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Ainda o PSD e o Chega

por Isabel Paulos, em 18.11.20

Ontem resolvi usar o sistema de gravação da NOS e ver a entrevista a André Ventura de segunda-feira. O que vi? Um vendedor da banha da cobra com meia-dúzia de afirmações, entre elas várias verdades, envolvidas no engodo ou isco para gente descontente. Gente descontente com razões para o estar, que é coisa que em regra quem faz análise sobre o assunto, esquece. Pormenores que fazem toda a diferença.

É trapaceiro? É. Mas muito do que propala faz parte do indizível neste ambiente farsolas e delirante em que vivemos.

Mais uma vez do que vejo confirmo que não fará mal algum trazer o indízivel à tona. Responsabilizá-lo pelas afirmações, confrontá-las com os limites de decência, ao invés de o enxovalhar para manter uma falsa imagem de grande defensor dos direitos, liberdades e garantias.

Quem sai bem na fotografia? O PSD ao colocar a cláusula no acordo para salvaguardar o respeito por esses mesmos direitos. Os fundamentais.

Ao contrário do que tenho lido,  o PSD não perde com a decisão, antes pelo contrário. Não só não ultrapassou qualquer linha vermelha, a não ser a da intolerância da esquerda bacôca, como se afirma como partido de charneira, marca que tinha perdido.

O PSD vai ser engolido pelo Chega? Não, não vai. Apesar desse parecer ser o desejo de muitos que votam indiferentente no PSD e no PS, como se fossem partidos semelhantes. Ainda bem que a demarcação foi feita. Já não era sem tempo.

Tudo quanto acabei de dizer traduz o pensamento de muitos portugueses - apelidados de estúpidos por iluminados -, nem todos com vontade de o expressar.

Esquerda/Direita

por Isabel Paulos, em 15.01.20

mw-320

Imagem do Expresso.

 

Para quê ter o trabalho de fazer o confronto de ideias entre esquerda e direita, se não são elas que determinam as políticas e comportamentos do País e dos portugueses. Para quê falar em mudar de regras? Se não há qualquer intenção de cumprir as (boas) que existem nem as (boas) que venham a surgir? Para quê manter o prazer de discutir? Se debater por debater e, por motivos fúteis, tudo questionar, acaba por servir apenas para encobrir o poço sem fundo da vileza da nação?

Afinal, parece que tudo se resume a pouco.

À esquerda grosseira, arrogante e fanática. Convencida da superioridade moral expressa em meia-dúzia de slogans identitários berrados num qualquer simulacro de academia de ciências sociais e artísticas ou na confraternização em manifestações e acampamentos de excitados activistas das causas efémeras, com cada vez maior número de figurantes assalariados e bem remunerados. Na falsa presunção de legítimos e únicos herdeiros da divisa igualdade, solidariedade e liberdade, fazem-se senhores desta coutada de caça às bruxas em que se transformou o mundo e o País. Traduzem igualdade por amiguismo, solidariedade por facilitismo e liberdade por bandalheira. A coisa vai tão mal que se enaltecem verdadeiras nulidades, tomando-as por sumidades, bem pagas e subsidiadas e, por facciosismo e inveja, se desprezam e humilham sabedores.

À direita bem empertigada, vaidosa e insensível. Convencida da superioridade moral expressa em meia-dúzia de máximas rezadas numa qualquer faculdade abonada e conservadora de ciências jurídicas e empresariais ou nas reuniões sociais de punhado de amigos bem instalados em relações interessadas com preocupações vagas por um País que os conserve sempre no topo a pirâmide ou lá os alce. A falsa presunção de que têm sido a educação, a inteligência e a capacidade de trabalho a reger o mercado nesta sombra de sociedade minada de alto a baixo por corrupção, injustiça e inveja.  A tradução de educação por etiqueta fajuta, leituras e pensamento balizados por dogmas tribais. Inteligência traduzida por habilidade de se impor aos demais e capacidade de trabalho por lábia em vender mais. A coisa é tão feia, que quem mais tem e pode manifesta inveja e raiva de quem nada ou pouco tem e não se deixa pisar ao retratar o mundo.

Aos saltitantes de cenário em cenário, tomando os piores ares e tiques das duas e mantendo-se à tona a debitar opinião conivente em função da circunstância.

E aos sonhadores que, apesar da antipatia por tamanha vileza, se negam a refugiar no cinismo falsificado.





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