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Vladimir Putin

por Isabel Paulos, em 30.09.22

O defeito é meu, sem sombra de dúvida. Confesso a desde sempre desconfiança face ao entusiasmo com os romances e o traçar de perfis psicológicos dos facínoras que marcam a história. Hoje nos escaparates brilha Putin, o último assassino em massa que o mundo conhece. Sobre ele muita lírica se vai escrever.

No início dos anos 2000 conheci uma russa de Moscovo, casada com um ucraniano, e uma ucraniana de Lugansk, que cuidaram da minha avó durante poucos anos. Atrevida e inconsequente, com a primeira tentei encetar uma conversa sobre o perigoso KGB Putin. Com o dobro da minha idade, a Maria reduziu-me à insignificância mostrando que não ia fazer qualquer comentário que revelasse aquilo que pensava sobre o espécime. Aprendi a lição, no caso da Nina já não fiz perguntas incómodas.

É o que dá viver na ficção por ter lido na adolescência um punhado de livros sobre espionagem internacional e conhecer superficialmente as teorias da criminologia sobre traços fisionómicos dos criminosos, passando a ser sensível a caras patibulares.

Na minha ignorância e juízo leviano olho para a fronha de Putin tal como a via há 20 anos. Como então sinto-o assassino.

Sensação

por Isabel Paulos, em 30.09.22

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No Observador.

Não vou procurar provas nos jornais para justificar o comentário. Fico-me pela sensação de ainda há menos de um mês a versão dominante era a de termos atingido o pico da inflação em Julho último. 

Recado

por Isabel Paulos, em 30.09.22

Preciso dizer que não te adivinho os pensamentos, nem sei o que queres compreenda dos teus pequenos gestos. Ou melhor, até posso pressentir vários sentidos nos detalhes, mas podem estar todos errados, enganados. E tão só isso chega cá.

Bom dia.

Distância

por Isabel Paulos, em 29.09.22

Empacota o que sente para alegre e sorridente se mostrar presente nos dias dos entes queridos. Não que não os ame. Não que não os sinta muito íntimos. Não que não lhes queira bem. Mais do que bem, quer sempre o melhor para quem estima. Podia ser feliz só com o conforto da presença dos dilectos. Porém, há uma cova funda de desejo do além vivido. Anseia tanto voltar à sensação de plenitude, de tudo encaixar e fazer sentido. Como tudo pode fazer sentido, se ideia e emoção há muito partiram para parte incerta? Longe dos dias com temperatura e cheiro. Longe do toque e do olhar. Nem os ouve. E Deus teima em provocar, testar. Teima em não a deixar esquecer essa vala distante de sentimento que a afasta da realidade.

Esperanza Spalding

Exposure

por Isabel Paulos, em 29.09.22

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 28.09.22

Folgo em saber que o Governo pondera uma medida sugerida aqui nas Comezinhas a 08-01-2022.

A ler: Empresas que subam salários terão uma “redução selectiva” do IRC, hoje no Público.

*

Salário e descida de IRC com discriminação positiva

- proposta -

por Isabel Paulos, em 08.01.22
 

Em matéria de salários direita e esquerda barricam-se em posições antagónicas sem necessidade.

Está certa a direita ao afirmar que as empresas portuguesas são penalizadas por excessiva carga fiscal – além do manancial terceiro-mundista de burocracias - e que assim sufocadas dificilmente podem constituir o motor do crescimento que o país precisa para vingarem melhores salários. É verdade que aumentar salários sem apostar na base de sustentação da economia – as empresas – fomenta as importações e aumenta o endividamento público.

Da perspectiva de esquerda é inegável que os salários em Portugal são miseráveis e não havendo intervenção do Estado assim permanecerão por não haver uma cultura de respeito e retribuição justa pelo esforço e empenho dos trabalhadores. Aliás, o mal não reside apenas nos baixos salários, mas no abuso da precariedade, na carga horária excessiva, na desconsideração pelas qualificações etc.

Ao ouvir Rui Rio – em quem vou votar nas próximas eleições legislativas de 30 de Janeiro - apresentar a proposta de redução do IRC, de 21% para 19% em 2023 e 17% em 2024, ocorreu-me o tenho vindo a pensar (e escrever) nos últimos anos: em Portugal não podemos confiar no normal funcionamento do mercado como advogam os liberais, esperando que os salários aumentem à medida que as empresas se fortaleçam. Salvo honrosas excepções, essa não é a tradição das relações de trabalho entre nós. Os trabalhadores bem podem esperar sentados, aliás, bem desmotivados como se habituaram a viver.

A solução que julgo simples e exequível sob o ponto de vista fiscal é fazer uma discriminação positiva da tal baixa de IRC. Ou seja, premiar com a redução apenas as empresas que façam prova de que uma parte do benefício fiscal obtido desta forma serviu ou servirá para aumentar salários – bem sei que a maioria das empresas portuguesas têm baixa facturação, sendo o impacto muito reduzido, mas a medida teria ao menos nesses casos um efeito de moralização e de justiça básica. É certo que as empresas têm que investir no seu próprio desenvolvimento, seja através de despesas com a inovação, formação, promoção junto de novos clientes ou mercados, etc., mas não podemos esquecer que a base de sustentação da maioria das empresas é o trabalhador – quem faz, quem cria riqueza. Sendo por isso imperioso aumentar a despesa da empresa com os próprios trabalhadores.

O salário é todavia apenas uma das componentes a ter em conta. Outra seria por exemplo a das qualificações. Porque não fazer depender o benefício da descida do imposto a empresas que valorizem efectivamente – também por via do salário – trabalhadores qualificados?

Se não se impuserem regras estou certa que a diminuição do IRC, que parece à partida uma medida adequada, cairá em saco roto perpectuando-se as injustiças.

A ideia apresentada nas linhas precedentes – não sei se alguma vez objecto de proposta por alguém - é viável. Estou certa que haveria inúmeros fiscalistas capazes de desenhar um mecanismo exequível para a colocarem em prática. Parece-me bastante mais interessante do que que continuar com conversa sobranceira sobre os perfis e discursos mais ou menos atraentes de cada candidato ou sobre coligações, as quais poderão nem sequer ser necessárias.

*

Leituras complementares

O País, Caldeirada Com Todos..., 4 de Março de 2021.

Momento extraterrestre, 29 de Setembro 2021.

 

Jamie Cullum

por Isabel Paulos, em 28.09.22

Banda sonora para o resto da tarde de trabalho.

(na orelha direita.)

Pergunta

por Isabel Paulos, em 28.09.22

Depois de um século em que vingaram as distopias na literatura e numa época em que se privilegia o sórdido e a dissimulação, normalizando-os, será que uma utopia seria engolida pelo logro do fascismo ou de qualquer outra forma de autoritarismo?

A ler

por Isabel Paulos, em 28.09.22

Pelo menos um terço das peças de Shakespeare foram escritas em colaboração

Gabriel Egan, em colaboração com especialistas da Universidade da Pennsylvania, analisou as “pegadas linguísticas” das obras de Shakespeare e concluiu que pelo menos 14 foram escritas em colaboração., no Observador.

*

Posso imaginar o conforto sentido por alguns ao lerem isto. A justificação perfeita para o vale tudo sob a capa de colaboração benigna. São um mimo mesmo a calhar estes estudos que defendem que parte da obra de Shakespeare é fruto de colaboração com outros autores.

Diário

por Isabel Paulos, em 28.09.22

Dias tensos e apinhados do que fazer. No passado fim-de-semana a necessidade de desligar o botão para conseguir o desejado sossego. Conversa cúmplice com quem já viveu suficientes dificuldades para se deixar abater às milésimas contrariedades. Um colo íntimo e amado que compreende o estrebuchar e a reactividade às adversidades. Decisões importantes para futuro. A mais importante. Quando tudo treme descobrem-se as réstias de forças que impulsionam novos caminhos e novo élan de vida.

E a semana entrou a ferros com má notícia profissional. Cá estamos para enfrentar o que der e vier. Mais um abano. Mais um estremeção. O dia seguinte correu com mais consultas médicas da praxe (sem qualquer preocupação) e burocracias. Avizinham-se os 80 anos do pai e a vontade da filha em escorripichar os pais o mais possível com as memórias que se perderão se não forem transmitidas agora com tempo e disponibilidade para audição atenta, só existente em criança ou depois dos 40 - parece-me normal na adolescência, nos 20 e 30 centrarmo-nos mais em nós.

Aproxima-se o pulo aos canais do Norte e hoje parei para ver o mapa por mais uns minutos - em Agosto passei os olhos de relance para calcular percursos, hoje voltei ao mesmo, ainda assim será à descoberta já que o cérebro está cada vez mais preguiçoso. O certo é que a logística me deixa ansiosa e a decisão de comprar os bilhetes e ir em frente teve muito a ver com a necessidade de quebrar o círculo vicioso dos receios que me atam a casa ou territórios de mais fácil gestão. Não há como enfrentar os medos para superá-los, ainda que tudo isto soe a coisa muito pequena para quem se aviou sem o mais pequeno pingo de preocupação numa primeira viagem fora de fronteiras sozinha aos 16 anos. Às vezes tenho saudade do desembaraço da adolescência e da juventude.

Durante o dia pensei em escrever sobre (a nossa) tolerância e intolerância. E descobri o primeiro véu para o terceiro dos quatro ou cinco livros que tenciono escrever se chegar a velhinha. Pensei em escrevê-lo à mão. Se não valer por mais nada, valerá só pelo que vou rir ao não conseguir decifrar o manuscrito. Não há nada como rir comigo própria. Antes disso, convém dar a corda aos sapatos das Tílias até porque fazendo as contas já não tenho uma década para cada livro. Ah e tal e coisa conversa com os meus botões: falas demais, rapariga, contas demais e assim não és levada a sério. Além de dares o ouro aos bandidos. Ah, pois é.

The Cliff House

por Isabel Paulos, em 27.09.22

Mexeram com um encostado

por Isabel Paulos, em 27.09.22

Mexeram com um encostado de uma das tribos mais estridentes da praça. Logo a matilha salta em uníssono, em dissimulada retórica viperina, quais virgens ofendidas. Mais tarde acabarão por sair vitoriosos, à custa do visco que expelem. Sempre na mó de cima. Em permanente bicos de pés, a produzir lodo e muita conversa sobre princípios, nunca saberão o que é ser digno. Disfarçadamente todos os dias estimulam o ódio e a violência a coberto de grandes enunciados de valores fundamentais. É isto que vende.

Duas Notas

por Isabel Paulos, em 26.09.22
  • Independência zero

Com um pouco de atenção e distanciamento bastante dos sujeitos e objectos de análise de muito do que se diz e escreve em português de Portugal é impossível para quem for isento não entender que não só não há o hábito entre nós de ter opinião independente como ela é malquista. Os exemplos de personalidades independentes dados pontualmente por quem tem voz na nossa praça são de um ridículo só. No passado como no presente os ditos grandes pensadores independentes estiveram sempre encostados ou eram devotos do clã preponderante na sociedade portuguesa. O facto de serem estudiosos, intelectualmente preparados e usarem um estilo belicoso de escrita ou oralidade não faz deles gente independente. Não só estavam e estão bem calçados como têm rol de discípulos prontos não a beber dos seus ensinamentos, mas a bajulá-los sem sentido crítico de espécie alguma, por pura necessidade de criar frisson.

Com objectividade, e não pessimismo, afasto qualquer possibilidade de fazer ver a mais singela realidade. Apesar disso expresso a ideia uma vez mais para registo futuro. Neste mundinho pequeno em que melhor ou pior todos se conhecem não só de maus-caracteres é feita a corrente dominante e a prepotência dos interesses. Gente bem intencionada não resiste ao encosto e ao conforto se de dar bem com todos. Uma forma muito nossa de brandos costumes e, no fundo, de desonestidade – aos portugueses falta o "danoninho" para serem decentes apesar de usarem a palavra "decente" ou sinónimos amiúde como se soubessem o que é. Todos admiram muito todos na exacta medida em que isso beneficia as suas pequenas ambições. Todos, numa massa mole de cobardia, calam as sujeiras que conhecem para não prejudicar aspirações próprias.  Quando muito soltam uma verdadezita aqui outra acolá em conluio com a sua tribo, de costas bem quentes, e sempre para queimar algum sujeito que passe a malquisto por razões de conveniência e de sobrevivência das matilhas preponderantes.

E elogiam-se os "corajosos" que de modo desabrido ajudam a enaltecer a corrente dominante de pensamento, simulada num ou noutro toque alternativo ou de vislumbre genial forjados no momento para dar o ar de desalinho. Vale a aparência de independência e nunca a propriamente dita. Essa será irremediavelmente mantida a distancia prudente como se fosse lepra, por medo de contágio. A independência verdadeira será sempre convenientemente etiquetada de lunática e infundada, uma fraqueza de gente inadaptada do mundo normal.

  • Enquadrar

Basta a morte de uma personalidade ou uma qualquer efeméride para darmos de caras com enquadramentos assustadores. Os mortos e homenageados nas efemérides dariam voltas de cobra no caixão se ouvissem as palavras a si dirigidas. Um acumulado de lugares-comuns que dizem muito mais da educação ou falta dela, da experiência de vida e das aspirações dos obituaristas e lisonjeadores da praça do que das individualidades sobre as quais se debruçam. É um deserto árido, sempre mais do mesmo, a diferença que decorre entre a vida e o carácter dos homenageados e aquilo que sobre si é dito seja por total incompreensão do mundo dos primeiros seja pela aspiração dos lisonjeadores - ou dos detractores, também existem -, a dissertar sobre aquilo que desconhecem.

A ler

por Isabel Paulos, em 23.09.22

Quarteirão Miguel Bombarda: 15 anos de galerias de arte, lojas alternativas e multiculturalidade, no Observador.

Não é que a perspectiva escolhida pelo jornal para apresentar a Rua de Miguel Bombarda me pareça a melhor. Mas, neste caso, antes dizer alguma coisa (na moda) do que nada.

The Matchbook

por Isabel Paulos, em 23.09.22

Jornais

por Isabel Paulos, em 22.09.22

Não costumo fazer isto, mas vou dirigir uma pergunta aos pouquinhos leitores das Comezinhas. Nem vou destacar, para a coisa ficar entre nós, os poucos.

Nos últimos anos subscrevo um jornal. Nos últimos três, o Observador, que em muitos aspectos me encanita. A contenção de contas determinou que só tenha aderido a um, mas face aos tempos conturbados que correm e a necessidade de estarmos informados considero que posso fazer uma extravagância e subscrever outro.

Estou inclinada para o Público. Mas ainda não decidi. Até pode ser que não chegue a fazer a subscrição de mais nenhum. Mas, que acham? Devo aderir a um diário ou semanal? Português ou estrangeiro? Qual? E da vossa parte, subscrevem algum?

Marisa Liz (António Variações)

Guerra Nuclear

por Isabel Paulos, em 22.09.22

Duas notas

por Isabel Paulos, em 21.09.22

Lembro agora, ao acordar de uma soneca no sofá após jantar e ouvir a sagrada dupla mediática da temporada Rogeiro/Milhazes (não é sarcasmo, se lerem as Comezinhas atrás podem perceber que os aprecio), os grandes pensamentos que me ocorreram ao fechar o estaminé ao fim da tarde. Bem, em rigor ao acordar pensei no recorrente, mas isso não merece registo, cedo ou tarde há-de ir a enterrar. Um pouco depois recordei detalhes que denotam falta de respeito pelo outro e no segundo caso indecência: o pedido descontraído para que alguém recorde o atarefado de uma obrigação e a pilhagem de ideias em proveito próprio. Ora, vou explorá-las sem me demorar. Quantas pessoas, sobretudo mulheres, dão por si a terem montanhas de preocupações e assuntos a tratar e ainda assim fazerem de babysitting ou secretariado de gente que se diz muito ocupada e sem tempo para gerir a própria agenda de compromissos. Trata-se em muitos casos de puro abuso. Quanto à segunda. Não raro assistimos à pilhagem indiscriminada de ideias ou apontamentos de várias pessoas por quem cria conteúdos (como é uso dizer). Já assisti ao caricato do pilhado fazer notar ao apropriador que disse aquilo em tal momento e o último assobiar para o ar como se tivesse descoberto a pólvora. Não viria mal mundo, antes pelo contrário, se o uso fosse em benefício de todos e não em proveito e vaidade de quem pilha. A diferença parece ténue, mas é muito fácil de traçar. Gente educada e de carácter (de facto e não na aparência) percebe bem essa linha divisória. Agora crescer à custa dos outros e quando a coisa corre mal falar de inveja e denegrir as fontes do conhecimento é de total pobreza de espírito. Esperteza saloia no seu esplendor. O mundo não está para os inteligentes, mas para os espertos. E até estas notas que acabei de escrever podem ser em pequena parte pilhadas para um qualquer florete de retórica oca. E nada disto tem a ver com a natural e salutar inspiração mútua que continua muito recomendável.

O real e a comunicação

por Isabel Paulos, em 21.09.22

Hoje a comunicação global condiciona e instiga o real. Mal de nós, por muito enganados estejamos pontualmente, se não entendermos a dinâmica da informação global e a importância do bom senso. Há momentos em que o poder de decisão parece estar absolutamente fora do controlo não só pela insanidade ou crueldade de figuras de poder de grande dimensão, como pelo enrolar em bola de neve da própria comunicação.

Mais menoridades

por Isabel Paulos, em 21.09.22

A propósito de um post de ontem sobre máscaras.

Em regra, nada me repugna no uso de pseudónimos, heterónimos, etc. e tal, ou mesmo no anonimato. Sucede que nem sempre o dito é usado para dar asas à criatividade, mas antes para azucrinar alvos precisos. Nada que não suceda com quem se identifique. Aliás, há os que acumulam: perfil identificado e perfis falsos. A dissimulação pode ser usada e causar ainda mais estragos por quem usa nome e apelido quando minimamente inteligente, engenhoso e sem escrúpulos.  

(hoje para variar vou escusar-me relembrar a pulhice a que fui sujeita no passado.)

O mundo online é tal qual o mundo físico. A aparência vinga. E os grandes proclamadores dos melhores princípios podem bem ser o que mais prejudicam quem consigo se cruza e não vai ao beija-mão.

No passado fartei-me de usar o que se chamava no início destas actividades cibernéticas nicknames. Usei o mesmo anos a fio em várias plataformas e quando regressei em 2018 voltei a usá-lo. O que só me trouxe vantagens, por voltar a rever gente de quem não sabia há 15 anos. Esse e outros que usei pontualmente ou apenas o nome próprio estavam, em regra, suportados nos meus endereços electrónicos que contém nome e apelido. O facto de não usar explicitamente nome e apelido tinha muito menos a ver com medo de assumir posições próprias e mais com a vontade de não desbaratar um apelido que não me identifica apenas a mim. Naturalmente quis preservar os que me são mais importantes.

Não sou impoluta. Recordo situações pontuais em que não tendo assinado nome e apelido vinquei posições a até me chateei. Na grande maioria dos casos, em igualdade de circunstância com quem se me opunha. E mais uma vez com suporte identificável. Não tenho a menor tolerância com moralistas e acusadores que, apesar de se afirmarem absolutamente puros e corajosos, a qualquer momento se revelam traiçoeiros.

Entre 2007 e 2018 afastei-me deste mundo a bem da saúde. Tinha medo e nojo deste mundo virtual. Quando se dá opinião, ainda que básica e sem pedigree, sobretudo se for política, e quando militantemente não se integra as tribos de protecção e ataque que se estabelecem na praça, agindo por conta própria, de modo inteiramente independente, está-se sujeito ao ódio e ao desprezo (a par, é claro, de algumas boas almas, em regra fora do mundo dos caciques virtuais, que vão permitindo que se respire). Por cada pecadilho meu, há uma pulhice de outro alguém. Anónimo ou identificado. E já lá vai o tempo em que, sabendo-me conscienciosa e usando isso, conseguiam amedrontar-me com intimidação traiçoeira e confundir-me com falinhas mansas.

A táctica de sub-repticiamente dizer que somos todos iguais por aqui não vingará: há uns bastante mais podres e falsos do que outros, por mais heróis se queiram apresentar.

Boa tarde.

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