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A outra face do ensino

por Isabel Paulos, em 21.04.21

Os avisos, conselhos, reparos vêm de todos os lados a toda a hora: não fiques parada no tempo, não sejas imprudente, pensa antes de agir, és burra, és inteligente, faz isso, não faças aquilo, corrige isto, marimba nisso, vê isto, não vejas aquilo, és uma nódoa, és brilhante, tens razão, estás enganada, acredita neste, não acredites neste.

Embrulhados em diferentes papéis - o de humorista, moralista, cronista, comentarista, amiguista ou outro qualquer -, os sábios estão em todo o lado prontos a ensinar: é assim, eu aprendi assim, eu faço assim.

Todos damos conselhos e armamo-nos em sábios, entretidos com o nosso umbigo. Distraídos do outro - do seu sangue, da massa encefálica, da sua carne, do que é e sente, da sua qualidade -, e logo a seguir vamos à nossa vidinha contentes com o nosso brilharete, deixando o eterno aprendiz, objecto de tanto conselho e ofuscado com tanta sabedoria, atordoado com tamanha iluminação.

O aprendiz ou abre a boca num valente e enérgico bocejo, aprendendo a decidir por si e a erguer-se, não se deixando impressionar ou amedrontar no pântano do conselho ou morre de tédio e indecisão face a tanto ensinamento.

Às vezes, é preciso mandar às urtigas a sabedoria alheia. Mandá-la calar, para tentar ouvir a nossa.



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