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Fim do mês

por Isabel Paulos, em 31.08.21

Foi um dia difícil, este. Morta por jantar e descansar. 

Josh Groban

You Raise Me Up

por Isabel Paulos, em 31.08.21

Nem sempre a crueza é maligna

por Isabel Paulos, em 31.08.21

Em criança doía-me a alma ver podar as árvores. Gostava daquele desmesurado verde, selvagem e inacessível aos caprichos dos homens. Golpear as árvores parecia-me uma crueldade. Cresci, e vi que entre as árvores dos meus amores a que melhor sobreviveu foi a em tempo esgalhada. Curvo-me perante a sabedoria humana.

Gosto de troncos. Gosto de vento e chuva. Impressionam-me as ventanias, os trovões e as árvores arrancadas pela raiz. Curvo-me perante a sabedoria da natureza.

Piano

Ludovico Einaudi - Nuvole Bianche / Claude Debussy - Clair de Lune / Yann Tiersen - La Valse d Améli

por Isabel Paulos, em 30.08.21

*

*

Para a Kika, sobrinha (com uma semana de atraso). 

Embrulha, Tia

por Isabel Paulos, em 30.08.21

- Dei-te esse livro [1984] porque é importante que o leias. Mesmo que não seja já, por achares chato, peço que o leias mais tarde.

Sobrinha [16 anos acabados de fazer] - Eu sei que é. Quero ler. Um amigo meu leu e já fez um trabalho sobre ele - gostei muito. Oh Tia, eu já li a Utopia, de Thomas More.

- [rendida] - Olha, vê lá a tshirt. A saia tens até ao fim do mês para trocar.

Sina

por Isabel Paulos, em 30.08.21

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Porque será que tinha um palpite que no próximo Sábado estaria céu nublado? Pode ser que o IPMA se engane.

Cegueira

por Isabel Paulos, em 29.08.21

Recordo como encarei o Nuno vendo-o cego pela primeira vez. Tinham passado 9 anos desde que nos despedíramos numa noite chuvosa que doeu. Há separações que despedaçam. Lembro-me de brincar e dizer que me parecia o Tim dos Xutos&Pontapés por causa da cara bolachuda: tinha conhecido um homem novo, muito alto e muito magro e encontrei um homem robusto e bem instalado no início da meia-idade. Não foi a cegueira que prevaleceu, mas essa diferença de peso. Tal como a maioria das pessoas tinha algumas minhocas na cabeça sobre a condição da cegueira e das tragédias. A convivência com o Nuno foi dissipando uma a uma.

Ah, quando há um acidente e se perde a visão há necessariamente uma revolta profunda – e depressão -, um período de luto e a aceitação. Tudo certo, senhoras psicólogas que o tentaram convencer após acidente, para fúria dele, que tinha de estar muito triste e deprimido. O certo é que, apesar de não acreditarem, ele estava feliz por estar vivo apesar de tudo. E genuinamente agradecido à equipa hospitalar que o salvou contra todas as expectativas. Custava-lhe, como continua custar apesar das melhorias, infinitamente mais a falta de memória - severa e também decorrente do traumatismo - do que a falta de visão. Temos a mãe dele e eu muito mais revolta do que o próprio, que dá sempre bom tempo – como diz o meu pai. A psicologia nem sempre consegue perceber a lógica das pessoas que vêem a vida com inteligência e pragmatismo: o Nuno tem como sempre teve inúmeros interesses e dedica-se ao que gosta de fazer, lutando para superar as contingências – naturalmente, muito aumentadas pela cegueira. Não podendo dedicar-se a desenhar, pintar ou fazer animações como gostava, não tenho memória de um dia em que não me tenha falado de uma música ou pauta nova que descobriu ou redescobriu e editou, ou numa leitura de descoberta ou redescoberta da ciência, ou dos avanços (e recuos) tecnológicos etc. Salvo afastado dos instrumentos musicais, não há dia em que não toque piano, sintetizador ou guitarra. Não se tem por grande intérprete, pelo contrário, diz sempre que é razoável, pela consciência que tem do que é ser um virtuoso. Não deixa de tocar por isso. Não deixa nunca de tentar saber mais e ser melhor nos seus interesses.

Ah, a imagem de certo cinema: os cegos pela condição a que foram sujeitos tornam-se azedos e manipuladores. Se azedume é isto vou ali e já volto. Só quem não conhece o Nuno, não percebe a ternura de homem que é. A permanente preocupação com os seus. A sensibilidade com tudo e todos quantos mereçam. E o bom feitio colossal – única razão para me aturar com infinita paciência. É evidente que cada um tem sua a natureza e não é a cegueira que vai transformar uma boa pessoa num traste. Há uns anos desenvolvi a teoria de que a visão distorcida e estereotipada dos cegos, dada por alguns, tem a ver com o egoísmo próprio de certos espécimes que convivem com pessoas sem visão e não conseguem superar ou de quem nem sequer se consegue aproximar com o medo do que acha esquisito e desgraçado - abandonando um amigo, nalguns casos. Deve ser uma forma de fazer da vítima bode expiatório para remir a culpa que se carrega.

Ah, os cegos têm limitações de inteligência e têm vidas pobres e trágicas. É certo que actualmente evoluímos muito nesta matéria e a maioria das pessoas sabe lidar com a situação, mas ainda assim não é raro tratar-se uma pessoa sem visão como estúpido. E peço que não se ofendam com o que vou dizer a seguir porque eu própria enfermei de algumas palermices destas e o próprio Nuno reconhece que antes de perder a visão sofria de alguns preconceitos. Tudo se deve ao hábito de encarar quem não vê como um ser estranho e desgraçado e não tão simplesmente como uma pessoa como outra qualquer com a contingência de não ver. Há pessoas que falam mais alto - deve ser para ver se os cegos vêem melhor. Aliás, o mesmo acontece face a outras deficiências. Se repararem o constrangimento conduz a várias reacções diferentes: uns desviam-se ou ficam sem saber o que dizer, outros levantam a voz para se fazerem entender e há aqueles que põem um tom de voz condescende e muito carinhoso (sobretudo mulheres) - só falta fazerem garatujas como se estivessem a falar com um bebé. Ou então são despropositada e excessivamente afáveis como se adorassem a pessoa que acabaram de conhecer – deve ser amor à primeira vista. Para todas estas pessoas tenho uma novidade: a falta de visão é isso mesmo: cegueira e não burrice ou infantilidade. Já agora aproveito para contar que o Nuno odeia a expressão invisual. Diz que não há inauditivos nem imotores e que não compliquem porque ele é mesmo cego. Se bem que as paranóias de mudar constantemente as terminologias pareça palerma, do meu ponto de vista, os cuidados podem fazer sentido por serem altamente ofensivas para a sensibilidade de cada um – e claro que é difícil acertar num denominador comum que seja o mais consensual possível. Eu por exemplo gosto mais que chamem pateta, tola ou maluca do que louca, mas a verdade é que comigo nunca arranjariam unanimidade porque amanhã posso mudar de opinião. Voltando ao que importa, é muito ofensivo ver um cego como o eterno pedinte tocador de acordeão na esquina da rua – sem desprimor para eles. O Nuno por incrível que pareça aos 6 anos - longe de saber que o destino o ia presentear com a cegueira e a falta de memória por volta do 39º aniversário - já tocava acordeão na escola do professor Maximino, em Cascais. Ao que dizem só se lhe viam os olhos, tamanho era o instrumento para criança tão pequena. Mas nem por isso lhe apetece ser visto com o eterno trágico acordeonista cego. Manias.

Ah, os cegos são infelizes. Mais, os cegos inspiram infelicidade. Quem pensa assim não sabe com certeza das gargalhadas constantes nesta casa e nas casas por onde o Nuno passa. Nem da excepcional capacidade para ouvir os problemas e dificuldades dos outros e de sempre ter a melhor palavra: de ânimo, de alegria. Há quem procure heróis sorridentes de poderes mágicos na televisão ou nas redes sociais, distraindo-se dos heróis que consigo convivem. É claro que tem momentos maus, em que se zanga com o universo e a sorte que lhe calhou. Mas esses momentos não são os mais frequentes. Mesmo. Os bons momentos prevalecem sobre as contrariedades e revoltas. Lamento desiludir os catastrofistas, mas o Nuno é um homem feliz. Houve um momento importante nas nossas conversas passadas em que eu, qual tonta a querer protagonismo na sua vida, perguntei se o fazia feliz e ele me respondeu que feliz já ele era “comigo ou sem migo” e que eu era a cereja em cima do bolo. Percebi naquele momento que era o homem certo independentemente do que o futuro nos reservasse, porque naquela altura, como agora, não o tenho por certo, nem quero que ele me tenha por certa.

Ah, isso soa a forçado. Não há pessoas perfeitas. Pois não. É alentejano, filho único e, como ele próprio diz, nascido num Domingo em mês de férias fora do horário de trabalho, ou seja, digo eu, preguiçoso selectivo. Se tivesse deixado ainda hoje eu estaria a buscar o copo de água porque o Lord não sabia ir à cozinha abrir a torneira, ou atenta em permanência às dificuldades informáticas por o menino não aplicar todo o acumulado de conhecimento nessa matéria e que é muito superior ao meu. O tanas. Os primeiros meses de convivência foram muito difíceis – perto de nova separação -, mas ficou claro que o meu mau feitio também serve para alguma coisa, como ensinar preguiçosos a fazer pela vida. Disse-lhe várias vezes que com o meu temperamento no caso dele estaria a trabalhar a atender telefones ou fazer massagens num sítio qualquer, mas o menino só faz aquilo que quer. Concedi. Somos diferentes. O Lord – que se diz sempre um parolo vindo das berças – habituado a trabalhar em tecnologia, a desenhar, a editar música, a tocar, a compor tem o direito a não se sujeitar às tarefas usualmente destinadas às pessoas que não vêem.

Como imaginam este é dos postais que mais dúvidas tive em publicar. Comecei a escrever há uns dias e terminei hoje. A parte fácil é que li ao Nuno e ele disse o que diz sempre que lhe leio um texto meu: publica. Não pode ser mais fácil viver com ele.

Cultivar e escarafunchar a tragédia é uma menoridade ou um luxo de gente ociosa e pobre de espírito.

Bichos & Plantas

por Isabel Paulos, em 29.08.21

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A prima do Ritz no passado Sábado cá em casa. Uma paz de alma, ainda assim o bigodes escondeu-se debaixo da cama o tempo todo. Ao fim de 6 meses só permite a companhia dos donos, dos avós e dos primos humanos. Os restantes são votados à desconfiança total.

 

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Valeu a pena dar uma segunda oportunidade à roseira que o bichano estragou. Também entrou nesta casa em Fevereiro. A ver vamos com evolui. Para já, e depois de ter sido mudada da cozinha para a varanda em vaso novo, abriu um botão este semana. 

A táctica de deixar uma brecha estreita da porta da varanda aberta já não funciona. Quando acordo, sinto o sacana do gato regressar, abre a porta com a pata e vai lá fora arejar. O drama é se - como fui avisada - vê um pássaro ou insecto e faz um vôo para a eternidade.

Casos e casinhos

por Isabel Paulos, em 28.08.21

António Costa em entrevista a José Manuel Mestre no momento da referência ao caso do atropelamento mortal pelo carro em que seguia o Ministro da Administração Interna.

O ardil com que inverteu a razão: o choradinho para impressionar a população, quando por dentro há apenas e tão só manha e hipocrisia.

Sei, é muito fácil falar em oportunismo em casos de acidentes. Sucede que gente responsável assume a responsabilidade, não se escondendo atrás de inquéritos ou averiguações, muito menos fazendo circular atenuantes para quem seguia no carro e culpabilizantes para quem se encontrava a trabalhar.

Não me venham falar em bazucas & reformas: acabar com estes desaforos seria a reforma das reformas.

Sonho

por Isabel Paulos, em 28.08.21

Disseste a um jovem que as angústias tendem a dissipar-se com o passar dos anos e o que hoje parece insolúvel dentro de dez ou vinte anos perde o peso. Saíste do elevador e entraste no centro comercial que conheces dos sonhos – é um luxo a tua vida, até nos sonhos tens centros comerciais a que pouco vais, diga-se. Percorreste os corredores e havia primeiro uma loja de artigos para o lar, estranhos e brilhantes, procuravas talvez um pequeno prato de adorno ou cinzeiro, não sabes bem. Passaste adiante e entraste na porta lateral de outra loja – tinha duas e a do lado de lá era a principal. Viste que o piso tinha desenhado uma espécie de planisfério, mas como se fosse um mapa de estrada aberto no chão. Começaste a andar e logo se aproximou a funcionária da loja – não fazes ideia o que vendia por não teres tirado os olhos do chão. Explicou que só podias andar “nos caminhos”. Ou seja, nas zonas dos oceanos e em rotas marítimas que pareciam estradas desenhadas de alcatrão azul. Ficaste nervosa, porque distraída saías das rotas, calcando as zonas de terra. Começaste a sentir cair o cabelo. A menina elucidou que cada vez que calcasses terra, cairia o teu cabelo. Passaste a mão na cabeça e saiu um tufo, deixando uma entrada grande no lado direito. Pensaste que tinhas que sair dali rápido.

Este foi o sonho de hoje. De vez em quando tens sonhos assim, cinematográficos.

Estratégia destrutiva

- o perigo de lidar mal com os sentimentos -

por Isabel Paulos, em 28.08.21

Acusar quem escreve sobre o dia-a-dia, comportamentos e sentimentos – e quem usa a franqueza – de estar a tratar de menoridades e de fazer perder tempo aos outros. Tomar-se por ilustre e refinado pensador sobre as questões fundamentais da vida sejam elas quais forem: política, economia, arte, literatura, religião, desporto etc, sem perceber a sua própria mesquinhez de espírito e incapacidade de ver o mundo ao espelho. Reparar apenas no rebusque da moldura doirada do espelho sem entender o que o dito reflecte. Não perceber que o essencial da vida pode estar nas pequenas ideias e gestos.

Esta é a atitude de alguns intelectuais – curiosamente, também é o ponto de vista de muitos incultos, que fazem lembrar aqueles que não sabendo latim preferiam que as missas fossem celebradas na língua morta por ser mais bonito. São a base de pirâmide dos aduladores dos arautos da sabedoria.

Se são agressivos, além desta acusação procuram culpar alguns – sobretudo algumas – de buscar protagonismo. Tentando fazer com que se sintam inferiorizadas por alegada ignorância, pretensão e futilidade. E, claro, despropósito.

A regra é o pessimismo e a negritude. Num certo paralelo com a lógica do “um relógio parado está certo duas vezes ao dia”, estas pessoas parecem estar convencidas que é sinal de inteligência e sabedoria ver o lado perverso da realidade, como se acautelassem contra as traições da humanidade e do universo. É pena que, como eternos adolescentes rebeldes, não percebam serem elas próprias elos do universo. Ser lúcido e clarividente não é ser destrutivo e defender a inevitabilidade da ruína do mundo e das relações humanas. Não é entrar em processo de autodestruição sugando para a tormenta quem rodeia – refugiando-se e enaltecendo um paraíso perdido no passado que nunca existiu. Para isso não é precisa grande inteligência: qualquer alcoviteira faz o enredo da vida e qualquer carpideira dá eco ao fim certo de cada ser humano.

Procuram rodear-se de iguais. Gente igualmente convencida da sua superioridade e cultora da agressividade, que condena sumariamente todos os ignorantes da base da pirâmide intelectual. Precisamente os que os sustentam.

No fundo, o que está em causa? A necessidade de amesquinhar e acusar outros de imperfeição, ao mesmo tempo que com grande proa e sofisticação se diz ser contra moralismos – a maior das falsidades. Ao mesmo tempo que se pretende fazer passar a imagem de grande conhecedor da complexa e imperfeita natureza humana.

Moralistas, antes os que se assumem como tal. Nada pior do que amantes da devassidão a perorarem sobre o que devem ou não devem fazer os ignorantes. Se gostam tanto e é tão boa a podridão que fiquem por lá. Estranho é que sejam tão infelizes e cultivem tanto a infelicidade, sua e dos outros.

Para alertar para os perigos do populismo, do fundamentalismo, do relativismo, da corrupção e de toda a sujeira do mundo basta denunciá-los, não é preciso espezinhar os outros nem dar provas de podridão, como ser fosse necessário para ascender ao patamar de ilustre conhecedor da natureza perversa do homem.

Este texto foi escrito na decorrência de vários eventos não relacionados entre si, não se dirige a ninguém, nem pretende ofender ninguém.

Assim são os meus dias

por Isabel Paulos, em 27.08.21

Pergunto qual a probabilidade de - em mais um dia de greve dos STCP - pedir o segundo Uber do dia – algumas das idas e voltas faço-as a pé – e este demorar-se por ter ido parar, sem perceber de antemão, a um velório numa igreja incumbido de entregar um envelope com documentos à pessoa “X”. Perdido na igreja sem saber a quem entregar, veio a saber depois que a destinatária do grosso envelope era a filha do falecido, que chorava sobre o caixão.

Acrescento apenas que o motorista é um simpático dentista brasileiro.

O mais incrível é que não preciso criar ou imaginar situações. Acontecem, tão só.

Assim são os meus dias.

Está quase

por Isabel Paulos, em 27.08.21

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A estratégia doente

por Isabel Paulos, em 26.08.21

Ter blogues sob pseudónimos femininos. Aproveitá-los para manipular e à traição conseguir informações e inspirar sentimentos de compaixão ou amizade de alguém que “conhece” e de boa fé acredita estar a falar com uma desconhecida. Há homens para tudo.

Isto narrado desde início (são mais de duas décadas) dava uma novela infame. 

Uma versão das coisas

- tens outras -

por Isabel Paulos, em 26.08.21

Visto à distância o que te aconteceu em 2007 foi uma coisa do género: bom, minha menina, vais desacelerar e atinar ou queres que te mostre o filme da vida a mil à hora?, disse-te o cérebro. E tu, que andavas distraída dele – do miolo –, nem o ouviste. Aliás, desafiadora: deitaste imprudentemente a língua de fora. Ressentido da falta de atenção e desaforo – os cérebros são uns peléns manientos -, o filho da mãe ligou o sequenciador dos frames da vida a mil à hora, com a particularidade de te mostrar a película sem a confortável convenção “tempo”, i. é, imagens de passado e futuro cruzaram o presente em sequências de flashes baralhados. Ora, parecendo que não a noção de tempo está cá para dar sentido à vida e uma certa paz de espírito, pelo que podes garantir não ser coisa apetecível cair nesse tufão – usar a imagem de buraco negro seria demasiado fácil. Sê suave na linguagem: custa um niquinho e é desagradável.

Saíste de lá outra. Como se tivesses sido torcida na centrifugadora Miele, talvez o teu electrodoméstico favorito em criança, a rivalizar com as máquinas de café. Durante cerca de um ano estremecias inteira, quando recordavas o momento mais violento do furação.

Ah, acelerar o coração melhora a condição física. Ah, é preciso confrontar, é preciso arriscar, é preciso viver. Está bem, abelha. Se quiserem, podes sugerir métodos mais radicais - pode ser que achem divertido, nunca se sabe.

Sopas e descanso, é o que mais te apetece dizer hoje.

Trabalho

por Isabel Paulos, em 26.08.21

Interrompo o “emailar”, olho para o relógio [10h45] e penso: tens 15 minutos para escrever um postal sobre o que estavas a pensar.

Li há pouco tempo que Elon Musk – creio que é ele, senão for será um outro crânio multimilionário da tecnologia – diz querer libertar a humanidade das tarefas aborrecidas. E volto à mesma tecla. Sempre que oiço a conversa do sacrifício das tarefas rotineiras, aborrecidas e do ódio ao trabalho menor, irrito-me por dentro. Às vezes, quem o diz são pessoas que estimo por isso tento distender os ânimos.

Fico sempre a pensar que espécie de auto-estima insuflada têm as pessoas que se acham superiores ao rotineiro e ao trabalho dito estupidificante. Acredito que todos os que trabalham deveriam fazer algumas tarefas rotineiras diariamente a bem da disciplina e da saúde mental. Quanto mais não seja para ficarem mais situados e não se acharem pequenos deuses, a quem o Universo conferiu poderes especiais sobre os outros e sobre a natureza. Sei, há qualquer coisa que assusta: “o trabalho liberta” tem de facto a pior das reputações. A questão é que agora a ameaça está do outro lado: agora querem libertar-nos da própria natureza humana. A humanidade anda sempre atrasada em relação aos perigos. Presa ao que já foi, vê sempre as profecias no lado errado.

E acabei às 10h59. Falta publicar.

Jimi Hendrix

+ Paul Butterfield, Harvey Brooks & Buddy Miles

por Isabel Paulos, em 26.08.21

Esta manhã, estamos nisto. Há muito para "emailar" - já não sei a quem ouvi este termo. Fará mal ao cérebro ter o auricular tantas horas apenas no ouvido direito? O lado das enxaquecas. O lado das 14 dioptrias.

(questões fundamentais da existência.)

Ao dependuro

por Isabel Paulos, em 25.08.21

Começo a acumular esboços de inícios de postais - são isso mesmo. Além dos que ficaram mais lá atrás, deixei ao dependuro quatro. Prefiro que saiam de rajada – o usual nas Comezinhas. Quando ficam em banho-maria das duas uma: não são grande coisa ou não estou certa de publicar e acabo por não escrever tão rápido quanto devia.

Por não ter a certeza de chegar a terminá-los, vou limitar-me a elencar os temas dos primeiros três:

  • a demarcação de comportamentos, termos e gostos populares por necessidade de afirmação – ideia recorrente;
  • a escrita nas três pessoas verbais e
  • compaixão, um sentimento fora de moda.

O quarto acabarei por publicar mais tarde, por isso vou fazer caixinha.

Não sei se repararam mas faço deste blogue o meu moleskine a céu aberto.

O tal que não tenho.

A batota a aumentar

por Isabel Paulos, em 24.08.21

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Há anos tinha a ideia de adquirir os manuais de Matemática do 1º Ciclo ao 12º ano com dois objectivos: antes de mais reavivar o que aprendi e estudar o muito que nunca cheguei a saber, mas também exercitar zonas do cérebro embrutecidas – nos anos 70 defendia-se que o hemisfério esquerdo correspondia à lógica e o direito à emoção e criatividade - como ilustrado na imagem abaixo -, conclusões científicas que tem vindo a ser postas em causa.

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Depois pensei que já há plataformas digitais para estudantes com exercícios de matemática e possivelmente seria suficiente. Eis senão quando me deparo com mais um livro da série Para Pessoas com Pressa (um maná para a editora e uma preciosidade para quem gosta de saber das coisas ao menos pela rama, como eu). Posto isto, depois de acabar o tomo da Filosofia - que acompanho com o Marías por perto além das incursões na internet -, pode ser que me atire à Matemática. Tudo devagarinho e intervalado com o resto para não me cansar.

Ainda não esgotei esta colecção, mesmo entre os que tenho em casa. Céus, duas vidas não seriam suficientes para as coisas que quero fazer. 

Boa disposição

por Isabel Paulos, em 24.08.21

Isto da Missa ser machista - juro que não consigo dizer isto sem me rir muito -, faz lembrar a prisão do Al Capone por fraude fiscal.

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