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Diário

- actualizado -

por Isabel Paulos, em 08.12.22

Na madrugada do último feriado recebi a mensagem do SNS para a vacinação preventiva do Covid do Nuno. Parou-se-me o cérebro e esqueci de responder o Sim habitual dentro do prazo. Digamos que vi a mensagem e, nem lendo na íntegra, tomei como marcação imediata sem necessidade de resposta, que acabei por enviar já fora do prazo. Às vezes a vida corre bem e ontem à noite chegou o lembrete do SNS para estar presente hoje. Ora, lá fomos. Para evitar deslocações em duplicado pedi para ser vacinada também. Fui colocando a questão a cada momento: logo de início aos seguranças do portão do Regimento de Transmissões. E não, não pode porque só tem 49 anos. A menos que faça 50 até ao fim do ano. Segui comentando com o Nuno: quando te entregarem o formulário tento a minha sorte novamente. E eis que lá chegados me deram o papel dizendo que preenchesse e perguntasse ao entregá-lo.

Pouco depois coloco a questão finalmente a quem tem poder de decisão: não, sim, talvez. Isto é, a espevitada empinocada da ponta metendo-se onde não era chamada: não, não pode, teria que fazer 50 anos nos próximos 10 dias (posso festejar já amanhã se quiserem, até as convido para o repasto, pensei com os meus botões), depois nós é que somos penalizados se houver uma auditoria. Já a paciente e sensata que me atendia de bata vestida, ar educado, dizia com serenidade: só se tiver alguma comorbidade associada, deixe-me ver através do número de utente. Tem, tem comorbidades. E eu, curiosa com essa coisa que é a saúde da máquina que me suporta: já agora pode-me dizer quais são as minhas doenças registadas para o efeito? Não, aqui não são referidas. Há apenas a indicação de ter comorbidades. Ora, radiante com a descoberta que me poupa nova deslocação ao Quartel, pensei: ainda devo constar como obesa. Tanto melhor. Bem-vindos ao mundo do registo e partilha de dados sensíveis. Ou é isso, ou outra doença qualquer do catálogo. Também não interessa nada. A Pfizer para precaver o Inverno já cá canta, que gostei pouco de passar uma semana de trabalho de Maio em sarilhos, sobretudo duas noites com francas dificuldades em respirar. Enquanto o Nuno para meu espanto reagiu muito melhor, com menos dias de dor de garganta e febre. Ele por quem eu tinha tanto medo desde que os médicos me avisaram da gravidade das mazelas nos pulmões provocadas pela perfuração no acidente. Ai que horror, a contar miudezas. Onde já se viu esta vitimização? Já para não falar da questão do mau gosto. Também pensava assim, quando era imbecil. Entretanto cresci.

Agora estamos os dois protegidos, é o que interessa. Tivemos boleia da mãe. Mimos. Ontem fiquei contente por finalmente conseguirmos ser úteis indo depois do jantar a casa da minha mãe para colocar o microondas novo e pesado no sítio e mover a mesa de jantar para a posição da época natalícia. Raramente consigo a proeza de ser útil à minha mãe, que faz tudo para não dar qualquer trabalho a ninguém, especialmente, aos filhos. Metade da minha preguiça resulta de ser filha de uma mãe que sempre fazia tudo, não dando tempo nem oportunidade a que ninguém ousasse ajudar. Por isso ontem foi uma conquista, tanto mais que o meu irmão T. também queria ajudar e é uma dificuldade conseguir vez nesta matéria. Os 15 minutos do recobro foram passados ao telefone com o meu pai, que ligou para me pôr a par dos últimos dias. Antes disso ao almoço recebi mensagens dos meus irmãos N. e F., a almoçar juntos nas visitas às barragens transmontanas. Mais cedo estive a ver a fotografia de nós os seis num almoço há um par de anos promovido pelo T. Decidi que vou imprimi-la para a ter por perto. É uma raridade nos últimos tempos: só nós os seis juntos, pais e filhos.

Antes de chegar a casa fui ao Froiz para me desgraçar. Comprei chocolate. Uma vez chegada a casa comi um pouco e enjoei logo. Tirei a mala de cima do guarda-fatos com ajuda e estive a embrulhar os presentes de Natal dos pais do Nuno e da filha, com ele a compôr o agrafador de cada vez que eu o encravava - o bom de viver com uma pessoa tranquila e de bom senso é também a calma com que resolve as pequenas questões enervantes com que lido mal. Desceremos a Lisboa no próximo fim-de-se-semana. Em rigor, a Almada. Comprei os bilhetes por telefone com antecedência como de costume. No sentido da marcha e perto da porta. Com as benesses todas a que temos direito por vivermos num país civilizado – e pensar que durante os primeiros anos não me ocorria pedir os descontos a que o Nuno tem direito e eu por tabela como acompanhante. Enfim, vivendo e aprendendo.

Por fim, refiro apenas que na noite passada sonhei com uma loja e que escolhia meias de lã para o Nuno. O par de pretas não podia ser, porque ser uma L diferente da outra L (fiquei a saber que nos sonhos as meias são S, M, L e XL, e dentro dos L há sub-tamanhos). Acabei por escolher umas pardas, hesitando um pouco por não as achar especialmente bonitas. Ao acordar li as interpretações, mas seria escusado. A preocupação que o Nuno esteja confortável é justificação mais do que plausível. Além de mais, há dois dias reparei que reina a confusão na gaveta, pelo que tenho de organizar as meias, procurando por à mão de semear as mais quentes.

E agora como dizer isto? A exposição. A consciência destes diários e de quase tudo quanto faz parte das Comezinhas serem altamente apetecíveis para a cusquice. De muito poucos, vá. Mas são pormenores de vida, como os de outras pessoas, que atraem a curiosidade em conhecê-las. Não me faz mossa essa intromissão consentida na vida de outrem. Até por representar humanidade. É natural. É simples. Pormenores de vida comuns a tantos, banalidades. Apontamentos comezinhos que não movem as grandes questões universais, mas dizem mais do mundo e da vida de todos enquanto colectivo do que as opiniões, as teorias, as grandes teses. Saberão muitos dos que consideram proteger-se de tais exposições, reservando tudo quanto é íntimo que, a cada tese ou opinião sobre outros, se revelam bastante mais, até em particularidades, do que eu a falar da gaveta das peúgas cá de casa?


12 comentários

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De cheia a 08.12.2022 às 19:34

Afinal, conseguiu fazer o meio-século, ainda, este ano. Nunca tinha tido conhecimento de quem tivesse  tanto desejo de fazer anos, como a Isabel.  O meu filho é que fez 50 anos, este ano. Também faço coleção de vacinas, já levei a quarta.
Feliz noite, Isabel!
Beijinhos
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De Isabel Paulos a 08.12.2022 às 20:05

É. Para o ano farei outra vez 50. :) Parabéns pelo seu filho.
De facto valorizo o aniversário, o meu e o dos outros. Marcar a caminhada com uma data faz com tenha mais sentido e valor. 
Também é a minha quarta vacina. Esta foi a única que antecipei. Mas já fui ao Quartel seis vezes. Hoje sem filas. 
Noite boa, José. Beijinho. 
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De cheia a 08.12.2022 às 20:33

Muito obrigado, Isabel.
Boa sexta-feira.
Beijinhos
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De s o s a 11.12.2022 às 20:30

ou porque apaixonada ou "só" empolgada, caramba...vale que para o final do post lembra que se trata de um diario.  (cujas outras paginas nao conheço ).
Se estivessemos a falar de terceira pessoa, lamentaria a insistencia na vacina, assim  nada digo , sou sensato, e algures no texto informa que tem mau feitio. 
Tambem tenho em casa um caso em que  hesitante acabou por nao responder, até que recebeu a lembrança. Tambem porque  ia iniciar uma atividade com publico, lá foi , mais para se informar, mas acabou cedendo. 
Um ponto que percebo : o peso do microondas está só num dos lados .  Sou um génio...
Mas o que mais me intriga, sempre e com todos, é quando  leio  alguem afirmar que cresceu.  Fica sempre a duvida se aconteceu da noitre para o dia, se já tinha crescido antes, se acha mesmo que nao voltará a crescer. 
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De Isabel Paulos a 11.12.2022 às 21:10

Apesar do esforço não percebo nada do que diz. 
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De s o s a 11.12.2022 às 22:00

está bem 
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De /i. a 13.12.2022 às 19:05

Espero que não tenha tido efeitos secundários com a toma da vacina.  
Beijinhos. 
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De Isabel Paulos a 13.12.2022 às 19:19

Não. Obrigada pelo cuidado. Apenas sono, como das outras vezes. E a dorzita no braço que fica preso. Mas isso nem conta.
A Isabel ainda tem que esperar, vantagens de ser novinha. 
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De /i. a 14.12.2022 às 19:04


Boa. É sempre uma chatice quando dão efeitos secundários. 
Ainda não estou abrangida.... e não sei se o Governo incluirá. Só se for para não estar mais vacinas que entretanto passaram do prazo. Eu já tive Covid-19.
Beijinhos.
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De Isabel Paulos a 17.12.2022 às 10:56

Creio que chegará a sua vez. 
E a sua covid, foi brandinha ou nem por isso? 
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De /i. a 20.12.2022 às 22:40

Olá, Isabel 
Desculpe só responder agora. 
Tive o Covid quando menos esperava ser contagiada, ou seja, em Agosto.
Tive febre no primeiro dia que os sintomas se acentuaram, depois nos dias seguintes não tive febre.  Só que tinha algumas dores musculares, a voz rouca e anasalada. Perdi totalmente o paladar e o olfacto. Ainda, hoje o paladar não recuperou na totalidade. Foi assim o meu encontro com o sars cov 2.
Beijinhos. Bom descanso. 
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De Isabel Paulos a 20.12.2022 às 23:02

Não há necessidade de desculpas, Isabel. O bom dos blogues é que há tempo; não há pressa nenhuma.
Apanhou então já numa fase muito tardia e ainda com algumas complicações. Espero que não lhe tenha estragado as férias, adoecer nas férias devia ser proibido. ;)
Na minha família e do Nuno tivemos todos no Inverno e Primavera deste ano, quase todos pela primeira vez também -  veio dizer que ninguém escapa, mas felizmente nada de grave. 
Beijinho. Noite descansada.

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