Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Novos Julgamentos

por Isabel Paulos, em 11.12.20

descarregar.jpg

*

Tal como julgo ter esgotado por uns tempos os postais sobre a insensatez de não se ouvir o que têm a dizer os extremos mais à direita, depois de em Portugal passarmos quatro décadas de beneplácito com os extremos mais à esquerda, vou tentar secar de uma vez o tema dos fact-checks, polígrafos e afins. Ciente que não vou conseguir e que, como se costume, me vou meter em mais uma alhada interminável.

Quem tenha assistido à forma como a mentalidade predominante evoluiu nas últimas décadas e presta atenção no modo desajustado com que se diz repôr a verdade dos factos com esse tipo de mecanismos, percebe que esse mundo é um saco de gatos onde cabe tudo: desde factos propriamente ditos a preconceitos, suposições, intenções e juízos de valor e tudo mais quanto se possa imaginar.

Quem tem uma noção do que é o Direito sabe o quão ingénua ou perversa é a ideia daqueles acreditam ou dizem acreditar que a interpretação da lei se faz por juízos objectivos. Julgar o Direito mera questão técnica é uma tolice. Para lá de todo o conhecimento da lei propriamente dito e da técnica, está o espírito da dita e é ele que guia a interpretação ou julgamento mais correcto. Não se pode interpretar uma lei, sem perceber a sua causa, aquilo que lhe deu origem. Muito menos aplicá-la ao caso concreto. E até o espírito da lei pode ser questionado porque, como tudo na vida, obedece aos critérios de tempo e espaço.

E vem isto a propósito da dificuldade de fazer juízos de valor válidos sobre o quer que seja, incluindo factos. E se isto é assim para gente que está habituada ao estudo e interpretação das leis – disciplina com uns séculos de experiência -, imagine-se para os detentores há relativamente pouco tempo do poder de divulgação de notícias e escrutínio dos vários poderes instalados na comunidade e a tentação que existe de se arvorarem em juízes supremos de todo e qualquer comportamento humano.

E é neste contexto que vemos gente convencida – sem qualquer hesitação de tão inteiramente convencida -, de ser capaz de julgar como verdadeira, falsa ou talvez nem tanto determinada afirmação, sem se dar ao esforço de perceber nada do que está por detrás de cada declaração produzida. Percebendo zero da causa das coisas. Correndo para o que mais parece interessar hoje em dia: intenção de julgamento rápido. Os fact-checks dos jornalistas caem no mesmo logro das redes sociais. Acreditam ser detentores do poder de julgamento e com isso pretendem fazer vingar a mentalidade dominante. A mais atraente para cada um destes auto-investidos juízes.

O que me levou a escrever as linhas precedentes foi a constatação de que há jornalismo que usa as redes sociais como fonte e ganha-pão e, para cúmulo, em vez de estar agradecido, destrata-as para se arvorar em grande senhor dos factos. Ora, as fontes – agora com voz própria audível e com todos os vícios que sempre tiveram -, merecem respeito. As redes sociais, ainda que não embelezem a democracia, são a mais pungente manifestação da dita.

Grandes dúvidas

por Isabel Paulos, em 28.02.20

taf.png

Nos polígrafos fico a saber o que por aí se diz. Bastante mais informada, é verdade. Resta a dúvida se não se trata do megafone de rumor versus politicamente correcto em vez de detector de mentiras. Em todo o caso, puro entretenimento. That's all folks.





Dose recomendada

Accuradio


Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D