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Verdes

por Isabel Paulos, em 30.09.21

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Na próxima semana estou de férias – procuro tirar sempre uns dias no início do Outono. Planeei mentalmente um pulo de dois dias ao Gerês e fiz umas pesquisas online para encontrar poiso em turismo rural. Há muito por onde escolher, mas vai ficar para outras núpcias. Digamos que agora não dá jeito (risos). A ideia era mesmo descansar entre o verde. À medida que passam os anos vou sentindo mais falta de árvores, galhos, folhas, arbustos, paus, trepadeiras, pedras, hera, musgo, erva, cheiro a vida, terra, bichos.

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À falta de escapadinhas lá vou dar um pulo ao Parque da Cidade. Aliás, desta vez vou tentar regressar a um local onde ia muito há cerca de 20 anos: o Parque Biológico de Gaia. Não faço a menor ideia como esteja. Bom, depois de escrever isto já faço por ter ido ver a página e feito a visita virtual. Foi sendo ampliado. Gosto. Bom programa. Há anos que não me meto com as compinchas gralhas-pretas - ah, foram grandes conversas num tempo ainda com tanto futuro. Saudade. 

E agora vou por a treta em dia. Há muito tempo que não sei dessas almas que deambulam perdidas no mundo.

Kitaro

Matsuri

por Isabel Paulos, em 30.09.21

Parabéns, mano Tiago. 

Passo de caracol

por Isabel Paulos, em 30.09.21

Conseguir ler uma entrevista na íntegra, no Observador, é uma proeza em dia de fecho de mês.

Pois é, um país de atados. Só não concordo que cheguemos tarde à inovação. Para a novidade estamos sempre prontos, como estivemos para as eólicas e estaremos para o hidrogénio.

O drama é outro. É falta de vontade de trabalhar com consequência e fazer o que é preciso. É esta permanente tendência dos portugueses para se preocuparem mais com o mau trabalho dos outros do que estarem focados fazendo eles próprios. 

O problema dos portugueses são os bitaites e a vontade de mandar e interferir por puro e inconsequente prazer de intriga. Além dos interesses instalados que tudo fazem para preservar. 

De resto tudo muito bem na entrevista, à parte das subida das taxas de juros. É evidente que acabarão por subir e mais evidente ainda que esta paz podre e faz de conta que estamos numa fase de crescimento vai acabar, mas também é certo que todos os anos aparece um economista vidente a dizer que a Alemanha vai subir as taxas.

Desculpem eventuais erros, não dá tempo para corrigir. 

Setembro

por Isabel Paulos, em 29.09.21

diospireiro.jpgParabéns, Pai.

Panca das casas

por Isabel Paulos, em 29.09.21

 

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Hum. A sacana está outra vez à venda. É pequenita e à americana. Entrada para a sala open space e tudo a dar para lá. Antes detestava casas assim e sobretudo cozinhas integradas na sala – a ideia das gorduras e cheiros, essas coisas. Hoje já liberalizei. O pátio todo em laje como é costume neste tipo de casas. Lá teria que levantar umas partes para plantar a japoneira e a nespereira. Além daquele arbusto esguio, cujo nome não sei mas vou apurar, para pôr rente ao muro - era a morte da artista, matavam-me os vizinhos.

Momento extraterrestre

por Isabel Paulos, em 29.09.21

Há muitos anos idealizo uma coligação PSD/PCP - os dois únicos partidos em que votei e prevejo votar no futuro.

Extraterrestre me confesso. I have a dream.

No dia em que tiver tempo para explicar as razões escrevo um postal elencando o que me parece contributo positivo de cada um deles para o país, não deixando de aludir aos erros graves de parte a parte.

Tílias - fragmento 7

- actualizado -

por Isabel Paulos, em 28.09.21

No átrio das traseiras o chaveiro feito de uma tábua de madeira escura e polida com talvez uma dúzia de cavilhas salientes estava fixado na parede ao lado do quadro eléctrico, no qual havia sempre pendurado um conjunto suplente de fusíveis. Os pregos carregados de chaves, das antigas tubulares de ferro maiores ou mais pequenas com castelo na ponta, dentes a fazer lembrar ameias de muralhas, às novas prateadas de liga mais leve e achatadas. Abriam para onde podia ser. Em princípio para a direita, às vezes para a esquerda. Uma volta à esquerda, duas à direita, a da garagem do avô, onde gostava de ir brincar com o torno. Os segredos mais não eram do que velhas manhas de chaves antigas. Quando cheguei a Christchurch aos 16 anos a Mrs. Phyllis e o irmão puseram-me à prova. Creio que o faziam com todos os estudantes que por lá passavam e tinham particular gosto em dizer que os jovens alemães hospedados eram inábeis - durante as semanas que lá estive o outro quarto encontrava-se ocupado por duas alemãs. No dia da chegada, deram-me a chave, deixaram-se estar junto ao portão e à sebe e disseram que fosse abrindo a porta de casa. Pasmaram com a rapidez e facilidade com que a rodei em sentido contrário ao habitual e destravei a lingueta, abrindo a porta à primeira. Pudera, não conhecia eu outra coisa senão portas manientas. Até que todas as fechaduras passaram a ter abertura para o mesmo lado e o mundo perdeu a graça.

Chet Atkins

Jam Man + Dark Eyes + Medley com Mark Knopfler

por Isabel Paulos, em 27.09.21

Aos oportunistas de serviço

por Isabel Paulos, em 27.09.21

Como não podia faltar vejo por aí um início de onda a tentar desvalorizar o papel de Rui Rio nos resultados eleitorais de ontem, reduzindo o que aconteceu a um desempenho exemplar de Carlos Moedas. Se o ridículo matasse seríamos poupados a este tipo de deslealdade.

A desfaçatez e a ausência de gratidão define a falta de carácter.

Só isso

por Isabel Paulos, em 27.09.21

- Que te apetece fazer agora?

- Dormir uma temporada. Uns meses. Só isso.

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 27.09.21
 

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          Atravessou o jardim no passo decidido de quem tem pressa em mostrar-se triunfante, no momento em que o João, sentado no banco de jardim de perna cruzada, dobrava meticulosamente o Independente já lido, pousava-o e, reservado, levantava os olhos. Assistia ao movimento de mulher ousada. Com gestos precisos ela afastava qualquer empecilho, provando ser capaz de traçar o próprio caminho, longe de sinas de vida dura. Nada contida, de corpo elegante e bem delineado, balançava afinada os braços a cortar a brisa amena e marchava decidida, com coluna bem erguida, peito alçado e movimento de anca livre. Um manifesto de liberdade. Magnífico exemplar do 25 de Abril, concluiu João, ao acender o SG Gigante, e logo desviar o olhar para o velho e quebrado homem a invectivar o grupo de adolescentes com quem acabara de se cruzar e que, além do despropositado coro de vernáculo, audível em todo o jardim, atirara à água três ou quatro latas de refrigerantes, agora juntadas à garrafa de superbock no fundo do lago. Mais logo o Alcino limpa, pensou. Desde 1969, varria e recolhia o lixo no centro da cidade. Estreou-se ainda em ditadura e assim permaneceu, sempre. Este ano, Portugal vai à final do euro, pela primeira vez na história do futebol, e o Alcino reforma-se, divagava o João. O vermelho das latas de coca-cola, bem visível no fundo da água, na madrugada seguinte seria mais difícil de distinguir, já fora laranja das latas de sumo Kas, ou do azul dos invólucros do capri sonne. Com o passar dos anos era indiferente, só custava mais no inverno, quando a água estava mais fria e suja. Pedia ao destino não aparecessem bichos maltratados ou mortos. Era uma recolha sofrida. Revolvia as entranhas por mais madrugadas passadas. Contara isto ao João em tardes de amena cavaqueira no banco de jardim.

        Depois de acenar ao Alcino, cumprimentando-o, voltou a olhar na direcção oposta, viu a Ana Paula desaparecer depois de subir os poucos degraus da câmara municipal, para cumprir o horário da tarde. Esquitécia, a palavra assomou no seu pensamento no tom morno e doce da Constança. Assim se referia a mulher à Ana Paula, quando em casa conferiam o dia. Era a única pessoa a usar o termo. Nem sequer constava do dicionário. O João matutava se teria relação com a sesquitércia da matemática. Não sabia, mas achava adequado. Ainda assim, defendia sempre a figura central: não há rã sem girino, dá-lhe tempo. Ai, não tenho dúvida, é mesmo uma questão de tempo. Tens razão, dizia a Constança. Antigamente, nós dávamos tempo, três ou quatro gerações, muita fé e paciência. Mas o mundo hoje é outro. O tempo está para gente sem dúvidas nem educação. Irá longe num ápice, os outros nem por isso, vaticinava. Estava envolvido no pensamento da mulher, quando a filha se aproximou, carregando o caderno novo de capa florida, onde esboçara o primeiro início do livro, e perguntou a cor dos sapatos da Ana Paula

                                                                   (Escrito de Abril de 2015 a Abril de 2019.)

 
 

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        Dois anos após as almoçaradas do Outono de 2014, os habituais convivas juntaram-se na Casa Agrícola, junto ao Mercado do Bom Sucesso, para festejarem a chegada ao governo da protagonista. Tal como previsto nas estrelas, a Ana Paula fora convidada a integrar o governo como secretária de estado da administração pública. Fez o infalível trabalho de casa. Um ano após a participação na Entrevista da TVI, no final do ano de 2015, mudou-se para Lisboa. Em rigor, e como vaticinara o Luís, fixou-se no Estoril. A mudança fez-se a pretexto do convite para integrar o grupo de reflexão sobre a modernização administrativa e a reforma do estado, para o qual foram canalizados fundos suficientes a gerar sete novos postos de trabalho no ministério das finanças e da administração pública. Sete novos postos de trabalho, bem remunerados, para se reflectir a futura reforma do Estado que, eventualmente, passaria pela sua redução. Comissão da qual, no final e como seria expectável, saiu apenas um sound bite, baseado em estudo na União Europeia, o qual atesta haver menos funcionários públicos em Portugal do que a média europeia. Razão dos dois pareceres emitidos. O primeiro no sentido de reforço de pessoal em áreas específicas dos serviços do Estado, com sinais de ruptura. E o segundo a calendarizar as medidas concretas de admissão de novos funcionários para daí a quatro anos. Sobrepunha-se o mais conhecido imperativo orçamental de todos os tempos: o almanaque eleitoral. E a pretexto de tão aturadas ponderações e conclusões, a Ana Paula viu resolvida a sua particular situação material, e encetou o trilho partidário a nível nacional. Fora presença notada no congresso da Feira Internacional de Lisboa, em Novembro de 2014. Fizera parte das listas da comissão nacional, garantindo a eleição, no ano seguinte, para a Assembleia da República, como cabeça de lista pelo círculo de Aveiro. Em tempo recorde, porque já não estamos no século XX, quando tais percursos demoravam dez ou vinte anos a ser feitos, em tempo recorde, escrevia a Margarida, a protagonista palmilhou o trilho do poder, transformando-se numa figura de relevo nacional. Chegara ao poder central, de onde tudo passa a paisagem a modelar ao gosto dos caprichos de provincianos deslumbrados. Cumpria-se a história do país dos últimos séculos.

        Na capital, rapidamente se adaptou à teia de relações que interessam a quem tem pretensões de poder. Tornou-se amiga chegada e pretensa discípula de figura maior do partido, uma mulher inteligente, arrivista e azeda, com preparação académica e percurso de vida que faria adivinhar melhor futuro. Nos últimos dez ou vinte anos, ao entrar na onda de ditames contra a realidade, e do novo e empolgante conceito de história e factualidade errada, fora perdendo o controlo sobre opiniões ou princípios defendidos, e traída pelo próprio azedume e ressentimento fora engolida pelos slogans apregoados. Como previsível o mundo do moderninho consumira-se a si mesmo. Por falta adesão aos factos, o politicamente correcto entrara em autocombustão.

        Em pouco tempo, a Ana Paula aproximou-se, percebeu as fraquezas e, estrategicamente, deixou-se ficar como figura de segunda linha, até ter a certeza de ter aprendido a arte de fazer política. Teve de estabelecer as relações necessárias, estreitar os ódios convenientes e aprimorar o discurso de demagoga. Teve de polir todas as arestas de mulher de paixões e opiniões. Aprender a defender as que rendem likes no Facebook e seguidores no Twitter. A moderninha daria lugar à ditadorazita de Espinho. Afinal, a protagonista era uma mulher do seu tempo e tarde ou cedo mostraria ao país a razão de déspota se escrever no feminino.

        A Margarida reflectiu sobre a última frase escrita e sentiu aproximar-se o final do livro. Folheou-o. Queria tranquilizar-se. Estar certa do problema não estar na ascensão ao poder por gente vinda da província, mas sim a ascensão ao poder de quem traduz cosmopolitismo pela ideia superioridade da cidade, enquanto núcleo do poder e das relações que interessam. Por espíritos provincianos, oriundos da mais recôndita aldeia do país ou de qualquer avenida lisboeta. Já nos chegava a visão estreita e pacóvia das elites das gerações anteriores, que não diferenciavam ser cosmopolita do bajular de correntes de pensamento estrangeiras e, por isso mesmo, se sentiam envergonhadas do país onde nasceram, como temos as novas gerações de deslumbrados e deseducados, a afiançarem a ideia de que ser cosmopolita, é ser moderno, urbano, abusar das novas tecnologias e defender de forma militante o apagão da história; a tal que explica o nosso estágio de civilização.

       Eterna ingénua, ansiava por velhos e novos ascendidos à nata do país cientes de não haver cosmopolismo sem o respeito por quem habita o universo, venha de onde vier. Sabedores do princípio íntimo do começo do universo. Vincava a ideia da necessidade de se ter mundo. Fazer parte do universo e respeitar-se a si e ao outro é mais difícil do que parece, dispensa a sobranceria pacóvia dos velhos privilegiados e impõe o conhecimento e compreensão dos factos da história desprezado pelas novas elites. E feita esta consideração, não sem antes rir da conclusão tirada, como qualquer outra resposta descabida na literatura, foi à pasta dos meus documentos procurar o primeiro início do livro que pretendia escrever, mas ao qual não dera continuidade, por se ter perdido a contar a vida da protagonista e outras personagens. Ainda assim decidiu, tal como tinha anunciado ao Vicente, valer-se do esboço inicial e passá-lo para o epílogo. Copiou e colou o texto. Trocou o título, apagando Ana Paula e escrevendo O Livro dos três Princípios. Simplificou, limpando as considerações inúteis sobre a evolução política dos últimos cinquenta anos, e sorriu ao ver novamente da cena triunfal da Ana Paula, a atravessar o jardim, calçada de revolução. Aí estava o terceiro princípio do livro.

Ao sabor do vento favorável

por Isabel Paulos, em 27.09.21

Se há coisa deprimente é ao primeiro cheiro de poder começar a ver surgirem das sarjetas os ratos calados.

Ressaca

por Isabel Paulos, em 27.09.21

Bom. Mil vezes dito: ninguém adivinhava, ninguém previa. Mil vezes repetido. Assim passará a verdade incontestável. Nada muda entre jornalistas, analistas políticos, humoristas e comentadores e demais vozes amplificadas. Nada perceberam. Como sempre a vida continua. Há uns anos estas coisas irritavam-me. Hoje carrego o alheio desprezo pela verdade como uma espécie de orgulhosa ironia - tal como outros ingénuos ou desajustados, supostamente incapazes de análise e acção qualificada. Os espertos são eles, os preparados são eles, os oráculos da sabedoria são eles, nem que continuem de baboseira em baboseira, de desdém em desdém, de prosápia em prosápia.

A vida continua. Só espero que a actuação do Presidente eleito da Câmara de Lisboa não corresponda ao discurso de vitória, caso contrário, os lisboetas estão desgraçados. 

Rui Rio vai levando paulatinamente a sua avante, como compete a quem tem juízo e não se deixa demover pelas constantes desconsiderações e tonterias dos eternos treinadores de bancada. Por cada crítica válida à liderança de Rui Rio, há dez de pura maledicência ou patetice de fala-baratos.  

Carlos Moedas ganhou como estava escrito nas estrelas. Página virada.

A ver se durante o dia encontro um assunto além Autárquicas que me motive a escrever um postal. Tudo isto foi muito cansativo. Por enquanto resta apenas a dor de cabeça de ter estado colada à televisão até às 3h00. Já não via televisão assim há uns tempos largos.

Cognome

por Isabel Paulos, em 27.09.21

Costa, o surreal.

Costa, o desleal. 

Notícias da varanda

por Isabel Paulos, em 26.09.21

Na roseira secou a primeira a rosa a florir, mas surgiu um novo botão. A sardinheira está quase seca. A alegria continua impante. Os cactos iguais a si próprios. A nespereira com folhas novas. A japoneira já com rebentos. A cujo nome não sei tem um filhote - filho de mãe incógnita.

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 26.09.21

A Bola de Cristal que consultei no passado dia 21 a propósito de Lisboa ficou hoje um pouco mais baça e não me revelou em pormenor os próximos episódios. De qualquer forma, é uma bola que cumpre aquilo a que se propõe: houve surpresa a favor de Carlos Moedas. A ver vamos o final da noite.

Como é evidente estou contente.

Quanto ao Porto apesar de estarem a sublinhar o mau resultado do PSD, só posso referir que devem ter andado distraídos das sondagens que davam uma clara vantagem do PS sobre o PSD, que não é tão óbvia nas sondagens de hoje. Enfim.

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O último sonho

por Isabel Paulos, em 26.09.21

Numa praia o cão de uma amiga (que no real não tem cão nem gato) fareja uns pequenos tubinhos amarelos colocados na vertical entre as algas ressequidas na areia. Ela assusta-se, diz-me que há uma norma europeia a regular “aquelas coisas” e que ainda por cima não tem seguro por estar mal de finanças. Descanso-a: o cão não roeu nada, está tudo bem. Começo a ouvir burburinho e olho para o mar, vejo o mar muito calmo, na água translúcida várias pessoas de pé outras a nadar, mais afastada está uma rapariga que nada debaixo de água. Percebo que o burburinho é sobre ela: dizem que se está a afogar.  Hesito, mas fico tranquila quando percebo pelos movimentos do corpo que não demonstra estar aflita. Várias pessoas acorrem para salvá-la, começam a nadar na sua direcção. Mas não se aproximam do local exacto. Olho para lá e penso que o movimento que fazem ao nadar turva a água e de perto não a conseguem ver. Continuo a vê-la tranquila a nadar e tranquila fico. As pessoas no areal começam a dar sinal gritando para o mar a posição exacta. Na areia faço festinhas a um cão de médio porte muito meigo. Aproxima-se outro pequenino também meigo. Continuo na mimalhice aos dois. Tudo sereno.

Sábado

por Isabel Paulos, em 26.09.21

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A prima Pipa é um doce e depois de algum medo passou à posição de brincadeira, por fim bem usou a táctica do "não estou nem aí" para ver se o Ritz se aproximava, mas ele eriçou, rosnou e só passado bastante tempo relaxou, ainda assim não deixou aproximação total. Foi a segunda visita. Na primeira nem debaixo da cama saiu. À terceira deve estar apto a brincar.

Arrumar as palavras

por Isabel Paulos, em 26.09.21

O drama dos dias presentes. A facilidade com que se arranja razões super inteligentes e atraentes para justificar a falta de mero bom senso e responsabilidade, a ausência de coragem. O erro ou defeito está sempre no outro e nas circunstâncias. Toda a acção do sujeito argumentativo - ou não estivesse ele tão esfregado como a lâmpada de Aladino - é fortaleza inatacável e de suposta desarmante honestidade. É um expert: conhece sempre mais e melhor - com maior pormenor e minúcia - a realidade do que os demais. O sujeito argumentativo tece brilhante teia de elucubrações  - na maioria dos casos com tentativa de ironia ou ensaio de polémica - e seduz leitores ou ouvintes para absolutas vacuidades disfarçadas de reflexão.

O que mais há espalhado pelo espaço público é gente dita adulta que parece não ter tido uma voz materna ou paterna que a ensinasse a arrumar o quarto depois de brincar. É tão divertido brincar com as palavras e tão maçador arrumar a confusão final gerada pelas ditas.

Ter acesso a instrução - no ensino público e privado - e às colossais fontes de informação digitais é fácil. Através deles adquirir boa oratória e retórica não é difícil. Ter entrada no espaço público e megafone além de fácil é barato para o mundo rico. Agora arrumar as ideias em consciência e respeito pelo todo e pelos outros é um caso bicudo. Ser responsável é muito aborrecido. Assobiar para o lado e esperar que alguém arrume o quarto é muito mais engraçado. É de facto tentador arranjar múltiplas razões para não cumprir as obrigações que fazem sentido não por serem pessoalmente vantajosas, mas por trazem benefício ao outro, à família ou à comunidade: dói-me a barriga, não fui eu que desarrumei, o outro menino também não arruma, tenho de estudar, ainda ontem arrumei, sou hiperactivo, sou uma criança indefesa, isto são maus tratos na infância. Qualquer coisa serve de desculpa para os pequenos grandes caprichos e egoísmos das meninas e meninos - dos 18 aos 80 anos - com vidas demasiado fáceis. Cada vez mais fáceis. Cada vez mais mimados.

Ao retardador

por Isabel Paulos, em 25.09.21

Das coisas que mais me irrita em mim: nunca perceber à primeira. Raio de carburador lento. Deve ter sido praga à nascença: ser um calhau precipitado.

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14 Agosto 2014