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Regabofe

por Isabel Paulos, em 11.06.21

De regresso ao sofá, à meia-luz do globo e à calmaria da companheira smooth, registo algumas palavras neste pós 10 de Junho muito caseiro e com poucas leituras.

Vi que vai grande algazarra por causa da calinada com consequências graves do menino das ruas cor-de-rosa e azul-bebé – estavam à espera de quê? Tudo condicente. Políticos de estofo não nascem de elites económicas, sociais e culturais medíocres. Nada de anormal, portanto. Não valem a pena ais e uis, na medida em que a maioria contribuiu para o estado da coisa – questões de segurança dos Estados e de espionagem são conhecidos quando muito do James Bond e dos livros de Jeffrey Archer. Estariam porventura à espera que o menino e os seus acólitos tivessem a mais pequena noção do que é viver e ser opositor em regimes autoritários ou que tivesse mão nos absurdos burocráticos da casa que dirige e de que se alimenta para futuras ambições políticas?

Na televisão começou a vaga - a durar algumas semanas - de informações indispensáveis sobre os trajectos do autocarro da Selecção, estatísticas e rankings, tonalidades dos sentimentos dos portugueses face às proezas da Selecção e a cor das cuecas dos jogadores. Nada contra a Selecção em si - desejo vê-la vencer no dia 11 de Julho em Wembley.

Entretanto reparo que os jornais e as pessoas que riscam mais à direita andam muito agitadas com o à vontadinha e regabofe socialista – tomaram conta de tudo, é tudo deles, dizem. Agora? Andaram a dormir nos últimos 40 anos e também não devem reparar como se entretêm a destruir a alternativa de direita, envenenando-a. Já deixei para aí escrito – hoje nem sequer me lembro do nome do postal -, muitos dos bem pensantes de direita não fazem o mais pequeno esforço de contribuir para a alternativa, abdicando de ter papel positivo, limitando-se à intriga em prol do regresso daquele que consideram salvador – e que a vir trará atrelado um conjunto de pessoas altamente prejudiciais para o país. Se o à vontadinha e regabofe socialista está para durar é sobretudo pela inépcia da direita e não necessariamente de quem está à frente da oposição, mas dos muitos que minam quem quer que esteja à frente da oposição na miragem de mais um D. Sebastião da treta, que venha com toda a conversa fiada da necessidade de reformas para inglês a Europa ver.

Vi na televisão qualquer coisa sobre o aumento do número de infectados e de óbitos por Covid. Era de esperar face à retoma da vida normal – o factor principal do aumento. E aqui vou fazer a primeira nota directa sobre o que penso de outros factores secundários: os ajuntamentos do Sporting, da final da Liga dos Campeões e das noitadas etc.. É evidente que todos eles concorreram para o resultado – e daí não decorre, pelo menos da minha parte, nenhuma condenação grave; a maior parte dos portugueses, seja de que clube for, compreende e nem sequer condena os festejos do início de Maio, que foram de resto normalíssimos – tirando aquela traulitada com a polícia ou da polícia, nem cheguei a perceber. O que e irrita é a negação da realidade - nos futebóis vinga a mentalidade de rapazola inconsequente e é esta que leva sportinguistas a continuar a negar a evidência em vez de assumir que, como muitos outros ajuntamentos, aquele contribuiu para o aumento dos números. É tão simples quanto isso. Agora andar em bocas infantis ‘aquele menino também se portou mal’ é escusado, sobretudo, quando no passado se criticaram (e bem) ajuntamentos partidários e sindicais. Além de que não é assim de certeza que se ganha respeito pela capacidade de análise e isenção.

De resto, estranho o voluntarismo de Presidente e Primeiro-Ministro na defesa frenética do desconfinamento. De que têm medo? Que os portugueses não saiam de casa por receio do aumento dos números? O que motiva este discurso de forte optimismo e incentivo ao virar de página? Sinto que me escapa a razão – a ver se nos próximos dias descobrimos.

Entretanto amanhã, depois de visitar um hotel para gatos – com grande antecipação -, tenciono visitar um horto no intuito de dar o tal arranjo e vida à varanda. Vou tentar de novo uma Japoneira – aquela cujas fotos aqui pus feneceu -, e ver o que há por lá. Talvez traga uma Azália. E desta vez vou comprar terra decente – na última comprei no chinês e a coisa não correu bem. Se não fosse o Ritz traria também uma Jibóia para a sala – talvez não, esta sala é tão pequena que ainda a atafulharia mais.






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