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Lido

por Isabel Paulos, em 02.12.22

Pode a história de Espanha ser contada em menos de 300 páginas?, de José Carlos Fernandes, no Observador.

Lido com agrado, apesar do primeiro terço do texto e do "engraçadismo", da prosápia e do chico-espertismo que os jornalistas actuais e a generalidade dos que escrevem em jornais gostam de impingir. Não conseguem ater-se ao essencial nem reduzir-se à sua insignificância. Raro é o escrito - e este até é bastante bom - no qual não se demonstra desprezo pela ignorância alheia. Sendo que o definido como ignorância é não raro criação artificial, podendo perfeitamente mudar de dia para dia, de apetite para apetite, conforme os ventos e as audiências.

E perguntam os iluminados: que mal tem isso? Isto diverte-nos, faz parte do jogo da vida, traz-nos excitação, faz-nos sentir mais vigorosos, entendidos e perspicazes. Mais fortes. Superiores, enfim. É a livre expressão a funcionar que defenderemos até às últimas consequências. Como em todas as matilhas temos de ter cordeiros para sacrificar. Não perceber isto é ser obtuso, é ser puritano, próximo da defesa do autoritarismo, da censura e dos regimes totalitários - em suma, é ser ignorante, e por isso mesmo pôr-se a jeito para ser mais um pronto a ser sacrificado, para que continue o nosso banquete.

O parágrafo anterior é excessivo a propósito do texto em causa, da autoria de quem considero escrever de forma bastante mais criteriosa do que os compinchas dos jornais, mas vale para a generalidade do que vinga na comunicação social e no entretenimento, actualmente miscigenados.


3 comentários

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De Ricardo a 02.12.2022 às 10:35

Image (https://img.wook.pt/images/a-civilizacao-do-espetaculo-mario-vargas-llosa/MXwxNDE0NTczMXw5NzEwMTEyfDE0NDM0ODEyMDAwMDA=/260x)
SINOPSE Uma duríssima radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, pelo olhar inconformista de Mario Vargas Llosa. A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são sintomas de um mal maior que afeta a sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo a nossa natural propensão para nos divertirmos. No passado, a cultura foi uma espécie de consciência que impedia o virar as costas à realidade. Agora, atua como mecanismo de distração e entretenimento. A figura do intelectual, que estruturou todo o século XX, desapareceu do debate público. Ainda que alguns assinem manifestos e participem em polémicas, o certo é que a sua repercussão na sociedade é mínima. Conscientes desta situação, muitos optaram pelo silêncio. A cultura deveria preencher o vazio que a religião ocupava outrora(no Ocidente).Mas é impossível que isso aconteça se a cultura(no seu sentido mais estruturante),atraiçoando essa responsabilidade,se orienta decididamente para a facilidade,evita os problemas mais urgentes e se torna mero entretenimento.
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De Isabel Paulos a 02.12.2022 às 16:16

Boa tarde, Ricardo
Em Julho fiz leitura rápida desse livro, que comprei para oferecer.
Publiquei aqui um capítulo. Aqui:Mario Vargas Llosa - Comezinhas (sapo.pt)
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De Ricardo a 02.12.2022 às 10:50

Check https://bilder-livros.blogs.sapo.pt/civilizacao-2511

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