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Artes circenses

por Isabel Paulos, em 14.05.20

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O episódio Centeno daria para exemplo de manuais não de ciência política mas de arte política, uma congénere das artes circenses. Ninguém quer saber se a injecção de 850 milhões no Novo Banco teria sido dada independentemente do pedido de auditoria presidencial nem se esta teria ou não efeito suspensivo de novos financiamentos. Isso são matérias que só interessam aos chatos dos técnicos sejam políticos ou jornalistas. O que interessa são as artes performativas. À esquerda e na comunicação social light logo se levantou o fantasma de Salazar, pois Centeno estaria a perfilar-se para subir à chefia do Governo e subjugar-nos aos seus rigores por décadas, não fora a dupla Costa & Marcelo - quais salvadores da pátria - a devolver aos compatriotas a normalidade democrática. Fica patente não só a ignorância sobre a figura de Salazar, como do esforçado Centeno.

Quantos dos que agora aplaudem o teatro do primeiro-ministro apoiado pelo presidente, estariam dispostos a defender a bancarrota do Banco Espírito Santo? Quantos aceitariam em vez das sucessivas injecções de capital, uma única letal logo no início de todo o processo? Que pusesse a nu a real situação do Banco, deixando os lesados e os donos a arcar com o peso da falência e impedindo que a mesma contaminasse o resto do sistema financeiro e os contribuintes? Quantos defendem em Portugal que um Banco falido seja um banco falido? Com os clientes lesados e os seus donos e colaboradores responsáveis pelos danos patrimoniais? Os mesmos que agora – e antes – bradam contra os financiamentos, seriam os mesmos que berrariam condoídos pela situação desesperante dos lesados. Berrariam sempre, aliás. Estão habituados a barafustar sem procurar a causa das coisas.

Centeno não fez nada mais do que o previsto. E o habilidoso Costa usou o episódio não só para o enfraquecer - e ganhar ânimo despesista - como para se demarcar dos contratualizados financiamentos ao Novo Banco que sabe criarem animosidade nos eleitores. Uma chico-espertice. Mais uma. Com aval do senhor presidente e de todas a bancadas do parlamento. Nem Rui Rio faltou à chamada para se vingar das maldades de Centeno na última campanha eleitoral para as legislativas. Quem com ferros mata, com ferros morre.





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