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Espanto

por Isabel Paulos, em 09.02.20

Raios

 

*

 

Pára

o coração

por instantes,

no ápice

o cérebro

manda

quietar

o corpo.

Devolve-o

à natureza

de gato

ou cão

retesado,

e vigia.

 

O deslumbre

do milésimo

de segundo.

A alegria

da surpresa,

o medo

do estranho

perigo.

A mistura

do sorriso

incontido

e livre,

 do arrepio

e susto

de terror.

 

A criança

engolida

pela onda

gigante,

que a enrola

no vácuo

e devolve inteira

contra

a areia.

 

A criança

e o raio

que entra

pela bandeira

aberta

da janela

e sai veloz

pelas traseiras.

E outra vez

os fusíveis

do quadro

a faiscar.

 

A criança que,

na manhã seguinte

ao vendaval,

trepa

os troncos

das enormes tílias,

arrancadas

pela raiz,

tombadas

na rampa

do caminho.

 

À distância:

a vida adulta,

fabricada

e banal

demais

para nela

caber

o espanto.

 





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Accuradio


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