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Últimos cartuchos

por Isabel Paulos, em 23.12.21

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Em preparação para recomeçar a trabalhar a 100% (em teletrabalho por duas semanas).

Ao que assisto desde criança

por Isabel Paulos, em 23.12.21

É muito curioso ler ou ouvir declarações inflamadas contra a injustiça de escolhas para determinados prémios, cargos ou tarefas. Os mesmos que escrevem e discursam com grande propriedade contra o compadrio ou mediocridade na selecção, rejeitam a mestria ou atiram sistematicamente para lugares subalternos e invisíveis gente de qualidade por medo ou cobardia – a ousadia e exigência assustam – para premiarem a vulgaridade.

É um vício nacional, estando longe de só se verificar na política que, aliás, só replica os usos da sociedade. Protela-se o país dissimulando a injustiça, fazendo de conta que não se repara no mérito alheio - de que se tira partido a bel prazer - e fabricando meia dúzia de elogios floreados, forçados e imerecidos a quem faz parte das tribos influentes para tentar convencer papalvos.

Os mesmos que observando o passado enunciam as grandes injustiças que se fizeram com vultos a quem mais tarde se reconheceu grande valor, durante a vida desconsideram semelhantes valores, chegando mesmo a desprezá-los para dar espaço e enaltecer vacuidades.

Os mesmos que louvam a independência de pensamento de raras figuras destacadas são incapazes de respeitar a liberdade e independência de gente comum, que não faça soar as sinetas do poder, dos interesses, da popularidade, da polémica - enfim, de tudo quanto tenha valor venal.

É o país que temos.

Bom Natal

por Isabel Paulos, em 23.12.21

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Votos de um Bom Natal para todos os leitores e amigos das Comezinhas.

*

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Este ano o Menino Jesus escondeu-se das garras do terrorista.

Para o ano voltará.

Covid-19

por Isabel Paulos, em 22.12.21

Cada vez mais afastada dos temas que parecem tocar todos, o facto de quase não haver postais nas Comezinhas sobre a pandemia não é uma premeditação. Simplesmente o assunto não entra nos meus pensamentos e só entra em conversas quando puxado por outra pessoa. Nessas alturas sinto penosamente a obrigação de dizer qualquer coisa e, como é evidente, saem vacuidades. É certo que é uma sorte não ter o vírus como tema, quanto mais não seja quer dizer que não perturbou a vida dos meus. Há um certo egoísmo nisto, mas há também uma total falta de paciência para a dissecação e histerismo associado.

De qualquer modo, também para que este blogue não pareça extraterrestre de todo, cumpre-me informar que sim, ainda me recordo que desde final de 2019 - Março de 2020 em Portugal - continuamos a viver sob a ameaça do coronavírus, tendo morrido mais de cinco milhões e trezentas mil pessoas por esse mundo fora, além das muitas que terão sucumbido à falta de tratamento de outras maleitas em virtude do congestionamento dos serviços hospitalares decorrente desta situação de excepção. No início do ano a variante Delta era a preocupação agora é a Ómicron, mais transmissível e menos mortal. Já ouvi especialistas alertar para a possibilidade de surgirem novas variantes e considerarem a hipótese das mutações poderem degenerar quer na maior transmissibilidade, quer na maior severidade da doença.

Quanto ao resto, ao mundo de opiniões sobre o vírus em si ou sobre a forma como os governos vão fazendo frente à propagação vou-me abster. No Verão passado opinei com irritação, mas volto à sensação inicial. Quase não tenho opinião. Limitei-me a vacinar na minha vez e tenciono voltar a fazê-lo quando tiver vez, a procurar não ouvir notícias em excesso sobre o assunto e a continuar na minha vida o mais normal possível longe dos histerismos e culpabilizações que reparei tanto atraírem milhares de ridículos e excitados indivíduos nas primeiras fases da pandemia, sempre dispostos a acusar o vizinho do lado de violar as regras e propagar a doença.

As cores

por Isabel Paulos, em 22.12.21

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Este final de ano não vou escrever aqui sobre previsões astrológicas, mas não resisto a uma pequena nota de superstição. Deixo o significado das cores retirado de uma página brasileira e conto que depois de há dois anos ter eleito o cor-de-rosa - é sabido que os resultados desta cor são sempre desastrosos - e o ano passado o amarelo - sob o ponto de vista material houve uma melhoria ténue - para 2022 vou escolher o laranja. Nada tem a ver com o PSD, mas sim com a vontade de ter genica suficiente para tomar importantes decisões e levá-las avante.

Fica a palete de cores para os leitores das Comezinhas escolherem a sua eleita para 2022.

Comezinhas 2021

- resumo do ano -

por Isabel Paulos, em 21.12.21

O que se pôde encontrar nas Comezinhas neste 2021 que agora termina? Acordar com um bom dia florido entre apontamentos de harmonia sobre a vida caseira, em postais como costura, varandacasa & conforto e sol e sombra. A contrastar com as fúrias e desilusões com o mundo das máscaras deste Portugal no seu pior entregue à voz dominante dos coveiros. A arrogância de uma elite de fancaria que não permite se trate do bê-á-bá e se ofenda velada e sistematicamente quem não quer entrar no joguinho hipócrita da opinião institucional das televisões, jornais e blogues - plural só na aparência. Tristeza recorrente que me leva dia após dia a escrever mais um postal daqueles no mundo da convicção.

Deixo memórias íntimas no início e no fim ou apenas risonhas a propósito de automóveis. Sobre futebóis, equívocos virtuais, olfacto e o céu nocturno estrelado. Tão simples como a observação da envolvência nas esperas e pequenas viagens de autocarros num mundo efabulado. Mais antigas, recordando os Júlios, ou mais recentes sobre o percurso no trabalho. E o recorrente exame de consciência fora de moda: são os caminhos mais apertados que se escolhem.

Fiz nota no dia da chegada do novo elemento da família Ritz e também da vida selvagem que se lhe seguiu. Uns entram, outros espero que saiam. Não que não lhes tenha dedicado tempo e atenção, mas posto que tudo quanto querem é joguinhos levianos e dissimulados de sedução é bom que fiquem para trás, no passado - têm muito por onde escolher para lançar as suas redes de arrasto. Ano novo, vida nova. Ainda assim fica o registo dos meus devaneios imbecis aqui mesmo nas Comezinhas: brumaspasmadanovelo.

Sorteei três diários de 6 de Fevereiro, 8 de Agosto e 13 de Setembro, afinal foram recorrentes ao longo do ano. E como já tinha notado no ano passado, sempre tenho umas leves notas feministas, agora nos postais mulheres convencionaisaos ladrões da luz e estratégia masculina um e dois

Escrevi um pequeno texto bonito: são truques; outro de que gosto, ou não se chamasse coisa. Tive férias com apontamento de Verão num brando contentamento. Contei a minha mudança profissional. Dei conta mais uma voltinha na Uber e de um corte de cabelo.

Falei de sonhos em vários postais, fica um de amostra. E também de um pesadelo. Confessei uma vez mais as minhas dificuldades de concentração, o que deve explicar em parte a relação esdrúxula que tenho com a leitura, patente nas entradas A Queda e alfarrabistas.

O Nuno veio às Comezinhas para desconfinarmos e falei dessa busca e acaso que é o amor com as particularidades que possui, como a cegueira.

Opinei sobre colonização, mundo árabe e  extremismo islâmicoa linguagem e o que se diz, a moda da psicanálise na vida corrente e o que não se costuma dizer a propósito do existencialismo e comunismo.

E estou a construir algumas séries. O Espanador cuja ideia é realçar notícias ou aspectos cujo interesse me cative sobre cada país. Os Verdes que são memórias de Valinhas. As Tílias que contendo também memórias minhas e dos meus são excertos de uma tentativa de novela ou romance que ficou por fazer ou se está a fazer desta forma estranha.

Quase a terminar o ano perguntei-me: o que seria uma vida boa?

*

No final do ano passado fiz igual suma para o ano anterior no postal Comezinhas 2020.

Spyro Gira

Jazz San Javier 2016

por Isabel Paulos, em 21.12.21

Leituras de 2021

por Isabel Paulos, em 20.12.21

Deixo aqui a relação das leituras de 2021 de que me lembro. Desta vez foi-me fácil refazer o fio da meada por ter deixado ao longo do ano postais com fotografias de muitas das leituras que ia fazendo.

  • Férias em Paris, de Somerset Maugham;
  • Contos, de Vergílio Ferreira;
  • Doze contos Peregrinos, de Gabriel Garcia Márquez;
  • A Selva, de Ferreira de Castro;
  • Não mais amores, de Javier Marías;
  • Água Viva, de Clarice Lispector;
  • As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai;
  • Poesia III, de José Gomes Ferreira, Diabril Editora;
  • Poeta Militante II, de José Gomes Ferreira, Círculo de Leitores;
  • Terra e Cinzas, de Atiq Rahimi;
  • Giz Preto, de Gonçalo Fernandes;
  • Os poemas da minha vida, Escolha de Freitas do Amaral, Público;
  • Filosofia para pessoas com pressa, de Lesley Levene;
  • História da Filosofia, de Julián Marías (consulta demorada e não leitura);
  • As Melhores Crónicas de Amor, de Miguel Esteves Cardoso.

É natural que tenha lido mais uns livritos, sobretudo, contos e poesia. Ou que tenha terminado romances começados no ano anterior. Mas fica o essencial.

Reparo que me poupei muito: nenhum calhamaço para me desgastar a mioleira. Tudo leituras não direi leves - seria um desprimor -, mas pouco volumosas, a condizer com a actual disponibilidade e capacidade de concentração.

Na calha (dois deles há um par de anos e já começados):

  • As Rotas da Seda, Peter Frankopan;
  • Para Sempre, Vergílio Ferreira;
  • Dom Casmurro, Machado de Assis.

Insegurança

por Isabel Paulos, em 20.12.21

Tantas vezes dóis-te das tuas fragilidades, vendo os outros como fortalezas plenas de segurança. Admiras ou invejas sem grande maldade a confiança convicta dos outros quando comparada com a tua confiança temerária que ora vai e se atira ao futuro a tremer de medo ora recua expectante e hesitante. Tantas vezes dás por ti a desejar ser menos insegura e saber definir ao menos para ti aquilo a que aspiras.

Eis quando reparas num pormenor de fragilidade de alguém e ficas a pensar: se sofrem da eterna dúvida como tu, como conseguirão fazer passar a imagem de segurança? Nunca o saberias fazer.

Boas intenções

por Isabel Paulos, em 20.12.21

Nas últimas três horas estive a reler o último ano das Comezinhas no intuito de à semelhança do ano passado escrever um postal que faça a ligação entre cerca de vinte ou vinte cinco entradas. Sucede que não tive critério algum dando por mim a reunir perto de oitenta. Como é óbvio vou fazer um desbaste à séria para não tornar o 2021 revisitado numa estucha. Se conseguir durante esta semana publicarei o resultado. Como começo a ter algum trabalho já a partir de amanhã (hoje, aliás), vai ser mais difícil arranjar tempo. Logo se vê.

Boa semana.

A matutar

por Isabel Paulos, em 20.12.21

Há muito sei ser comum o acusador possuir os mesmos defeitos que denuncia. Muitas vezes dou por mim a pensar que a minha principal irritação é contra a arrogância e a prosápia. Serei arrogante e vaidosa? Parecendo que não, não levo esta consideração de ânimo leve e isto chateia-me mesmo.

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 19.12.21

Umbigo

por Isabel Paulos, em 15.05.21
 

Hoje é dia de postal preâmbulo. Vêm aí mais escritos egocêntricos, narcísicos e exibicionistas. Daí a necessidade do aviso prévio. Não porque renegue tantos defeitos – assumo-os -, mas por sentir precisar de explicar esta queda inevitável para aquilo a que pomposamente se chama cunho diarístico ou pendor intimista da prosa. Há seis ou sete anos quando comecei a escrever diariamente – nos primeiros anos apenas para mim, dando a ler a três pessoas -, pus a questão que continuo a colocar: enquanto não aprender a deixar de falar de mim quando escrevo e começar a criar alguma coisa de valor, para quê escrever? Habituei-me em adolescente usar a escrita como desabafo. Eram peças manhosas sem qualquer valor que não fosse o da cura ou catarse, que nunca dei a ler a ninguém. Fosse em prosa ou em (tentativa de) verso o resultado era mau. Má caligrafia, má gramática, má semântica. Aos 33 anos, no pior momento da minha vida, deitei tudo isso fora e fiz muito bem.

Na casa dos 20 escrevi pouco, apesar da participação na internet. Na casa dos 30 escrevi pouco, apesar de ter blogues e participar em fóruns. Digo que escrevi pouco por não considerar escrever emitir opiniões sem o mínimo critério de forma. Na segunda metade da casa dos 20  e início dos 30 conversava por escrito online em chats e fóruns, e tive os meus modestos blogues – onde me portei muito mal com os co-autores, não os respeitando nem dando liberdade suficiente. Lá juntei um amontoado de frases cheias de erros, gralhas, vaipes, gracinhas, desabafos sobre tudo e mais um par de botas. Apaguei o que pude e se tivesse mão em tudo quanto deixei, apagaria tudo. Não concordo nada com a ditadura de quem nega o direito aos autores de apagarem o que escreveram. A censura não se faz apenas no sentido de não deixar falar, como no sentido de forçar todos a dizerem e a escreverem qualquer coisa e ficarem agarrados ao que escreveram eternamente. Como se o mundo tirano se reduzisse a quem pode ou não escrever em função de poder ou não deixar perpectuar o que escreveu. Penso que quem assim age não tem a consciência que está a coarctar a liberdade de outros, salvaguardada que esteja a necessidade de quem escreve assumir por inteiro as opiniões emitidas e as consequências que daí advenham. Creio que não passa pela cabeça de muitos defensores fundamentalistas do arquivo, que todos temos direitos sobre aquilo que produzimos ou criamos – entre eles o de alienar ou destruir o resultado. E imaginar que só a cobardia ou o mau carácter justifica essa destruição é de uma pobreza de espírito própria de inquisidores.

Ao entrar nos 40 comecei a escrever diariamente sem publicar online. Nos anos anteriores crescia a vontade de construir uma novela ou romance, sempre adiada por preguiça e falta de alento. Com a idade fiquei menos preguiçosa, e o alento veio muito do Nuno, que marca a diferença de tudo quanto estava acostumada, por ser um extraordinário incentivador e constante defensor. Esta voz positiva na minha vida fez toda a diferença. Depois de muitos anos afastada na internet, no final de 2018 voltei à carga, outra. Voltando a gostar das pontuais conversas bem-dispostas e das trocas de ideias despretensiosas online. E também a apreciar dar bitaites. E a gostar muito de escrever nas Comezinhas, que fiz à imagem daquilo que verdadeiramente me dá prazer: estar como se tivesse sentada na mesa redonda da salinha da salamandra em Valinhas a conversar com muito poucos – é verdade que aqui sou eu que falo (quase) sempre, mas sei que posso visitar em silêncio ou não muitas das casas de quem me visita, aqui na SapoBlogs, na Blogger, no email ou no Whatsapp, onde possa ser. Há dias em que disparato em função de coisas que leio ali ou acolá ou da má-disposição momentânea. Desculpem-me. É a telha, não há o que fazer. Já me penalizei demais por isso e não faz sentido.

Mas voltando ao início: a questão é porquê perder tempo expondo-me, mostrando qualidades e fragilidades, se há tanto no mundo mais interessante sobre o que me debruçar? Não sei bem, ou talvez saiba: acho que ao fazê-lo falo do mundo e acreditem ou não – sei que é difícil acreditar -, mas não é do meu umbigo que escrevo ao mostrá-lo.

Azareco

por Isabel Paulos, em 19.12.21

Queria ouvir o discurso de Rui Rio e a gravação da box avariou. Todos os Invernos acontece o mesmo. O cartão ressente-se do frio e humidade, mas caramba tinha que ser hoje. A ver vamos se consigo recompôr a coisa.

Três olhares

por Isabel Paulos, em 19.12.21

Nos olhos apáticos e desapaixonados não se sabe onde está a emoção nem o pensamento. Ah, mas há olhares que iluminam, irradiam vigor e vontade de tudo devorar e olhos que sempre bebem o que outros e o mundo dizem: ora murcham ora sorriem.

Estridência

por Isabel Paulos, em 18.12.21

Há fogueiras onde arde tudo: amor, beleza, delicadeza, franqueza, honradez, bons propósitos. Há fogos que os consomem como quaisquer pedaços de madeira que nada sintam, nada dêem, nada se entreguem. Vai tudo a eito. Qualquer bom sentimento é carne para canhão. Aos olhos de quem ateia fogos, o importante é a cena, o brilho momentâneo. Hão-de vir outras achas apetecíveis à queima, prontas a produzir o fulgor que alimenta os incendiários.

Tudo o que é belo sucumbe nos propósitos menores.

Spyro Gyra

De la Luz

por Isabel Paulos, em 18.12.21

Tristeza

por Isabel Paulos, em 18.12.21

Poucas coisas me fazem ter sentimento de desprezo.

Mas é inevitável senti-lo por pessoas arrogantes que a todo o instante em vez de extraírem prazer do que fazem bem, enaltecem os seus grandes ou pequenos feitos espezinhando os outros por comparação, desporto e vanglória. Para alguns todo o propósito serve para mostrar que se é melhor que a raia miúda, a gentinha de mau gosto e hábitos, os ignorantes, enfim, os que não sabem apreciar as maravilhas do mundo e viver segundo os cânones dos auto-proclamados sábios, talentosos e detentores do bom gosto.

Dezembro no Parque

Esta tarde no Parque da Cidade e Castelo do Queijo

por Isabel Paulos, em 18.12.21

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Trapézio da rede furada

por Isabel Paulos, em 17.12.21

Uma ideia repisa a minha mente nos últimos anos, sem que a consiga ainda concretizar com exactidão. O capital humano está a levar o mesmo caminho do capital financeiro.

A todo o instante me deparo com absurdos no tempo despendido na prestação de qualquer serviço e presumo que o mesmo se passe com a produção e distribuição.

Seja ao balcão de um banco ou nos cuidados de enfermagem num centro de saúde, seja a tratar do transporte e entrega de um produto ou a preparar uma semana de aulas, o manancial de procedimentos e formalidades associadas a cada um destes actos vai-nos afastando a um ritmo alucinante do cerne da questão: conservar, administrar, poupar ou investir dinheiro, cuidar da saúde, entregar objectos ou instruir.

(veio isto a propósito da dita necessidade de mais médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar num país como o nosso que tem um excelente rácio médico/habitante; estamos face a um sumidouro de recursos e em causa pode bem estar a ideia que subjaz a este postal – a par de outras como a má gestão.)

Nos últimos 20 anos, até por experiência própria, apercebo-me do cavalgar insano de duas correntes: simplificação e eficiência, por um lado, e segurança e qualidade, por outro. Da segunda ainda não tenho opinião completamente formada, o que não invalida que tenha o direito a dizer que a sensação de absurdo se assemelha à primeira. Quanto à simplificação verifico sistematicamente que por cada mecanismo implementado (pronto, ao fim de 30 anos já podemos usar a palavra, até porque os sinónimos não ajudam), é criada outra ou, na maioria das vezes, outras tarefas adicionais. O mesmo vale para a eficiência, o que convenhamos é um contrassenso.

Este rendilhado de cúmulo sucessivo de novos procedimentos começa a tornar a vida impraticável e será a isso mesmo que seremos conduzidos a breve trecho.

(de referir que muito do que se refere neste postal decorre de obrigações legais e regulamentares em catadupa.)

 Qual o perigo disto?

Imagino que a muitos este postal pareça apenas uma ingenuidade de alguém arcaico, simplista, fora da realidade ou tão simplesmente impreparado, não percebendo a sofisticação das relações sociais e económicas, nem a necessidade de as regulamentar por imperativos de justiça e segurança; alguém que desconhece por ignorância ou preguiça as leis do parlamento ou os decretos-lei e regulamentos do governo.

Seja. De qualquer modo, vou adiantando que me parece (sim, como não estou convencida de carregar comigo a verdade do mundo num minuto para num momento posterior a desdizer sem me justificar fazendo de conta que nada disse de contrário anteriormente, e como tenho sempre dúvidas reservo-me o direito de amiúde achar, parecer, crer e ter sensações): o trabalho, o capital trabalho está a tomar o caminho do capital financeiro. E se todos podemos constatar o absurdo e o perigo de cair na especulação financeira, percebamos o que é viver a especulação laboral. 

Com toda a panóplia de teorias económicas, o toma lá dá cá entre a brigada do reumático sindical e o snobíssimo patronato parece um número de trapezistas feito sobre uma rede a ser tecida por mãos inábeis – mas muito convencidas da pertinência do seu trabalho e sempre críticas da falta de redes de segurança eficazes - numa infindável malha abstracta e especulativa que em teoria servirá para garantir eficiência na segurança em caso de queda dos artistas, mas na realidade romperá a cada tombo.

O que quero dizer é que se já nos foi nefasta a especulação financeira e se vamos percebendo que foi o caminho para a absoluta impunidade por parte de oportunistas – que existem desde que o mundo é mundo, e existirão até que o Sol se extinga, a menos que se descubra outra estrela que nos acolha longe daqui – é aterradora a ideia da especulação do trabalho. Estou a falar de gente, seres humanos. Da humanidade a trabalhar sem qualquer critério de justiça ou segurança por capitulação do sistema – cada vez mais afastado da razão primeira, da causa, de cada actividade - capitulação dessa malha de aparente sofisticação legal e procedimental que dá trabalho a tantos iluminados e esclarecidos, que desconfio não terem tempo ou vontade para colocar em perspectiva o interesse e as consequências do seu próprio labor.

Rodrigo Leão

Aniversário - Coliseu do Porto 2018

por Isabel Paulos, em 17.12.21

Neste estive lá. Coisa rara, como raro é o talento de Rodrigo Leão, que se faz acompanhar por excelentes músicos e vozes.






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