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Frivolidades

por Isabel Paulos, em 26.01.21

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*

E aí vem ele: mais um postal umbilical. Adivinho a reacção, mas longe vão os tempos de preciosa e explicativa ter necessidade de responder a todas as objecções. Dezenas delas todos os dias e resposta para quase todas. Melhor ou pior, mas pensada. Deixei-me disso ao menos em parte. É um exercício inglório e sem fim à vista. Pode não parecer, mas hoje oiço e leio sem abrir a boca frases e frases inteiras com a substância do que antes presumi e as decorrências que conheço de antemão. É melhor assim, para todos. Além de mais, apesar da aparência e ao que parece, finalmente e até ver, aprendi o que importa: manter a cabeça fora da água.

Vamos às frivolidades.

Depois de ter cortado duas vezes o cabelo ao pianista cá da casa, creio que vou ter que usar a tesoura no meu próprio cabelo. Imagino que vá ficar um mimo. Nada que faça muita diferença neste conjunto assustador em que me transformei, que me repele de olhar ao espelho mais do que 5 segundos, não vá deprimir de horror para todo o sempre.

A vida é como é. Depois das manias e traumas de adolescente ou jovem tonta, por que a maioria das mulheres passa ao achar-se horrível, nos últimos 14 anos pensei ter deixado a parvoeira de lado. Apesar de ter engordado muito, tinha aceitado a vida como ela é e aprendido a estar bem na minha pele. Bastante bem, diga-se. Mas como o destino não gosta de nos deixar saborear por muito tempo o lado luminoso dos dias e parece ter especial gozo em nos pôr à prova demonstrando que tudo pode sempre piorar, eis que nos últimos 5 anos me presenteou com mais um quarteirão. A ideia deve ser ver se ainda me consigo encontrar neste corpo estranho que transporto. É a versão neurótica do onde está o Wally.

Acresce que no meio de tanto mimo e doçura da vida, pessoas como eu ainda têm que levar com os doutos e céleres comentários e conselhos dos expertos em vida e alimentação saudável e sobretudo recriminações por falta de disciplina. Quando me vêm com a conversa da culpabilização, apetece-me enfiar-lhes goela abaixo as pressões, o metabolismo e a camada de químicos a que fui sujeita para ver se continuam a gostar de dar palpites fáceis. Desconfio que a maioria ficaria na choraminguice para o resto da vida e rapidamente arranjaria explicações muito científicas em sites lifesytle para se consolar.

Sei. É evidente que se engordei é porque como demais. Não tenho dúvida nenhuma disso. Não sou parva. Não gosto é que das lengas-lengas culpabilizadoras, que não tomam em consideração as diferenças de cada um, produzindo um discurso infantil muito em voga entre celebridades e parte da classe médica. Gente supostamente possuidora de conhecimento técnico e científico, que é capaz de aderir às vagas das ‘maleitas da moda’, sujeitando os pacientes à prescrição em força da vitamina D seja ou não precisa ou à recomendação também em massa de excisões da tiróide. Quem não andar a dormir, sabe que tem de estar atenta e ter reservas quanto às modas da medicina.  

Quanto ao resto, é evidente que tudo tem solução e é preciso força de vontade e disciplina. Não me venham é foder o juízo mais do que ele já foi.

 






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