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A ver

por Isabel Paulos, em 30.04.22

A ver na SIC o programa 60 Minutos sobre a capacidade de destruição da Rússia através de ciber-ataques, nomeadamente no sector da energia incluindo a nuclear, e a forma como os Estados Unidos se preparam para os ditos e pretendem retaliar.

De recordar que Portugal, como vários países, foi alvo em Fevereiro último de ciber-ataques com origem numa bem estruturada máfia de hackers russa a empresas do sector das telecomunicações, saúde, audiovisual e financeiro.

De lembrar que essa máfia ataca em bloco através de milhares de pontos espalhados pelo mundo. 

Ex-pata

por Isabel Paulos, em 30.04.22

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Há uma noção básica de bom senso que muitos não conseguem perceber ao comentarem a invasão da Ucrânia pela Rússia, habituados que estão ao sensacionalismo e à linguagem de claque do futebol. Condenar com clareza a invasão, os crimes de guerra, o facínora do Putin e a sua clique não implica beatificar os Estados Unidos. Ser cauteloso ou mesmo crítico do papel dos norte-americanos no mundo não é incompatível com tomar posição pelo lado certo. É tão só ser prudente e, em muitos casos, tirar lições da História.

Digo isto bem ciente de também ter feito no passado o papel de pato ou, no caso, de pata, ao entrar no pingue-pongue infantil anti-comunismo versus anti-americanismo, cuja consequência é a eternização do conflito, e com isto não estou obviamente a defender a rendição da Ucrânia.

A apropriação

- os sempre em pé -

por Isabel Paulos, em 30.04.22

Muitas das lenga-lengas ideológicas a propósito por exemplo da música são anedóticas. E quem diz música, diz pintura ou literatura. O branqueamento da realidade passada em beneficio do endeusamento dos bens amados vigentes é um exercício de pura desonestidade. Mas é isso que vinga. A verdade fica sempre mais escondida e recatada, apesar da moda dos ardilosos polígrafos, que prescrevem aparentes verdades. O que interessa é fazer associações primárias ou falsas para defender os privilegiados do regime que se dizem todos muito solidários com os desfavorecidos e oprimidos, mas de modo que não os faça parecer anacrónicos - dizem-no numa retórica moderna e sofisticada que sou incapaz de reproduzir. Essas ladainhas de sucessivas efabulações disseminaram-se na sociedade de tal modo que os últimos se convenceram de tais "verdades" suportando com ignorância e voto o status dos primeiros. Até ver, começam a desconfiar.

Não há sentido crítico de espécie alguma, mas apenas mexerico e maledicência para entreter elites de fancaria e populaça, que têm vivido em profunda harmonia nesta paz podre pronta a explodir.

Não há concessões ao sensato, não há respeito pela verdade multiplicando-se à exaustão as historietas de evangelização e as lavagens cerebrais com milhões de notícias ditas muito factuais e opiniões fofinhas plagiadas - passadas a papel químico neste tempo insano em que não se ousa parar e pensar. Condena-se sumariamente todo aquele que disser o razoável caso não vá ao encontro dos estreitos quadros mentais que suportam os mitos em voga. Além de se enxovalhar quem chame a atenção para o perigo de visões únicas e para a iminência da substituição destas efabulações por outras mais perigosas, às quais muitos aderirão por cansaço e desconfiança da mentira. A menos que se comece a respeitar de facto e não através de aparente tolerância as visões e aspirações legítimas que vão sendo abafadas pelo ruído da evangelização, muitos quererão substituir engodo por engodo por necessidade de arejo e os chicos-espertos do costume que dominam os jornais, blogues e redes sociais e o espaço público de opinião estarão agarrados como lapas aos confortáveis postos do regime actual até ao dia em que este cair e passarem, com enorme convicção, a grandes educadores no novo sistema. São os sempre em pé, disfarçando-se de grandes democratas e defensores do pluralismo enxovalham todos quantos não pertencem às tribos de interesses ou não aderem à visão única do momento ou tão só aos que se mostrem um pouco mais rectos não usando maginâncias em política e que poderiam ser salvação ao extremismo, preferindo elogiar a inteligência e sagacidade política dos oportunistas, alçando-os à governação. Alegam que de forma perspicaz se limitam a relatar ou descrever factos, camuflando a forma como, associados e encostados em tribo alargada que debita a mesma oração diária nos espaços públicos, evangelizam a opinião pública condicionando o voto. E cheios de prosápia chamam a pessoas como eu radicais, aconselhando-as a se quiserem ser consideradas vergarem-se aos argumentos dos iluminados. Têm o Governo que quiseram e merecem: bem à imagem da elite rasca e pretensiosa que doutrina o país.

A ler

por Isabel Paulos, em 30.04.22

Álvaro Siza Vieira, 30 anos depois do Pritzker: "Há muitos melhores do que eu. Ai de mim quando a dúvida já não existir", no Observador.

Ao longo dos anos recebeu mais críticas construtivas ou disparates?
Construtivas são todas as que forem bem feitas, mas nós movemo-nos entre dúvidas, não há certezas em relação a atividade nenhuma. Acha que um escritor que está a escrever um livro está convencido que aquilo é genial? Não, tudo o que seja trabalho de criação contém uma grande percentagem de dúvida e a dúvida é o elemento mais útil e mais eficaz na arquitetura. Trabalhamos a partir de sequências de dúvidas, não podemos partir de certezas ou de iluminações súbitas caídas do céu. Há sempre um balanço entre convicções e dúvidas e não podemos supervalorizar uma e ignorar a outra, se não as certezas são capazes de derrapar. A dúvida pauta a atividade de qualquer criador.

Ainda costuma ter muitas dúvidas?
Muitas, principalmente no arranque dos projetos, mas não fico atormentado porque já tenho a experiência suficiente para saber que ela é necessária. Pode custar, exige uma concentração muito grande, pode causar inclusive sofrimento, mas é o elemento de trabalho certo, disso não tenho dúvidas.

*

Sábias palavras.

Com desfaçatez direi que em termos de habitação social a visão e concretização de Siza Vieira ficou muito aquém da intenção que acredito ser o mais séria possível de chegar e beneficiar os menos favorecidos. Covinha alguma praticidade agregada ao génio.

Adorei a entrevista ao venerável senhor arquitecto, por quem tenho a maior admiração. Fiquei com vontade de ir à Casa de Chá da Boa Nova. Bom pretexto para sair de casa, ou talvez não. Passou a ser espaço elitista.

Toshiko Akiyoshi

por Isabel Paulos, em 30.04.22

Diário

por Isabel Paulos, em 30.04.22

Escrever desde a primeira linha sem qualquer noção prévia do que nela ficará registado começa a ser uso. Mesclas ideias que vais tendo ao longo do dia e não estão na maioria maturadas. Será um hábito insensato além de (falta-te a palavra) leviano (talvez tenhas acertado). No tempo em que todos insultam a grosseria alheia mesmo sendo incivis e todos se querem fazer ouvir e a qualquer momento se confrontam com insultos à ignorância (não, hoje não vais falar de pavões; todos quanto te lêem já sabem do que se trata e os que venham a ler terão oportunidade de saber), não parece muito inteligente dizer o quer que seja sem freio ou sem ser num textinho muito bem calçado numa qualquer concepção aprovada pelas vozes dominantes. Mas é isso mesmo que acontece. Não foste catar temas palpitantes para dissertar, apesar de fazeres por te informar não tens opinião fechada sobre muito do essencial do correr dos dias no mundo. Sentes o Universo e tomas posição procurando não te exibires cegamente (os puristas não gostam de advérbios e tu não tens pachorra para o tédio) mais digna e com mais autoridade do que os restantes habitantes do planeta.

Trabalhaste a ritmo acelerado, a rotina dos dias corridos voltou. Intervalaste aquilo que tinhas começado a estudar. Na próxima semana deves retornar. Não tens páginas de livros para fotografar e colocar no blogue. Tens lido pouco (livros) e está muito bem assim. Convém desenjoar. O que não está bem é estares muito encafuada em casa. Situação a alterar nos próximos fins-de-semana se as estrelas permitirem.

Hoje (ontem) caiu um daqueles dias maus em que os maus vícios deste país de impunidade para trafulhas se revelam. Mas depois de te chateares e discutires acabaste por ficar numa onda de deixar rolar. Queres acreditar que as leis da Natureza acabam por funcionar. Ainda ontem (anteontem) tiveste oportunidade de verificar que às vezes se faz justiça por portas travessas. Gente que se portou muito mal contigo há menos de um ano está a ser castigada por canalhice de terceiro. Ontem (anteontem) notaste que amadureceste, ou melhor, enrijeceste. O teu usual pensamento numa ocasião como esta seria o dito correcto, ficando solidária e esquecendo o mal que te fizeram. Mas começas a perder essa postura imbecil e a regozijar em pensamento com os merecidos castigos cujo carácter enviesado não permite que a justiça da situação seja compreendida pelos alvos da divina magistratura. Não fazes questão nenhuma em beneficiar pessoalmente com a correcção e que o teu caso seja vingado - não queres nem enriquecer nem subir a nenhum pedestal. A Natureza encarrega-se de tratar do assunto à sua maneira e segues tranquila o teu discreto caminho.

Por agora é isto, esperas amanhã acordar bem-disposta e com vontade de tirar partido do fim-de-semana. Ah, só acrescentar que hoje (ontem) te deu mais um daqueles vaipes de querer mudar qualquer coisa no quotidiano. Nos últimos tempos voltaste a ponderar zarpar temporariamente do blogue, passando a concentrar a atenção nas Tílias e nos Verdes em modo caseiro e regressando ao foco na vida mais palpável. A verdade é que isto dos blogues, tal como as redes sociais (aliás, consideras os blogues uma das redes sociais) conduz a certa alienação. A menos que as relações familiares e de amizade (reais) sejam sólidas e presentes a coisa tende a não ser saudável - e isto não é só conversa para criancinhas. Sucede que este mundo estranho passou a ser o real e inevitável. A vida online impôs-se, fazendo perder tempo e disposição para o que é mais importante. Só não bates nesta tecla habitualmente porque tens reparado que quanto mais se faz esta crítica e alimenta teses sobre o assunto, mais se vive alienado das relações reais - deve ser para disfarçar. Regressando aos vaipes, concluíste hoje que te vais deixar ficar e tentar equilibrar os dois mundos não dissociando um do outro - a fórmula certa de tudo descambar. Apesar das circunstâncias recorrentes que te irritam - umas da tua responsabilidade outras não - sentirias a falta da escrita quotidiana exposta à crítica. E para seres totalmente franca a ideia de há dois anos (no primeiro destes três anos eram menos apesar da maior publicidade) teres uma dúzia de visitantes diária criou em ti um sentimento de lealdade. Se fazes companhia por alguns minutos que sejam a um punhado de "alguéns" é porque serves para alguma coisa e não estás de maneira nenhuma a minimizar-te ou vitimizar, pelo contrário, é a maneira natural como vês e sempre viste o mundo. Como já aqui escreveste, nos bons momentos sentes-te como se estivesses sentada ao serão na camilha de Valinhas, só que agora entre pouquinhos desconhecidos e conhecidos. É a tua medida.

De resto, não podes evitar os momentos maus. É esperar que passem e costumas fazer por que isso aconteça.

Ponto de situação

por Isabel Paulos, em 29.04.22

Depois de um dia mau - nem sempre acordar com bom espírito é suficiente para conseguir tragar as dificuldades a enfrentar -, cá me preparo para o exercício de escrita de banalidades. Parece que engatou isto de escrever diariamente. Logo se verá o que sairá mais tarde.

Lembrete

por Isabel Paulos, em 29.04.22

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Resultado da votação a 2 de Março de 2022 na Assembleia Geral da ONU da resolução contra a invasão na Ucrânia pela Rússia.

A ler

por Isabel Paulos, em 29.04.22

Saíram da Ucrânia até Setúbal, para fugir a mísseis, tanques e soldados russos. Mas no gabinete de apoio aos refugiados da Câmara de Setúbal, liderada pelo PCP, foram recebidos por russos. Os documentos são copiados e perguntam às mulheres onde ficaram os maridos. O medo deles voltou, no Expresso.

Diário da República

por Isabel Paulos, em 29.04.22

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Sexta-feira

por Isabel Paulos, em 29.04.22

E fim do mês. Yeahhh.

Começando o dia na usual mimalhice do gato.

GNR

Impressões Digitais

por Isabel Paulos, em 28.04.22

Intervalo

por Isabel Paulos, em 28.04.22

Em seguida intervalo nas entradas de jazz com os grandes GNR.

Elos de conhecimento

por Isabel Paulos, em 28.04.22

Pode dar ideia que misturo ideias tirando ilações erradas, mas talvez não seja assim. Das coisas que mais gozo me dá é ver gente nascida por exemplo na segunda metade da década de 90, agora na casa dos 20, a declarar-se apaixonada pelo talento de grandes músicos do século passado já desaparecidos e, em muitos casos, afastados das lides públicas já aquando do nascimento destes mais novos admiradores. O papel dos pais e outros familiares é neste campo essencial. Por vezes o conhecimento chega por outras vias: gente que se vai cruzando na vida dos mais novos - veja-se o caso dos professores -, que dá os lamirés necessários para o despertar da curiosidade. Quem fala de música, fala de literatura, pintura e demais artes. É uma delícia ler comentários das entradas no Youtube vendo a confluência de várias gerações num mesmo espaço irmanadas pelo gosto do que é bom – pena não ter muito tempo.

Ao longo da vida lidei com pessoas – entre muitas outras, felizmente – que desdenhavam, tantas vezes ridicularizando, o gosto dos mais velhos nas mais diversas áreas. Desde a gastronomia, à moda ou à música. O cliché do conflito de gerações - tema muito na moda quando era novita - mina o que se pode concluir deste desdém. Justificá-lo apenas com a natural evolução e necessidade de modernização, atirando o antigo para o campo do anacrónico quando não defeituoso ou nefasto, é a fórmula certa de deseducar os mais novos. A natural necessidade de afirmação e demarcação das novas gerações e o seu contributo como sangue novo, ímpeto e rasgo não faz esquecer que não há verdadeira abertura de espírito, evolução e civilização sem conhecimento e respeito pelo passado. Convém fazer perceber que não nasceram de geração espontânea tal como todas as descobertas - tantas vezes apresentadas como inquestionáveis achados dos novos tempos - não nascem do acaso, mas da linha contínua de contributos de gente muito válida das gerações anteriores - às vezes ostracizada pelas elites actuais por desencontros ideológicos com os lugares-comuns em voga no presente. Confirmei ao longo da vida que quanto mais desconhecedoras e desrespeitadoras do antigo são as pessoas, mais ignorantes ou certas da bondade dos valores que vingam no presente estão, e mais fáceis de manipular na adesão inconsequente às modas ou falsas contra-modas, tantas vezes inchadíssimas ao invocarem a ciência e a erudição (da treta) para efeito.

Isto não obsta a que reconheça que viver com a cabeça no passado e a falta de capacidade de compreensão do presente e novo conduz a uma certa alienação. Como em quase tudo, o meio termo faz a virtude.

Batendo numa das teclas habituais das Comezinhas, isto é, continuando a ser chata como a potassa ou chata como a ferrugem (assim me diziam em pequena), acrescento que a má fama do que é antigo funda-se também no mau exemplo da prosápia de muitos ditos connaisseurs que rejeitam e desprezam as abordagens desempoeiradas, os registos despretensiosos e o uso de plataformas e suportes mais modernos onde o conhecimento pode ser disseminado, utilizando-os à socapa em proveito próprio para robustecer as ideias sem pagar o devido tributo. Trata-de de gente e grupos que mais do que conhecimento buscam auto-gratificação, pose e auto-promoção. Em muitos casos apesar da aparência pouco valem como transmissores de pensamento, ciência e arte.

Mais uma vez: se tudo isto parece evidente e básico para tantos, para quê perder tempo? Por uma razão simples, o que parece lana-caprina a uns, não é imediato para outros. Dir-se-ia que a rejeição da pompa pelos mais novos ou desempoeirados é imediata não precisando de alerta e que qualquer indivíduo adulto medianamente inteligente percebe a importância do passado sendo escusadas as linhas naïf que dediquei ao assunto.

Há contudo um aspecto que vejo sempre bastante esquecido: o escusado hiato entre mundos díspares. Numa sociedade que se diz muito tolerante e plural, na qual toda a gente parece ter opinião e ser ouvida, a questão base fica por resolver - chegar ao outro não é apenas deixá-lo exprimir o que pensa e sente. É respeitar. É integrar no seu o que é válido no pensamento do outro não batendo o pé por ignorância militante, necessidade de afirmação, vontade de achincalhar ou por perceber que o conflito fútil rende dividendos reputacionais ou venais. Enquanto estrategicamente se confundir respeito com pensamento único, fazendo-o confundir com aquilo a que se chama respeitinho, aproveitando para o fazer cair no ridículo, não se percebe o essencial.

É também aqui que reside a causa da incultura e atraso da sociedade portuguesa, muito mais do que nos lugares-comuns sempre atirados para a discussão: o atraso económico do país, a falta de meios na educação, a falta de hábito de leitura. Nem o país é pobre, nem as dotações para o ensino são parcas, nem os miúdos lêem tão pouco (e não vou entrar na discussão estéril e também falsa da qualidade da leitura) quando comparados com as gerações anteriores. Enquanto vingarem a aparência, os clichés sobre os benefícios da leitura disseminados por gente que se percebe não entender o que lê, beatificando o ritual e a imagem em vez do lógico e real não vamos sair da cepa torta. O país beneficiaria sim, se os pretensos sábios nas mais variadas áreas profissionais descessem dos pedestais infundados e percebessem que a democracia (ai, credo, democracia escrita em minúscula) não existe para favorecer os mais fortes nos dotes de retórica e na capacidade de agremiação e auto-promoção, mas para dar a oportunidade a todos de viverem melhor e em liberdade, o que só se consegue com acesso generalizado e igualitário ao conhecimento - não confundir com acesso às peanhas da bazófia e do estéril, os bens maiores por que tantos se engalfinham em Portugal.

À devida escala todos os indivíduos são elos de conhecimento, por parco que seja. E quanto mais humilde se é a mais gente se chega. Como dizem as empregadas domésticas companheiras de viagem de autocarro, com quem muito aprendo: não levas o dinheiro para a cova. Nem a bazófia, acrescento.

Ray Charles

por Isabel Paulos, em 28.04.22

Empresa NOS

por Isabel Paulos, em 28.04.22

Nesta entrada elogiei a NOS. Da qual tenho, em regra, boa imagem. Porém como habitual nem sempre podemos confiar na palavra das empresas de serviços - apesar das gravações. Foi-me dito que na sequência da chamada iria ser contactada por outro departamento para agendar a visita do técnico - mais: só não seria marcada naquele momento por problema no sistema. Em vez disso comecei a receber sms para me deslocar a uma loja para entrega do equipamento antigo e aviso que me seria remetido por estafeta o novo. Telefonei hoje e face à pergunta fui informada que não se tratando de nova adesão (mas mera alteração) teria que pagar 40 euros pela deslocação do técnico. Não tenho pago esse serviço apesar das diversas alterações que fui fazendo ao longo dos anos. Assim, o que pouparia com o novo pacote vai ser absorvido parcialmente por este pagamento extra. A isto se chama desonestidade. Mais, faz toda a diferença a postura do funcionário que atende e trata do assunto. Quem trabalha na área dos serviços há muitos anos sabe perfeitamente que a maior parte das alcavalas cobradas são amiúde contornadas pelo bom senso de quem está atrás da linha. Como vivemos num país em que não se penaliza os artistas que aligeiram responsabilidades invocando ordens superiores, nada pode funcionar com lisura.

Jantar

por Isabel Paulos, em 27.04.22

Vai ser Yakisoba de Camarão. Mnham.

Rematado com um Harumaki de chocolate.

Ele há vidas difíceis. ;)

(Hoje nem as palavras desagradáveis nem as indirectas parvas de quem tenho que aturar me tiram a boa disposição; este dia já cá canta.)

Adenda: 22h00 - vou dormir. 

Diário

por Isabel Paulos, em 27.04.22

Acordei bem-disposta. Resultado de quase nove horas de sono. Nos últimos dias andava a esticar-me nas desoras, a estragar a disposição. (who cares?, lá vem a fulana com estas tretas insignificantes de intimidade que não adiantam nem atrasam a vida a ninguém senão a dela; falta de noção do ridículo e grande umbigo; não se tocará?, arre.) Só o facto de não apressar a rotina da primeira hora da manhã, não ter que fazer o café a correr, a praguejar, não ficar furibunda por me esquecer da meia hora de antecipação do primeiro comprimido do dia (agora são 8 diários) sobre o pequeno-almoço e sair de casa a horas para chegar só um pouco atrasada já faz melhorar o dia. (interrompi aqui o texto há três horas para tratar das tarefas que me competem – é para isso que me pagam - e agora já não sei o que ia escrever; seca.) Bem, os tempos não estão para alegrias, haja em vista os sinais de conflito e tensão nos mais diversos pontos do globo, porém o facto é que fiquei contente por tirar o guarda-chuva da carteira (gosto de chuva, mas não de carregar o chuço) e o sol está a dominar as nuvens com breves interrupções. (creio que ia referir a minha infantilidade, mas já não sei a que propósito, pelo que fico na dúvida de atirar a coisa assim sem contexto.) Cabeça-de-alho-chocho, chamavam-me em pequena quando como sempre chegava atrasada ao carro de manhã sem livros nem casaco. Agora ponho o casaco na cadeira do +1 e durante semanas seguidas visto o mesmo (tal como calço os mesmos sapatos e uso a mesmíssima carteira). Julgo que há quem note e ache a coisa no mínimo estranha neste mundo onde se gasta imenso tempo a pensar nos trapos a vestir até para ir trabalhar. A imagem, ai a imagem. Que seria deste mundo moderno sem a imagem? Vá, mas hoje também dei por mim a reparar na dentuça – é o que dá levantar-me a horas. Ao fim de três meses de uso dos alinhadores já começa a estar um nada melhorada – mais um ano e fico de novo com os dentes bonitos. Ah, lembro-me que ia mencionar que a carga elevada de mimo de que sou portadora (não tenho culpa, reclamem com os meus que me carregaram e carregam dele) se nota na forma um tanto ingénua de escrever. No fundo é o que dá cunho ao resultado (olha a pretensão, céus). Ajuda também alguma falta de vergonha e inconsequência – há quem lhe chame estupidez -, que fazem com que não precise de lançar mão do hermético, da ficção ou outra máscara para disfarçar o extravasar do que vai dentro. Nem esconder o que sou, por mais infantil que a forma seja. É a rejeição total ao asséptico e sem graça tão apreciado, valorizado e elogiado pelos ilustres (vaidosa a menina hoje, hein?). Mas sobretudo a consciência de que viver em permanente cálculo e em bicos dos pés na forma e substância valorizando o aparente rigor, a ironia forçada, o rebuscado, o supérfluo e a ambição revelam existências vazias. O outro que tanto aprecio era o Poeta Militante, fico-me pela ingénua militante. E sabe tão bem.

Acrescento: na paragem de autocarro à hora de almoço levei um forte encontrão de um homem. Estava isolada, bem fácil de contornar. Não pediu desculpa, pelo que não foi distracção. Não percebi se estava bêbado ou drogado, ou se simplesmente seria tolo. As pessoas à volta fizeram os comentários habituais - olha, olha, ele há cada um! -, limitei-me a ficar com o ar de parva natural. Seguiu a gesticular e só em casa fui ver a carteira para ver se não tinha sido técnica de larápio. Mas não, devia ser mesmo só maluco. Aquele poiso parece íman de tolos - acabei de elaborar uma tese: há zonas da cidade mais propícias a atrair malucos.

Agenda

por Isabel Paulos, em 26.04.22

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Nestas entradas dedicadas ao jazz queria chegar ao sangue novo ou mesmo aos entradotes, mas a qualidade da velha guarda vai-se impondo. Lá chegarei. Ou então, começo a entremear. Até porque estou com saudades de voltar a trazer Esperanza Spalding. Ou Norah Jones - sim, também gosto dos registos mais comerciais - jazz diluído (valerá a expressão?). Há 20 anos gostava bastante de Diana Krall, entretanto enjoei sem culpa dela, mas por a ter ouvido em excesso. Logo verei o que se seguirá.

Betty Carter

por Isabel Paulos, em 26.04.22

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