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O fogo do dia

por Isabel Paulos, em 19.11.20

Não sei se errei o prognóstico e se é já nesta segunda fase que se começa não só a culpar os portugueses pela transmissão do vírus, como a denunciá-los e castigá-los. Na minha ingenuidade pensei que não haveria tão cedo lata para tanto. Mas a realidade ultrapassa sempre o imaginável.

A mensagem geral saiu da reunião diária entre Governo e Especialistas e foi ver o berreiro espalhar: uns desordeiros estes portugueses incumpridores.

Haja ao menos uma franja de gente sensata e coerente, que sabe reunir em congresso cumprindo a devida distância. Não fossem os comunistas a manter os dois metros de distância e a viabilizar o Orçamento de Estado, e onde estaríamos. Onde? Mais uma pândega.

Escrevi os parágrafos acima por ler lido notícias com títulos denunciadores dos maus hábitos portugueses em tempo de pandemia, mas a corrente do tempo já as engoliu. Agora é a vez do Presidente da República vir dizer que os portugueses têm sido exemplares. Sem sombra de dúvida. Não só têm sido exemplares como têm tido enorme poder de encaixe para aturar especialistas e histéricos.

Ainda a TAP

por Isabel Paulos, em 03.07.20

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Na sequência deste post matinal, só mais três notas sobre as negociações da TAP. 

A primeira relativa à alegação de que a bancarrota da TAP provocaria falências de várias empresas e despedimento de muitos trabalhadores ligados à operacionalidade da companhia.

Não precisam encomendar estudos a consultoras, mas talvez já tenham ouvido falar em mercado. Presumo que as companhias que ocupariam o lugar da TAP nas suas rotas teriam que ter o mesmo suporte, apoio e serviços e que, ao menos em parte, esse poderia ser assegurado pelos mesmos trabalhadores e empresas.

A segunda para lembrar que se a ideia é emagrecer a TAP, as consequências nefastas acima referidas irão verificar-se de igual modo, com a agravante do Estado financiar o vazio (e estou certa que generosamente). O Estado português é perito em financiar aquilo que não é económica e financeiramente viável. Ou seja, não se evita, mas sim agrava o perigo que se pretende precaver.

A terceira e última relativa ao discurso aparentemente suave do ministro. Se por um lado, condescendente, entende os portugueses desconfiados por ganharem pouco e estarem a passar por dificuldades, por outro ataca delicadamente os comentadores que questionam a operação.

É bom que quem está no Governo saiba que, apesar de ter oposição, comunicação social e população por conta, ainda há alguns portugueses bem conhecedores dos modus operandi do PS quando se trata de calar as vozes discordantes. O tom mais cordato e diplomático do actual Governo – em comparação com o animal feroz – não ilude quem conhece a tendência para descredibilizar e calar os que questionam a acção governamental.





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