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Handel - Ombra Mai Fu

por Isabel Paulos, em 23.12.20

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Da Ópera Serse, de Handel.

Ferroada

por Isabel Paulos, em 23.12.20

Presépio despedaçado em Fibbiana (Florença).jpg

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Comovo-me às lágrimas com a conversa avessa às reuniões familiares e ao consumismo no Natal. Fico condoída com a necessidade premente em criticar todos quantos mimam e querem mimar os seus. Gente bárbara, hipócrita e sem sentimentos esta que gosta de exprimir o que sente e com gestos fazer notar o seu amor pelos outros.

Mandem para a forca esta gente perigosa. Venha o Natal respeitador dos puros. Sem Sagrada Família, sem festejos de nascimento do Menino Jesus e demais tralha que faça lembrar a família e os laços familiares e de amizade.

Precisar dos outros? Respeitar quem diz precisar dos outros. Bahh, isso é coisa de gente fraca. Viva a autossuficiência e a soberba. Viva a forca.

Agenda

por Isabel Paulos, em 22.12.20

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Além do eterno adiado texto sobre a cronologia da covid, que ando a anunciar desde Maio, estão na calha, sem a menor ideia do rumo do que vou pensar ou escrever enquanto os redigir, dois postais. Um sobre astrologia para 2021 com duas ou três palavras para os conjuntos de dias do ano que respeitam aos que mais me importam - oh credo, com tanta tragédia pelo mundo, como ainda há gente com este tipo de burrices, egoísmos e leviandades? quanta vergonha, quanto horror -, e outro sob este título aproximado: 'entre o respeitinho e o chover no molhado'. No primeiro pretendo tão só acautelar-me do que possa suceder a quem está perto do coração e afugentar - com a mera referência à astrologia - os espíritos racionais e devotos da absoluta ciência das certezas; no segundo tentar dizer aquilo que penso há muito sobre a discussão de ideias e creio não ter ainda traduzido em palavras escritas. Assim como quem levanta o véu, inclino-me para não ter a menor pachorra para quem critica o 'respeitinho' não pela ideia em si, que seria boa se não redundasse noutro respeitinho mais pateta. E hei-de chegar a alguma conclusão na forma de fazer a ponte entre o respeitinho e o chover no molhado, que é o que mais faz quem critica o respeitinho. E revelar quão divertido é ver os adeptos do vale tudo tropeçarem nos próprios pés, não resistindo às indignações selectivas em voga a cada momento. Somos todos muito liberais até a liberdade nos pedir a conta.

Ainda as Calendas

por Isabel Paulos, em 22.12.20

(!) Atenção: este postal tem dados (relativos ao Porto) duvidosos e para fins meramente lúdicos. 

Esta é uma advertência necessária num mundo virtual apinhado de livres interpretes da ciência, que bem capazes são de nos vir explicar com santa e devota minúcia que tal como o sagrado, devemos esconjurar o profano. E nós, quais carneiros ofuscados com tanta clarividência, anuiremos: ámen.

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Vamos ao que interessa: se nos fiássemos nas Calendas bem podíamos esperar por Outubro de 2021 para voltar saborear dias soalheiros.

Entretanto a descoberta de hoje: o atalho para o grau (celsius) é Alt 0176.

Pergolesi - Stabat Mater

por Isabel Paulos, em 22.12.20

Diz quem me mostrou isto que depois de se ouvir já se pode falecer. Renitente em falecer - palavra que odeio em todas as suas variantes -, prefiro qualquer coisa tão simples quanto morrer. A ver vamos se é autorizada a partilha do vídeo para que mais alguns possam morrer um pouco por uns minutos.

Como nota de curiosidade de referir apenas que o compositor Pergolesi feneceu aos 26 anos. O que me faz pensar: que raio ando eu cá fazer?

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Para ouvir é só ultrapassar o pequeno percalço 'Vídeo indisponível' e carregar no 'Ver no YouTube'.

Nulidades altifalantes

por Isabel Paulos, em 22.12.20

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Há dois mil anos era preciso dar pão e circo.

Hoje a bem da paz social exige-se pão, circo e altifalante.

Relógio

por Isabel Paulos, em 21.12.20

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Comentava há pouco aquilo de que já me apercebi num postal anterior. Ando com muita conversa subjectiva e pouco dada a objectividades. Talvez por não ter perdido muito tempo com os jornais nos últimos dias (semanas?). Acontece. E sempre que acontece, semanas ou meses depois, percebo que não perdi nada de substancial. A coisa – a matéria dos acontecidos do país e do mundo –, vai-se enganchando de tal modo no tempo, que é só puxar pela corrente (reparem que não escrevi cadeado) e logo o todo se mostra mais perceptível do que se andasse em desassossego permanente a fuçar nos jornais. Claro que escapam os inevitáveis episódios caricatos que enchem os dias de aparente significado. Tanto melhor, mais espaço por contaminar fica. É precisa certa pureza para prosseguir achando que ainda vale a pena pensar e escrever qualquer coisa que não seja espartilhada pela sofreguidão das notícias.

E voltando ao subjectivo e aos meus dias. Voltei – ao fim de três semanas -, ao trabalho presencial e eis que descubro ao dia 21 que ainda não havia comprado o passe de transportes. Foi difícil convencer a funcionária dos STCP que sim, era mesmo isso: queria o passe de Dezembro a dez dias do final do mês. É estranho, mas feitas as contas, oito dias de títulos individuais sairiam mais caros. Voltei ao rame-rame, revi caras e soube notícias dos colegas e de quem lhes é importante. O normal: aflições e alegrias. Senti o gostinho da aceleração própria de quem não está em casa, a três quatro metros da cozinha e a seis ou sete do sofá. É outra coisa. Bem dizia há uns anos a alguém que me queria convencer das vantagens do teletrabalho, que qualquer coisa me impelia a sair e ir trabalhar com horários e obrigações mais palpáveis, digamos assim. Aliás, acho admirável que a maioria das pessoas diga que trabalha mais em casa. É certo que se trabalha fora dos horários, mas meus queridos, não me venham com histórias, conheço muito sorna que atira com essa verdade dominante, e só rindo. Tal como conheço muito espavento que também advoga as virtudes do teletrabalho, e só rindo. Nesta matéria, como em muitas outras, fico dividida: gosto de estar e casa, mas sabe muito bem espevitar.

Ao fim da tarde, para gozo de alguns – ah e tal, deixar as compras de Natal para os últimos dias -, em cerca de quarenta minutos resolvi a questão dos presentes para cinco pessoas. Tungas. Três lojas. E na última vi-me envolvida numa batotice que não costumo fazer. Entro na loja de bijuteria, vejo o relógio que quero oferecer em trinta segundos. Pego nele e vou para a fila. Cerca de seis ou sete pessoas à frente. Vejo uma das funcionárias a olhar para mim. Vem ter comigo, pergunta se vou levar aquele mesmo. Digo que sim. Diz que me vai buscar a caixa. Faz-me sinal. Incrédula, vou até à porta. E ali mesmo, com outro terminal multibanco, tratamos das contas. Perante o meu espanto, vai-me dizendo que ninguém notou e, logo chega uma senhora a pedir igual tratamento. Pois que não, diz-lhe a menina em voz alta, e a mim em baixa: ora, havia de ser para todos, eu é que escolho. Bem-disposta continua: vou autografar-lhe isto para quando eu for famosa. Ao que respondi que era melhor dizer-me o nome, para quando chegar esse momento saber quem é. Ela responde: I. Magalhães. Digo que também sou Magalhães. Ela pergunta-me de onde sou. Respondo por comodismo: Porto. Ela simpática diz que é de Amarante. Digo que ainda assim é provável que sejamos primas. Pergunto se ali também sai talão de troca. Diz-me que ali faz tudo, só não tira café. Digo que é pena, porque já tomava um. E, entretanto, vou ouvindo gargalhadas no auricular; sim, fiz todas as compras ao telefone (vício que sempre odiei, mas a que aderi nos últimos tempos). Despeço-me e oiço no auricular depois de alguns comentários sobre o sotaque da minha interlocutora: é de mim ou ela estava a fazer-se a ti? Respondo que nada disso, aliás, pela conversa mais depressa se deduzia o contrário e adianto uma explicação lógica e verossímil: a menina, esperta rapariga nortenha como só as nortenhas sabem ser, percebeu que naquela fila eu era a pessoa que ocupava mais espaço – na loja visivelmente a ultrapassar o número limite de clientes imposto -, logo, solícita e delicada veio atender-me, sem me fazer sentir isso mesmo. Mostrando saber ser além de inteligente, elegante. Et voilà. Muito savoir-faire.

O NATAL COMO REALMENTE DEVE SER CELEBRADO

por Isabel Paulos, em 20.12.20

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Equipa de arqueólogos da Direcção-Geral de Saúde (DGS) é responsável por descoberta histórica que pode mudar os nossos hábitos para sempre: afinal, a tradicional Ceia de Natal, errada e teimosamente celebrada na noite de 24 de Dezembro, é ao pequeno-almoço (o período entre as 7h00 e as 8h00 da manhã é o momento ideal para reuniões familiares e trocas de presentes, obviamente). O nascimento de Jesus Cristo deverá ser celebrado em qualquer dia do ano, excepto nos dias 24 e 25 de Dezembro. O Menino Jesus não nasceu numa gruta escura em local incerto, mas sim num patamar iluminado e arejado, sítio sagrado onde foi adorado pelos seus familiares, amigos e animais de estimação. As oferendas dos três Reis Magos nunca foram ouro, incenso e mirra, mas sim frascos de compota de diferentes sabores. Ficou inequivocamente provado que a compota foi e deve continuar a ser o prato principal do Natal (a introdução do peru, polvo e bacalhau foi uma invenção desesperada dos tempos modernos e decadentes). Provou-se também que a ausência de compotas na Última Ceia levou a desentendimentos, desacatos e traições entre os comensais. Esta desavença inultrapassável teve consequências trágicas e foi responsável pela origem de outra festividade religiosa: a Páscoa (que, para júbilo da DGS, também não é celebrada em data certa). O prato principal do Sábado de Páscoa (nunca foi ao Domingo) é composto por geleia e marmelada. O mata-bicho pascal deve ocorrer ao lanche, preferencialmente num quintal.

Ricardo Álvaro

 

Boas Festas

por Isabel Paulos, em 20.12.20

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Nesta última incursão pelos blogues vim parar à Sapo e acabei por criar o hábito de ler uma dúzia de autores para além dos que lia nos últimos dezassete anos. Entre eles encontrei a sempre atenta, informada e mordaz Isabel, do Perspectivas & Olhares na planície, as viagens e o olhar justo e esclarecido sobre o mundo do Kanes, do Não É Que Não Houvesse, os primores, a versatilidade e dedicação à escrita da Maria, do Dias de Outono e a generosidade e o conhecimento despojado do Vorph, do B(V)log de Alterne. Lado a lado com o benévolo punhado de leitores das Comezinhas, estes e outros blogueres e comentadores têm-me feito companhia no último ano. Na maioria descobertos entre a preciosa clientela da caixa de comentários do blogue charneira Delito de Opinião, do Pedro Correia e demais autores.

A todos agradeço a companhia e as leituras, que amenizaram a dureza e vazio do último ano, e desejo um Bom Natal e Feliz Ano Novo.

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 20.12.20

 

Hoje é dia de recordar um postal de Agosto.

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Conversas íntimas

por Isabel Paulos, em 17.08.20
 

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A seguinte conversa, muito fiel à tida nesta manhã de Domingo com o Nuno, aclara sobretudo a utilidade de um namorado/companheiro/marido.

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Nuno, preciso de uma explicação. Há anos dizia que estaríamos perto de epidemias e guerras que reduzissem a população mundial a níveis aceitáveis para a sobrevivência do planeta. Pensava eu e muitos mais. Tal como também há muitos anos imagino este cenário: um dia acordo e ao ligar o telemóvel e o computador percebo que estou sem ligação à internet, minutos depois vejo que a coisa não se revolve com o desligar e voltar ligar o router ou contactar a operadora, vou trabalhar e percebo o alvoroço, volto para casa e tento ligar a televisão em vão, e finalmente confirmo na rádio um 11 de Setembro em grande escala, sem violência material nem mortos directos. Ou seja, o mundo Ocidental - na minha imaginação ainda herdeira dos Aliados -, fica sem comunicações.

Ponto assente que a guerra moderna passa pelas comunicações, explica-me como é que um poderio económico como a China, ou um Estado sem essa capacidade económica, mas bem preparado tecnologicamente como a Rússia, ou um outro como a Coreia do Norte – ou uma entidade com grandes interesses económicos extra estaduais – poderia cortar as comunicações de um país ou grupo de países.

A pergunta não é como, mas sim se. A resposta é não. Não é possível. É possível incomodar ou atrapalhar as comunicações. A comunicação processa-se de várias formas e a internet é apenas uma forma de encriptação e de organização da informação. A internet faz-se através de um conjunto de computadores espalhados pelo mundo - interligados por comunicações tipo telefone, mais avançadas -, cuja localização é desconhecida, incluindo dos proprietários ou utilizadores. A ligação faz-se por satélite, rádio ou cabo (de cobre ou fibra óptica). Muita dessa comunicação é feita por cabos submarinos que ninguém sabe a verdadeira localização, são segredos de Estado.

O meio físico que sustenta a comunicação está tão diversificado que é difícil atacar. As formas de atacar são temporárias, através de vírus ou de software que atrapalhe a comunicação. Toda a comunicação digital é codificada e descodificada, o software vai atrapalhar no momento da descodificação. Nesse momento pode-se fazer espionagem ou roubo de informação, difundir a mensagem, estragá-la ou inibi-la mas isto é impossível a 100%. É um corte temporário e nunca total. Vês isso nos ataques às bolsas ou instituições financeiras.

Podes inibir parcialmente a informação. Podes reduzi-la, estragá-la, mas não eliminá-la. Respondido?

Voltando aos vários suportes das comunicações. Explica-me quais são e como se processa cada um dos suportes. Como funcionam. E como podes eliminar, atrapalhar ou deturpar as comunicações.

Tens a comunicação via satélite. É difícil atacar. Nesse caso terias que estragar o satélite do outro. Não é fácil. São milhares de satélites a circular à volta da terra com frequências diferentes ou específicas. Além do que a informação vai em pacote. A comunicação digital - a conversa de mil pessoas vai em pacote ‘zipado’ em microssegundos para ser enviado e ser descodificado no outro ponto. Imagina que ‘zipas’ mil ficheiros word. Essa compressão é feita com um código atribuído pelo computador no momento da codificação. A compressão é feita rapidamente e ninguém conhece o código – faz-se através de protocolos estabelecidos automaticamente pelo próprio sistema. É difícil fazer espionagem para ver quem fala com quem e diz o quê, porque a mensagem está codificada – ou seja, fragmentada em pacotinhos de comunicação que só na posse do código certo se podem unir em coerência. Funciona um pouco como os cartões visa, mesmo que roubes o cartão, tens que ter o código. Mesmo que tenhas acesso à comunicação, por exemplo, nós estamos aqui no quarto a receber as ondas electromagnéticas, mas não temos processo de as descodificar. Não temos a 'inteligência' e os meios.

A comunicação pode ser atacada, mas no momento em que já foi descodificada ou desencriptada. Salvo se entrar a inteligência de Estado. Grandes e médias potencias fazem espionagem, através das centrais, fazendo com que a informação que venha daquele telefone ou computador seja desviada para determinado local a fim de ser descodificada.

(A questão dos hackers fica para outro dia.)

Podes é enviar software espião para o computador alvo. Não se ataca no processo de ir de A para B, mas no momento da captação ou da descodificação. O software capta a informação por encriptar ou já desencriptada e reenvia-a para outro ponto.

Fala-me dos outros suportes físicos de comunicação.

Os outros suportes físicos de telecomunicação existem, são seguros, mas são caros. Apesar de ser caro, o satélite é uma forma barata de comunicação, apesar da manutenção que é preciso fazer. É seguro porque é redundante. As outras formas são: as ligações por cabo de cobre (antes) ou de fibra óptica (agora) e o rádio.

Num cabo de cobre multiplexado já era possível a conversação simultânea de cem canais de comunicação na mesma linha. Funciona como na rádio, cada pessoa fala em frequências diferentes no mesmo cabo, e depois cada uma das frequências é sintonizada. Isso já era possível na altura do telefone analógico.  

Agora na comunicação digital, à semelhança do que fazemos em casa com o programa winzip, falámos e imediatamente a conversa é ‘zipada’ pela central (a nossa e de mais 200 pessoas que falam em simultâneo), depois são reenviadas para outro ponto onde são ‘unzipadas’. A diferença de um ou dois segundos que sentimos nas conversas de telefones, é o tempo de comprimir e descomprimir a informação. E só aquele telefone, aquela pessoa ou entidade tem acesso à informação. A forma de espiar isso é ter acesso ao telefone, ter contacto físico com o telefone.

Interrompo. Não me parece.

Sim, é possível extraordinariamente. Acontece a nível de Estado com o acesso ao número de telefone ou número de IP. O Estado consegue espiar conversas via central. Nem as polícias conseguem. Só com autorizações especiais - e falo em termos técnicos e não legais. Se autorizada, a conversa é gravada pelas centrais. Nas operadoras.

Claro que é.

Mas estava a dar exemplos de espião particular e não de Estado. Tipo detective particular.

Falta um suporte físico. A rádio. Como se processa e como pode ser afectado.

Faz-se através de ondas electromagnéticas. Pode ser afectado misturando sinais de rádio mais potentes. Como uma terceira pessoa que fala mais alto e não deixa ouvir.

Recapitulando. Muito sucintamente, diz-me como é que em satélite posso destruir a comunicação, pôr ruídos ou deturpá-la.

Na altura da Guerra Fria quer a Rússia quer os Estado Unidos enviavam satélites lá para cima com armas para tentar destruir outros satélites, e nenhuma dessas armas se revelou eficaz.

Tens a certeza do que estás a dizer?

Sim. E podes confirmar.

Podes é empastelar. Pôr ruídos na frequência. Empastelar é pôr sinal por cima.

E em termos de fibra, já que agora se usa pouco cabo de cobre. Bem, estou a dizer isso mas fora da Europa possivelmente ainda existe muito.

Sim, claro.

A fibra tem a vantagem de não enferrujar. Além do que numa linha de cobre – que é grossa e pesada -, por cada linha de comunicação vai um cabo eléctrico, onde se conseguem poucos canais de comunicação, enquanto no cabo de fibra óptica como é muito mais estreito e leve pode ter mil filamentos, com vários canais de comunicação por cada filamento. Estás a ver a quantidade de comunicação que ali vai.

E, neste caso, como podia cortar a comunicação cabo. Imagina: temos a cidade do Porto. Imagina que queremos um apagão na cidade. Podíamos cortar um ponto mãe ou origem de toda a cidade? Era possível? Existe apenas um ponto?

Não. Existem vários. Era praticamente impossível.

Estar a cortar milhentos cabos.

Tal como a ligação entre Porto e Lisboa. Também seria difícil. Mas agora imagina a ligação entre a Europa e os Estados Unidos. Aí são menos e a localização dos cabos marítimos é, obviamente, secreta.  

A dispersão física torna difícil. E na comunicação rádio?

As nossas emissões rádio da manhã podem ser ouvidas em Plutão algumas horas depois, desde que tenhas como descodificá-las. Toda a rádio que foi emitida aqui chega a Plutão. É difundida ad aeternum. Para todo o sempre e mais além. Mas imagina, chega a Plutão e é como ter uma biblioteca inteira separada letra a letra de todos os volumes misturados. Ou como chegar a uma biblioteca com todas as letras desordenadas num único volume.

Isso já parece Borges. Gosto da ideia.

Tens lá a informação mas não a consegues perceber.

Tudo muito bem. Tudo quanto me explicaste parece fazer sentido, mas intuitivamente sei que um dia vou ligar o telemóvel e o computador e chegar à conclusão que meio mundo está sem comunicações.

A eliminação física não é possível mas a eliminação lógica é possível, através de vírus controlados à distância. A comunicação existe mas teríamos a válvula - o vírus -, a inibir a comunicação e a criar problemas num ou vários pontos. Até hoje nunca foi possível um corte total. Apenas parcial e temporário. Através de grupos de hackers com ataques sincronizados, que conseguem cortar a informação por algumas horas.

No início falei em mundo Ocidental. Um ataque provável é um ataque dirigido a algum Estado ou grupo de Estados, ou então, a determinadas empresas ou entidades.

É possível atacar a Google e deixar grande parte do mundo no escuro.

Então, às tantas, aquele pormenor antigo de atrasar os relógios dos computadores – no servidor –, para dar tempo de reacção, faz sentido?

Faria sentido se o computador estivesse sincronizado no relógio interno e não na hora oficial da internet. Depende de programa para programa e de como estão sincronizados.

 

Josh Groban - You Are Loved (Don't Give Up)

por Isabel Paulos, em 20.12.20

Meio Sábado

por Isabel Paulos, em 19.12.20

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Ida e vinda a Campanhã. Tudo impecável. Condutores de Uber simpáticos e faladores a fazer esquecer o da quarta-feira passada. Para lá histórias de comboios com cenas inspiradas em filmes de ‘Berlusconi’ (risos). Creio que ele queria dizer Fellini, mas isso não interessa nada, até porque a passageira sabe tanto de cinema quanto o condutor; bom, pelo menos sabe que os filmes de Berlusconi são doutra natureza. Interessa sim o que ficou na memória agora relatada: as chapadas que ele deu aos sete ou oito anos aos saudosos que se despediam na plataforma de Campanhã. Ah, e a Linha do Tua. Linda, linda. O pior é o calor naquela terra onde são nove meses de inverno e três de inferno. Tinha para a troca: num inverno em criança, o comboio para a Covilhã em carruagem antiga daquelas com camarotes e janelas que abriam, como nos filmes. E ele mais as travessias da Dona Maria e dos tremores encostados ao resguardo quando passava o comboio. À vinda conversa cordial mas com palavras mais caras, como paradigma e família monoparental, e isto só para falar listas de compras no Continente. Fosse a viagem mais longa e imagine-se o que teria sido. Teria de puxar do dicionário. Vou começar a andar com bloco na Uber.

Compras. Almoço. Telefonemas pluriparentais para suprir o confinamento. Sim, falámos com os quatro; não deixamos escapar ninguém. A boa disposição reina, mas as gargalhadas maiores vieram da última chamada. Pelo insólito.

Liga-me o meu pai. Ah e tal e coisa, comprei-te um livrito. Sabes, ouvi na televisão alguém falar do livro e lembrei-me que talvez gostasses. Hum, pai. Não será o Férias em Paris, do Maugham? Ah? Não (risos), como sabes? Sim, é esse todo. Pois, eu também ouvi o Rogeiro, mas por acaso até já o tinha comprado para dar ao pai no Natal (risos). Às tantas nem é preciso trocarmos, cada um fica com o seu. Não, não, trocamos sim (mais risos).

E pronto, no próximo dia 24 como manda o figurino, em vez de compota, lá vai haver uma permuta de Maugham em papel pardo da Fnac por Maugham em papel palavroso da Bertrand, o autor que desde criança vi na mesinha cabeceira do meu pai. Especialmente as Histórias dos Mares do Sul. Com a idade até o insólito começa a ficar previsível.

O desporto da ofensa

por Isabel Paulos, em 18.12.20

Há quem a pretexto de dizer o que pensa sobre o mundo, se divirta a ofender tudo e todos, não respeitando nada nem ninguém. Só sobra soberba. E há quem diga o que pensa e sente, cuidando de não ofender gratuitamente ninguém. Nem sempre com sucesso.

A ironia das ironias é ver gente que passa os dias em insultos gratuitos, arvorar-se em grande juiz da decência. Haja paciência.

Cansei, como diz a outra. Farta de vendedores de atrito.

Banco de Portugal

por Isabel Paulos, em 18.12.20

É de mim, ou o novo Governador do Banco de Portugal arroga-se de certo protagonismo político, como se ainda estivesse no Governo? Ainda sou do tempo em que ao Governador do BdP competia supervisionar as instituições de crédito, regular e fiscalizar o bom funcionamento dos sistemas de pagamentos, mediar as relações monetárias com o exterior. E de todas estas funções exigirem certa sobriedade. Bem sei que também lhe competem as estatísticas financeiras e monetárias e o aconselhamento ao Governo nestas matérias, mas será que isso se faz através de conferências de imprensa e artigos nos jornais?

Devo ser muito conservadora, mas pensei que estas coisas técnicas deveriam ser tratadas sem recurso a protagonismo político e juízos de valor.

Natal & Covid

por Isabel Paulos, em 17.12.20

A ver se nos entendemos. Quero comprar um bilhete de comboio e estou à espera que a eminência parda que nos preside - muito afoita a sugerir o crime de desobediência, com a conivência da maioria e o encolher de ombros do País inteiro -, e o ilusionista que nos governa definam de uma vez por todas as regras. E se os bitaites que mandaram há duas semanas - sobre o regime excepcional dos 3 dias -, sempre valem no Natal ou se era só a brincar e nós, quais crianços, teremos de ficar em casa de castigo viradinhos contra a parede para não perdigotar outros crianços. Sim, está visto que a Covid levou todos os adultos para parte incerta; no mundo agora só existem dois tipos de criaturas: crianços e educadores de infância licenciados no Piaget.

Ao que parece é amanhã que Costa fala.

Sinais do tempo

por Isabel Paulos, em 17.12.20

Ontem depois do jantar resolvi sair e comprar um livro para oferta. No caso, a bem disposta Uma História de Espanha, de Arturo Pérez-Reverte. Para me despachar e respeitar os horários covídicos usei a Uber. Para lá o rádio estava ligado numa estação regional, tendo ouvido logo à entrada o anúncio da frequência para Felgueiras, Lousada e Paredes. Conclui que deveria ser mais um motorista daquela zona e, com pouca e cordial conversa, senti-me em casa. Para cá, uma paragem pelo meio para deixar o livro, num Renault Mégane, cuja porta do passageiro rangia com vontade. Coisa estranha na Uber, na qual tenho apanhado sempre carros cuidados. O condutor de fato treino e funk na rádio (o do youtube abaixo). Música com espantosa letra para brindar os passageiros. Hoje ao lembrar-me do pequeno percurso e daquele momento de ontem, recuei quase 25 anos, e recordei o episódio em que saída do carro de um amigo na Praça da Batalha, juntamente com o seu pai, português de Angola, e emigrado para o Brasil nos anos 70, onde vivia desde então, dei por ele completamente imóvel e siderado. Como se não conseguisse sair daquele pasmo, perguntei o que se passava e ele de olhar fixo na direcção de Santa Catarina, ali na embocadura de Rua 31 de Janeiro (de Santo António) e da antiga Livraria Latina, disse-me: Oh, é tanta cor na roupa das pessoas. Da última vez que estive aqui [talvez há outros tantos 25 anos] era tudo negro, as pessoas vestiam todas de negro. O pai do meu amigo guardara a imagem do País que conheceu e que perdera de vista nos muitos anos de Angola e Brasil. Portugal não era há muito o País de antes.

Ao ser presenteada num banal percurso de Uber com o funk de ontem foi disto que me lembrei: céus, como o País liberou. E isto digo eu que cá sempre tenho estado, imagine-se para quem aterre depois de muitos anos de ausência.

O Morto - Vergílio Ferreira

por Isabel Paulos, em 16.12.20

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Vénia

por Isabel Paulos, em 16.12.20

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*

Sobre o vinho ver o Público de ontem. Reparo que há aqui contradições nos rótulos entre a fotografia que me enviaram inicialmente e a notícia. Mas vale a ideia.

Segurem-me

por Isabel Paulos, em 16.12.20

Liguei a televisão e vi uma coisa ridícula a imitar gente - bem caricatural -, a perorar como devem ou não os portugueses comportar-se no Natal. 

Desde o início de Dezembro tenho ouvido - não só na televisão como pessoalmente, porque a loucura neste momento anda à solta impunemente pelo mundo fora -, gente absurda e sem um pingo de bom senso e respeito pela inteligência do próximo, a achar-se no direito de determinar como devo ou não estar. Gente a quem estou certa seria preciso ensinar tudo - mas mesmo tudo -, desde que nasceu, por manifesta desadequação à realidade. É trazê-los aos infantários e ensiná-los a apertar os atacadores, por amor de Deus!

(é o segundo ou terceiro ponto de exclamação que uso nas Comezinhas.)

*

Adenda: este texto tinha dois erros, entretanto corrigidos. Fúrias.

Em frente

por Isabel Paulos, em 16.12.20

 

Por cada desconsideração, um passo em frente de cabeça erguida.

 






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