Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Os alucinados e os sensatos

por Isabel Paulos, em 29.04.20

sem nome.png

Foram os imbecis, tresloucados, alucinados que há quase vinte anos alertaram para os crimes cometidos na Casa Pia, contra quem dizia: não, não, credo. Que horror. Vão-se tratar. Quando muito há miúdos mentirosos de vida sebenta que a troco de dinheiro denunciam abusos sexuais que imaginam. Com certeza os juízes que julgaram e condenaram os denunciados são todos tresloucados também. Devem fazer parte da cabala contra o partido.

Foram os tresloucados que há quase vinte anos começaram a alertar para as negociatas obscuras do Banco Espírito Santo. Devem ser alucinados que defendem as teorias de Terra Plana os que chamavam a atenção para facto do banco estar envolvido em toda a trafulhice possível, nomeadamente, em negócios com o Estado. Contra todos os que bradavam: é uma cabala de invejosos e gente esquisita com conversa de café.

Foram os alucinados que chamaram a atenção para o caminho sujo de corrupção em corrupção de José Sócrates e seus apaniguados. Para o endividamento desmedido e para o descalabro do País. Mais uma vez. Não, não, as vozes sensatas só viam horríveis julgamentos em praça pública.

São os alucinados do costume que chamam a atenção para o absurdo das negociatas da EDP com o Estado e para a soberba insultuosa do seu presidente. Malucos, só podem. É apenas o mercado a funcionar dizem os sensatos.

São os loucos do costume que estão a chamar a atenção para o excesso de autoridade venha de que quadrante ideológico vier. Já os sensatos só admitem se virem autoritarismo de um lado. É uma questão de perspectiva muito selectiva.

São os doidos que chamam a atenção para o lamaçal avassalador de informação e o sensacionalismo que empola a realidade e faz tábua rasa de todas as explicações lógicas para a realidade. Mas os sensatos não vêem sensacionalismos, só vêem realidade aterradora e recusam e ridiculizam qualquer explicação razoável para os diversos fenómenos.

Os sensatos foram bafejados pela sorte. A sorte da cegueira voluntária, de se manterem muito confortáveis a boiar na calmaria do mar sereno. A sorte de nunca verem nada do que se passa à sua volta, senão passados anos. E nessa altura são bem capazes de dizer: bem me parecia, bem que desconfiava, mas não me queria misturar com essa gentalha esquisita dos alucinados.

Como alguém me dizia outro dia, não vale a pena metermo-nos em frente ao comboio em andamento, é deixá-lo abrandar e ir calma e moderadamente chamando a atenção para os absurdos. Mas com franqueza, estou um pouco farta de levar com os insultos dos sensatos da treta que cobardemente continuam a preferir não ver a realidade.

*

Comentário do Nuno: se vais por aí vais perder likes. ;)





Dose recomendada

Accuradio


Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D