores da televisão portuguesa a tirar conclusões sobre a actuação de João Lourenço, por saber que naquele país tudo tem que ser tratado com pinças. Já vi demasiadas excitações com as democratizações de basta juntar água para saber que devemos ser prudentes. Não nego que tenho esperança em João Lourenço, mas não esqueço que é um país africano com reservas de petróleo e diamantes, o que faz dele – como fez no passado - um território sujeito ao jogo dos grandes interesses internacionais e à pior sujeira. Sobre João Lourenço acrescento que há um par de anos vi uma entrevista na RTP de que gostei bastante, salvo da parte final em que falando na personalidade que mais apreciava - Nelson Mandela, o que faz todo o sentido -, referiu-se à capacidade de perdão como uma grande virtude dos africanos por oposição aos judeus, que não teriam demonstrado tal qualidade. Estou a escrever de memória, espero não estar a cometer nenhuma injustiça, mas não creio que este tipo de pensamento abone muito em favor do presidente de Angola.
Nos últimos meses soubemos que a polícia angolana a pretexto de aplicar medidas de contenção da pandemia matou sete adolescentes de bairros pobres. E este mês foi a vez de um pediatra, detido por não usar máscara, ter morrido na esquadra, depois de segundo fontes oficiais, ter desmaiado e batido com a cabeça.
Há um longo caminho pela frente a fazer pelos angolanos no sentido da democratização e no respeito pelos direitos humanos.
6. Hungria
Há uns meses Viktor Orbán postou no Facebook a fotografia na Grande Hungria que incluía partes da Sérvia, Roménia, Eslováquia e Croácia.
No esboroar do império austro-húngaro, no final da Primeira Guerra Mundial, a Hungria foi forçada a ceder dois terços do seu território: o que corresponde hoje à Eslováquia, Croácia, parte da Eslovénia e outros territórios, que passaram a fazer parte dos novos estados da Jugoslávia e Checoslováquia, da Roménia e mesmo da parceira Áustria.
De recordar que foi com justificação nesta ferida nacional desenhada pelo Tratado de Trianon, que a Hungria participou na Segunda Grande Guerra do lado dos alemães. As relações actuais com a vizinhança são de desconfiança.
Há dois meses, e numa altura em que parte substancial da comunicação social independente foi subjugada por Orbán, veiculando apenas informação debitada pelo governo, no site de notícias Index 70 jornalistas demitiram-se em bloco, como forma de protesto contra interferências e pressões dos nacionalistas.
Segundo dados desta semana da União Europeia, 20.9 milhões de cidadãos de países terceiros residem nos Estados Membros, 4,7% da população total. Num período inferior a 12 meses, os Estados Membros da UE emitiram 3 milhões de autorizações de pedidos de residência.
A reabertura das fronteiras no Verão nos Balcãs estimulou a imigração ilegal. A 14 de Agosto o governo húngaro informava terem sido detidas duas centenas de traficantes de seres humanos. Comunicava ainda que os traficantes são não só sírios, afegãos, ucranianos e romenos, mas também húngaros e alertava que quanto mais forte for a pressão das polícias, mais sobe o preço pedido aos migrantes.
5. Áustria
Em Maio de 2019, na sequência de uma moção de censura, o chanceler Sebastian Kurz, que liderava o governo de coligação demitiu-se. A causa: ‘Ibizagate’. Uma gravação onde se via membros do outro partido da coligação – o ultranacionalista FPö, -, a prometer adjudicação de contratos públicos em troca de apoio financeiro russo.
Após as eleições Setembro de 2019, o PP de Sebastian Kurz volta a ganhar, mas desta vez forma governo com os Verdes.
4. Brasil
A Terra de Vera Cruz constava da minha lista inicial de países a espanar. Mas desisto. Não há penas que lhe valham. Os brasileiros que se eduquem e, em vez de atirarem pedras ao telhado do vizinho, aprendam a ser mais exigentes com os seus políticos e governantes. Talvez venham a ter mais sorte, se baixarem a grimpa e perceberem que precisam de respeitar regras e aprender alguma coisa com os velhos estados.
Após escrever o último parágrafo tocaram à campainha. Era o entregador do Continente, brasileiro. A simpatia e delicadeza fizeram-me engolir em seco e repensar o que escrevi. Mas fica. Fica até pelos milhares de brasileiros espalhados pelo mundo, que trabalham a sério e que ambicionam vidas normais e decentes, que não conseguem ter na sua terra. Converso com eles nos cafés, no cabeleireiro, na Uber. Mereciam um Brasil melhor, que não os envergonhasse. Onde não tivessem medo de viver.
3. Peru
O tentáculo da Odebrecht não só atravessou o Atlântico, como foi beijar o Pacífico. O ex-presidente do Peru, Pablo Kuczynski, foi condenado o ano passado a pena de prisão, por lavagem de dinheiro e pertencer a uma organização criminosa. Já o presidente actual, Martin Vizcarra, enfrentou há dias um processo de destituição (falhado) com base da acusação de manipulação de testemunhas num inquérito por suspeita de corrupção.
Com governantes com preocupações tão abnegadas é normal que não sobre tempo para criar e manter um sistema de saúde acessível à generalidade da população e que o Peru tenha sido referido no mês passado como o país com maior taxa mortalidade por Covid no mundo. Hoje contabilizava 32.037 mortes. A corrupção é uma das maiores causas de subdesenvolvimento, só varia em grau de país para país.
Entre 16 de Março e 30 de Junho 900 mulheres e meninas foram dadas como desaparecidas (e julga-se mortas) neste país que tem um dos maiores índices de violência contra as mulheres. São 900. Cerca de metade das mortes por Covid em Portugal. A questão da violência sobre as mulheres não deve ter tido direito a atenção dos governantes e ao correspondente investimento público. E não digo que deveriam abrir jornais por estar convencida que, como nos suicídios, a exposição de informação sobre o assunto incentiva os potenciais agressores ao crime. Como é sabido, os criminosos, tarados e dementes excitam-se com o sofrimento alheio.
2. Venezuela
Ao dizer o quer que seja sobre a Venezuela há-que fazer um preâmbulo basilar: no início da década contabilizavam-se 400 mil portugueses e mais de um milhão de luso-descendentes. É quanto baste para que os nossos governantes e partidos com representação parlamentar prestem atenção. Seria bom que os representantes da ala mais à esquerda deixassem de viver no mundo da fantasia e percebessem que a sua responsabilidade, como portugueses, é defender os interesses dos seus compatriotas. Para quem nasceu no que se chamava ultramar, escrever isto é chover no molhado, mas fica o registo para ao menos perceberem que não nos comem por lorpas.
O maior drama da Venezuela é ter uma das principais reservas de petróleo. E dito isto escuso-me a explicar o caminho da crise. É só replicar o que se passou ou passa com os países de petróleo por esse mundo fora. É tiro e queda: crise petrolífera, crise económica, crise financeira, crise institucional, crise humanitária e para os menos bafejados, a guerra. Nem me dedico a explanar sobre quão nefasta é a influência comunista no regime actual.
O que mais interessa realçar é que o país vive sob uma ditadura de um louco. A população vive mal e sem liberdade. Hoje soubemos que largas zonas de Caracas estão sem electricidade, como há uns dias soubemos que faltava água e há dois anos percebemos que, com a inflação, um quilo de carne ou um pacote de sabão em pó custavam mais do que um salário. Funcionários do estado, meios de comunicação governamentais e organismos de segurança dedicam-se a atacar páginas da internet de organizações dos direitos humanos (e sim, sei também que estes não são uns puros).
1. E.U.A. (China, Reino Unido e Portugal)
Enquanto a comunicação social se entretém com mais uma novela de Trump que dramatiza, como gosta, a possibilidade de impugnar os resultados nas próximas eleições, caso Joe Biden (ou Kamala Harris?) ganhe, e com a reacção da China à acusação de responsabilidade pela ocultação de informação do foro científico relativo à pandemia, várias questões importantes da política externa se colocam, entre elas a do comércio digital.
Entre os governos britânico e norte-americano tem-se discutido o poder regulador (e sancionatório) sobre os conteúdos online. Se para os britânicos as plataformas devem ser responsáveis perante os usuários, protegendo-os de conteúdo prejudicial, os norte-americanos tentam evitar as medidas restritivas dos governos estrangeiros sobre as suas gigantes tecnológicas. Em matéria de partilha de informação joga-se entre o fluxo livre de dados e a protecção de localização e de dados.
O tema mais sensível é, por motivos de segurança nacional, o da Huawey. Dado que o Reino Unido conta com a empresa no desenvolvimento da tecnologia 5G equaciona-se o perigo de ser criada uma infra-estrutura que permita a vigilância pelo governo da China. E, logo, fica em questão a partilha de informação com os Estados Unidos, atento o medo de que a Huawey aceda a dados confidenciais.
Nos últimos tempos o problema tem-se colocado a todos os países europeus, surgindo nalguns como uma escolha entre os Estados Unidos e a China. E ainda hoje tivemos ecos por cá, com o aviso de que se o governo permitir a introdução da nova tecnologia 5G pela chinesa Huawei em Portugal ou entregar a construção do novo terminal de Sines à China, será feita uma revisão dos acordos de defesa no âmbito da NATO e da troca de informação classificada, no primeiro caso, e acabará a distribuição de gás natural americano, no segundo caso. Neste contexto, percebe-se que se fale em nova Guerra Fria.
Aqui sossegada entre a música, as leituras e os apontamentos, apetece-me tanto um cigarrinho. Hum. Mas não pode ser, ainda só passaram 5 anos desde que deixei de fumar. Faltam mais 35 para poder voltar a acender outro cigarrito. Pena.
A intenção de espanar o mundo está a dar trabalho. Seleccionei 20 países e ainda não saí das leituras sobre o primeiro.
Agora, e como tinha prometido, compete-me fazer a ronda pelo mundo. Nos próximos meses possivelmente estarei ocupada demais para passar uma tarde na busca de informação relevante sobre o que se passa pelo mundo fora. Na verdade se aproveitasse bem o tempo, poderia acompanhar as notícias de modo mais sistemático. Mas qual quê? Habituei-me desde criança a deixar-me ir em liberdade nos meus pensamentos e é nisso que mais gasto o tempo livre - depois de escrever esta última palavra, constatei que afinal não estarei assim tão errada.
Resta, então, aproveitar este fim de férias e tentar com algum método passar o espanador pelo planeta. Isto das limpezas domésticas tem alguma sabedoria: há-que dividir o espaço em departamentos e corrê-los de enfiada. Sem ter a menor noção do que vou escrever a seguir, só tenho duas intenções: começar as pesquisas de oeste para leste e usar o Google e o Bing - coisa que toda a gente faz, apesar de muitos se arvorarem em sábios dispensados do uso de tais métodos menores e com o direito a achincalhar os novos peritos do Google, tratados como conhecedores de algibeira.
É confrangedora tanta dissimulação. Uma coisa é criticar a incapacidade de seriação dos factos, atoardas e encomendas, outra completamente diferente é insurgir-se contra a utilização do instrumento de pesquisa que traz, como um arrastão, lado a lado com toneladas de lixo, o peixe precioso que alimenta e algas e corais que embelezam a vida. Já vimos isso com a rádio, o cinema e a televisão. Nada de novo.
Se me perguntarem para que faço esta ronda pelo mundo, responderei que é pela mesma razão que procuro saber, de quando em vez, as venturas e desventuras dos amigos e familiares menos próximos. Há sempre alguém que faz as vezes de entreposto de informação e nos conta como estão os amigos, primos e os tios: um precioso Google humano que nos relata as vidas que nos interessam.
Há quem fale na necessidade de nos recentrarmos e nos focarmos no essencial. Parece-me sempre conversa tonta sobre alinhar as agulhas às nossas misérias e egoísmos. Para me encontrar preciso essencialmente de saber como está o mundo: das maleitas, movimentos e alegrias. Em suma, preciso saber como estão os meus primos.
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