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Oblivion · Michel Camilo · Tomatito

por Isabel Paulos, em 23.11.20

Provérbios e expressões idiomáticas

por Isabel Paulos, em 23.11.20

 

A boca do bajulador é um sepulcro aberto.

 

As Velhas Paredes

por Isabel Paulos, em 22.11.20

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E volto à carga. Já cansada, exausta.

Oiço e leio a ladainha e os pregões da falsa moralidade em muito do que é dito e publicado. Como previsível os aduladores fazem o trabalhinho de espalhar a palavra dos situacionistas cabecilhas: é preciso desacreditar quem tem um discurso divergente e tem possibilidade de mudar para um pouco melhor o nosso País – apesar de todos os defeitos e perigos que cada visão comporta. Sabem que vivem e comem da mediocridade dos interesses instalados e esforçam-se na retórica, arte em que são quase imbatíveis. Querem inculcar na ideia da opinião pública que são valores civilizacionais que estão a ser postos em causa e armam-se em seus grandes defensores. São fáceis de identificar: foi observá-los ao longo das últimas décadas a trepar como hera a pirâmide social agarrados aos lugares, aos amigos que interessam. Foi vê-los calcar todos quanto serviram de degrau e desprezar todos quantos não contribuíam para o seu sucesso. Foi vê-los desdenhar ao longo dos anos dos grandes senhores do País, ao mesmo tempo que se aproximavam, imitando-lhes os hábitos e trejeitos. Tentando mimetizar o gosto e as ideias. Fazendo com que os seus filhos se cruzassem com os filhos desses mesmos a que antes chamavam grandes senhores e hoje chamam amigos de sempre. É o ciclo da vida em democracia. A expansão do pedigree.

Mais difícil é expandir a decência: a inteligência e sensibilidade. A verdadeira, não aquela que se aprende a dissertar – ou passar a imagem de possuir -, por se ter lido uns livros ou observado em pessoas nas quais se pressente valor, mas nunca o suficiente para as colocar ao nível de uma discussão intelectual válida. Consideram que lhes falta a lucidez. Pobres de espírito que traduzem lucidez por ambição e ganância. A decência é parente pobre da retórica e, como advém do carácter e não do interesse, pode ser encontrada tanto no amo como no servo, mas nunca em pulhas calculistas.

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 22.11.20

 

Volto a publicar o postal de Abril último.

*

O calhau

por Isabel Paulos, em 28.04.20

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Naquela pequena aldeia perdida do universo todos acreditavam que a pedra caída do céu era amaldiçoada. Desde que irrompera da abóbada celeste, rasgando a atmosfera e enterrando-se a meia altura no solo com estrondo ensurdecedor, era tomada por todos como causa única dos problemas dos aldeões. Todos, desde os grandes dramas aos mais pequenos dissabores. A rocha não fizera mais do que existir, como todas as outras pedras ao longo dos milhões de anos do universo: existir e despegar-se do resto da matéria, o que aligeirando as coisas é criar vida. Calhou ser ali e calhou ser um calhau. Só que os aldeões não viram ali vida, mas morte. A morte das batatas. O início de toda a tragédia. O facto é que os reais estragos foram pouco além da mata fanada de pinheiros e eucaliptos, da leira de batatas e da horta do tio Venceslau. O pedregulho, a que ele chamava casa da música, por ser a coisa mais parecida que viu numa ida ao Porto com o absurdo que caíra na horta, tinha a dimensão da dita e o mais que criara, além de todo o alvoroço, fora a impossibilidade de acesso às batatas. E ao cebolinho, e à alface, ao feijão-verde, às cenouras. Enfim, uma infinidade de coisas que o mundo para lá da tabuleta que diz Lama não vê senão no supermercado, na despensa ou no frigorífico.

Mas se o problema não era de grande monta senão para o tio Venceslau que ficou sem rendimento, o caso agravou-se quando a Julinha, que distribuía o pão pelas aldeias em redor, espalhou a notícia da maldição da Lama. Dada às bruxarias, a Julinha asseverava que numa noite de nevoeiro foram avistadas almas penadas em redor da pedra e que na manhã seguinte a terra que a rodeava começou a amarelar, transformando-se em areia, como aquela que o tio Venceslau tinha visto na Foz do Douro. E que a Julinha em nova também vira nessa coisa das praias. Nas quais, apesar de não viver assim tão longe mar, há anos não botava os pés. Ainda assim estranhava que ali, logo naquela terra tão farta em água que todos queriam drenar e afastada do mar salgado secasse de forma tão repentina. De tal forma que, algumas noites depois, vira peles das cobras largadas na superfície da pedra. Elas conhecem o seu senhor, dizia a Julinha. As serpentes rendem-se sempre ao diabo.

Começando a correr o boato que a terra da Lama era seca e fora amaldiçoada desde que lá caíra o pedregulho, as aldeias vizinhas começaram a cavar um fosso nos seus limites. Um sem-número de questiúnculas sobre a propriedade dos terrenos e as marcações do território da freguesia foram levantadas, ao ponto do Casimiro abrir a cabeça com a sachola à tia Jacinta, por lhe roubar três metros de terra para fazer o fosso. E foram elevadas a grandes questões de discussão outro sem-fim de bagatelas sobre os melhores métodos de construção e financiamento da vala. Assim ficou cercada a Lama apenas unida ao resto do universo por uma ponte dissimulada por uma benemérita da aldeia contígua para que levassem gasóleo até à Lama ou de lá saísse algum aldeão doente para o hospital. Sucede que a artimanha da benemérita Ana, uma espécie de ponte levadiça feita de um reboque de tractor que se estendia até à outra margem, foi denunciada por zelosos vizinhos e logo incinerada em sinal de total repulsa pelo crime lesa-majestade de pôr em risco o resto do universo.

De imediato alguém propôs levar a questão ao tribunal da cidade. Decorria o julgamento e já a acusação contra a Ana era a de ter trazido para o lado de cá do universo a secura amarela da terra. Fotografias fizeram prova. Imagens de areia nos campos da Ana, junto ao local onde estacionara o tractor com o reboque. Vejam, ainda há marcas dos rodados. Vejam, vejam, aqui estão as marcas do ultrajante tractor, perorava o advogado das vítimas, que se tinham constituído como assistentes depois de formarem a associação dos lesados da Ana. Do outro lado, o estagiário defensor oficioso da benemérita trouxe dezenas de fotografias que provavam cabalmente que toda a terra do concelho se tinha amarelado e feito areia em data muito anterior ao engendrar da ponte encoberta e até do próprio fosso. Mas a prova foi considerada nula por não haver registo de autorização das imagens por parte dos proprietários das terras fotografadas. Ora é sabido que isto das leis é assunto muito sério e há valores intransponíveis como o direito à imagem das terras.

A dactilografar os testemunhos das longas sessões de julgamento estava a Joana que era prima da cunhada de um repórter da televisão. Ao contar-lhe a história, logo o dito achou que tinha encontrado o filão da sua vida. E tinha. No dia seguinte, o jornal do canal de televisão para que trabalhava abriu com a fronha ainda espantada da Ana acompanhada pela leitura sibilada do pivot: mulher de cinquenta e quatro anos acusada de propagar a desertificação do concelho de Ribeira da Fraga aguarda sentença. E lá estava o repórter a entrevistar toda a vizinhança da famigerada benemérita malfeitora, incluindo o primo da Julinha, que era nascido e criado na Lama, mas para aqui tinha vindo viver por casamento. O ambicioso repórter quis saber mais sobre a pedra amaldiçoada. Pediu ao primo que ligasse à Julinha e lhe passasse o telefone. E assim foi.

Sucede que a Julinha, tal como parte substancial dos aldeões da Lama, tinha ensandecido com o correr dos meses, farta do estafermo do fosso e de ninguém se dignar sequer a telefonar mesmo quando nasciam ou morriam na Lama familiares e amigos de gentes de outras aldeias. E começou então alucinada a contar ao repórter que se abrira um buraco na terra duas vezes o tamanho da casa da música do tio Venceslau e que o diabo espichava serpentes e lama de fogo como um vulcão daqueles que a gente vê na televisão. A lava principiou a alastrar poucos metros à volta da pedra, mas dia após dia ia um pouco mais além. O jornalista, que tinha deixado de tomar os antidepressivos por não assumir a doença, começou a ver fumo branco a surgir do lado das terras da Lama e com a excitação caiu redondo num sono de vários dias. Não sem antes enviar uma mensagem à namorada por whatsapp: avisa o chefe que vem aí o fim do mundo: depois de amarelar e se tornar areia, a terra vai arder. No dia seguinte o jornal da noite abria com a imagem da divertida fronha benemérita, que já estava por tudo, e o pivot a anunciar que o estado iria exigir em tribunal uma indeminização à causadora de tão grave crise ambiental.

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O real

por Isabel Paulos, em 22.11.20

É sempre difícil fazer perceber que cada um de nós não é barro moldável nas mãos das verdades universais. E que a dor não é democrática. Como explicar que a injustiça é cruel e real. E fazer entender que muita da conversa da superação, do domínio total sobre as nossas acções é uma ilusão própria de vidas mais fáceis. E que a facilidade às vezes dá ares de grandes trabalhos e feitos, tratando-se afinal de mera decorrência de impulsos de natureza e circunstância que pouco têm a ver com a vontade, o carácter e a acção de cada um. Sei, já disse isto trinta vezes. Mas há sempre um dia em que volta a fazer sentido bater na mesma tecla. E sorrir com a nossa própria anterior ingenuidade, quando assim também pensávamos.

Como mostrar a quem na realidade nunca se perdeu, que a vida nos dobra e subjuga de modo aleatório. Sem racionalidade ou justeza de espécie alguma. Como pedir que não nos queiram fazer à imagem de outrem. E exijam que ofereçamos o céu quando foi no inferno que nos moldámos.

The Magic Flute – Queen of the Night Aria

por Isabel Paulos, em 22.11.20

A Flauta Mágica, na Wikipédia. 

À Vossa

por Isabel Paulos, em 20.11.20

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Bom fim-de-semana

por Isabel Paulos, em 20.11.20

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Lembrete

por Isabel Paulos, em 19.11.20

Não quero atrapalhar, sei que estão muito ocupados a esbracejar contra o PSD por ponderar aceitar que o Chega viabilize uma solução de governo à direita, mas façam um rewind de quando em vez. Dá sempre jeito.

O fogo do dia

por Isabel Paulos, em 19.11.20

Não sei se errei o prognóstico e se é já nesta segunda fase que se começa não só a culpar os portugueses pela transmissão do vírus, como a denunciá-los e castigá-los. Na minha ingenuidade pensei que não haveria tão cedo lata para tanto. Mas a realidade ultrapassa sempre o imaginável.

A mensagem geral saiu da reunião diária entre Governo e Especialistas e foi ver o berreiro espalhar: uns desordeiros estes portugueses incumpridores.

Haja ao menos uma franja de gente sensata e coerente, que sabe reunir em congresso cumprindo a devida distância. Não fossem os comunistas a manter os dois metros de distância e a viabilizar o Orçamento de Estado, e onde estaríamos. Onde? Mais uma pândega.

Escrevi os parágrafos acima por ler lido notícias com títulos denunciadores dos maus hábitos portugueses em tempo de pandemia, mas a corrente do tempo já as engoliu. Agora é a vez do Presidente da República vir dizer que os portugueses têm sido exemplares. Sem sombra de dúvida. Não só têm sido exemplares como têm tido enorme poder de encaixe para aturar especialistas e histéricos.

A normalidade

por Isabel Paulos, em 19.11.20

Leio um texto com o qual não concordo. Não seria nada de mais. Há tantos. Será só mais um. Mas qualquer coisa me diz que é mesmo mauzinho. Vou investigar. Leio na diagonal cerca de dez trechos do mesmo autor. Confirmo. Escrita pobre e feita de excitações, sem reflexão e cheia de lugares comuns. Certifico-me: tem imensa saída. Tudo normalíssimo, portanto.

Dia 5

por Isabel Paulos, em 18.11.20

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As próximas restrições

por Isabel Paulos, em 18.11.20

Leia-se esta notícia sobre o escalonamento em três patamares das medidas restritivas da liberdade. E verifique-se que Loures, no segundo degrau, está a salvo. Aqui o mapa com o número de infectados por concelho.

Ainda o PSD e o Chega

por Isabel Paulos, em 18.11.20

Ontem resolvi usar o sistema de gravação da NOS e ver a entrevista a André Ventura de segunda-feira. O que vi? Um vendedor da banha da cobra com meia-dúzia de afirmações, entre elas várias verdades, envolvidas no engodo ou isco para gente descontente. Gente descontente com razões para o estar, que é coisa que em regra quem faz análise sobre o assunto, esquece. Pormenores que fazem toda a diferença.

É trapaceiro? É. Mas muito do que propala faz parte do indizível neste ambiente farsolas e delirante em que vivemos.

Mais uma vez do que vejo confirmo que não fará mal algum trazer o indízivel à tona. Responsabilizá-lo pelas afirmações, confrontá-las com os limites de decência, ao invés de o enxovalhar para manter uma falsa imagem de grande defensor dos direitos, liberdades e garantias.

Quem sai bem na fotografia? O PSD ao colocar a cláusula no acordo para salvaguardar o respeito por esses mesmos direitos. Os fundamentais.

Ao contrário do que tenho lido,  o PSD não perde com a decisão, antes pelo contrário. Não só não ultrapassou qualquer linha vermelha, a não ser a da intolerância da esquerda bacôca, como se afirma como partido de charneira, marca que tinha perdido.

O PSD vai ser engolido pelo Chega? Não, não vai. Apesar desse parecer ser o desejo de muitos que votam indiferentente no PSD e no PS, como se fossem partidos semelhantes. Ainda bem que a demarcação foi feita. Já não era sem tempo.

Tudo quanto acabei de dizer traduz o pensamento de muitos portugueses - apelidados de estúpidos por iluminados -, nem todos com vontade de o expressar.

Degradação da Democracia?

por Isabel Paulos, em 18.11.20

 

Ainda a propósito do Chega. Deixo a ligação para um postal de Janeiro último, aqui.

Georgia on My Mind

por Isabel Paulos, em 18.11.20

Pelintrice

por Isabel Paulos, em 17.11.20

Fico radiante. Não caibo em mim de contente quando vejo gente a considerar política social  (em rigor, caridade) o aumento de salários miseráveis. Coisa chata esta dos trabalhadores não renderem mais do que o suficiente para comerem sopa e rissóis. Além do mais, gente de mau gosto, a comprar roupa rasca e mal cheirosa nas lojas dos chineses. Aliás, falta de patriotismo. Traidores. Mania das reivindicações estapafúrdias, ainda levam o País à falência outra vez, esses trabalhadores preguiçosos e pelintras. O que nos vale é que temos grandes gestores e ilustres intelectuais, capazes de nos mostrarem a luz. E políticos eleitos por devotos funcionários públicos. Ah, se não fossem eles, onde estaríamos. Onde?

Dia 4

por Isabel Paulos, em 17.11.20

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Cansaço

por Isabel Paulos, em 16.11.20

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Já não chegavam as 352 vozes de intrépidos defensores dos princípios pós-democráticos e denunciadores dos fantasmas fascizantes, e eis que entre eles surge previsível, qual D. Sebastião, o menino em bicos de pés - versão Medina em pêéssedê. Não tardarão a aparecer os aduladores do comentariado a elogiar a coragem e postura. Homem de valores, homem de princípios, dirão. E é assim que a realidade alternativa e sonsa quanto baste subsiste. É assim que se permite não mudar o quer que seja que coloque em causa os perpétuos arranjinhos de interesse. Ah, o bicho papão. Ah, a tragédia da cedência ao populismo. Ah, o morte anunciada do partido. Ah, o fim da civilização. Ah, gente extremista e ingrata que não percebe quão perfeito é o mundo em que vivemos e quão necessário é preservá-lo. Um congresso, já.

Cansativo. Muito cansativo.

Verdes - Milho

por Isabel Paulos, em 16.11.20

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Podem aprender qualquer coisa sobre o cultivo do milho aqui.

 

Há vidas que só sente quem morou no campo ou lá passou tempo suficiente para conhecer o sabor das manhas e das manhãs, das massas e das maçãs, como cantam os brasileiros. O campo maior de Valinhas era no sopé da mata da casa - assim chamada por começar a poucos metros do terreiro da casa, logo rente ao muro do primeiro patamar. Não estou certa do momento exacto, mas sei que era no final da Primavera que se semeava o milho na Vessada. Antes disso, ainda nos dias de chuva, o campo era lavrado – como muitos outros mais pequenos à sua volta - com uma espécie de charrua agregada ao tractor. Era lindo ver o arado abrir a terra e mostrar as entranhas em torrões e pequenos ou grandes grumos castanho-escuros e húmidos. Era uma terra rica, e depois de lavrada e fresada ficava fofa. Em criança adorava sentar-me no tractor enquanto o trabalho decorria. Às vezes, o ferro lá enganchava nas pedras e era preciso levantar o arado ou a fresa.  

Durante o Verão a terra começava a secar, ficando mais lisa e empoeirada. Para voltar a ter um tom semelhante, o campo era regado diariamente através de fileiras de regos junto aos pés da planta. Um dia escreverei sobre o sistema de rega. São engenhos magníficos, os tradicionais métodos de irrigação das quintas. A terra ficava escurecida, mas em vez de granulada e fofa como a lavrada e fresada, assemelhava-se a uma membrana fina tipo pano de peneira absorvente. O milho lá ia crescendo e quando já tinha talvez dois palmos, plantava-se o feijão. Assim sombreado crescia junto ao milho, que servia de estaca.

No fim do Verão já o milho estava bem mais alto do que eu, a rondar os dois metros ou um pouco mais, e as espigas dentro do conjunto de folhas em forma de tulipa já amarelas e quase prontas a ser colhidas. Era a melhor época para desaparecer umas horas e estar escondida do mundo a deambular pelo campo fora, apesar das folhas cortantes. Na ponta da espiga a barba do milho, pronta a ser enrolada em papel para ser fumada. Foi a primeira erva que fumei, antes do tabaco. E por estas duas me fiquei.

No início do Outono dava-se a colheita, o caule e folhagem iam para alimento do gado e as espigas para a ruidosa debulhadora. Escrevi inicialmente ‘para a ruidosa debulhadora antes de acabarem na máquina de moer o grão, uma espécie de bacia afunilada.’ mas tive receio (perguntava-me se seria verdadeira a memória ainda muito viva de a ver funcionar) e comecei a telefonar a vários elementos da família para me confirmarem a existência desta última geringonça. Ninguém se lembrava e temi ser fruto da minha imaginação. Quando pensava com os meus botões que só as pessoas que de facto trabalharam a quinta e as máquinas me podiam salvar, tocou o telefone e era um dos meus tios a responder à chamada que não atendera uns minutos antes. Sim, a máquina não só existia como existe, foi comprada talvez e 1976 pelos meus tios e tinha mais do que uma função: pelo menos duas já que moía farelo e farinha.

*

Estes apontamentos e outros já aqui publicados sobre o tópico Verdes são memórias de quem viveu entre o primeiro ano de idade e os doze numa quinta.

Da mesma saga existem os seguintes postais:

 






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