Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



As outras máscaras

por Isabel Paulos, em 26.01.21

dissimulado.jpg

*

Não fosse ter olhos e ouvidos e não conhecesse a desfaçatez, dissimulação e prosápia dos doutos do pequeno terreiro onde vivemos e ficaria condoída com tanta comoção pela tragédia portuguesa e atirar-me-ia para o chão em vénia radical de tanto espanto e admiração perante a lucidez e sensatez dos ilustres da nossa praça. Não fosse saber que nada mais os move do que a retórica, a mesquinhez e a vontade de vergar os outros às suas fúteis razões e cederia a argumentos inquinados e viciados, e não me divertiria tanto ao vê-los acusar os outros dos próprios vícios, como se nada fosse. Não fosse saber que usam as mortes para impressionar o seu nicho de público, cultivar a vaidade e dar imagem de pessoa decente e moralmente superior, e ficaria impressionada.

Felizmente, há muito me deixaram de impressionar os dotes de oratória e a retórica dessa gente que continua a cavar a tumba do País, muito convencida de estar a dar lições de inteligência e cidadania. Muito cheia de si e pronta a educar os outros.

Longe dessa áurea de brilhantismo do pedestal dos doutos do mercado da opinião, sou uma pindérica sem coração nem razão, preocupada com o pé desmanchado da Luísa Carneiro. Como se verá no postal seguinte.

 

Máscara - para memória futura

por Isabel Paulos, em 05.05.20

Máscara.jpg

Há poucos dias ouvi alguém dizer na televisão (não sei se político, jornalista ou comentador, mas para o caso tanto faz): «de uma forma ou outra sempre houve máscaras à venda nas farmácias».

Ora, vivo numa zona central do Porto e na primeira quinzena de Março fui três vezes às farmácias da área tentar comprar uma máscara. Uma que fosse. A resposta foi sempre: não temos. Nenhuma. Aliás, havia avisos nas portas a dizer isso mesmo. Só no dia 15 de Março consegui a da fotografia, que era o único modelo à venda e paguei o preço que me pediram: 19,95€. O que atesta a falta de bom senso com que, às vezes, nos comportamos como consumidores. Vi várias pessoas a comprar a mesma máscara nesse dia.

Sei que a memória é curta, mas gosto pouco que me atirem areia aos olhos. Mais, é insultuoso menorizarem a existência ou não das máscaras ao fim de mês e meio e se esquecerem do preço a que estavam a ser vendidas.

Acresce que o salário mínimo em Portugal é de 635 euros. Aconselho as ilustres figuras da televisão a darem-se ao trabalho de fazer a regra dos três simples. Assim: 635 está para 100 como 19,95 está para X. O resultado é que uma só máscara – que não é lavável e portanto a reutilização, em rigor, está comprometida – pode representar mais de 3% do salário de muitos portugueses. Imagine-se, agora, a situação para os muitos pensionistas, cujos rendimentos estão ainda abaixo deste valor.

Curiosamente, pareceu-me ouvir ontem no Jornal da Noite que Itália impôs um limite de preço, de qualquer coisa como cinco cêntimos. Muito parecido com o preço a que estão a ser vendidas em Portugal? Ah, não. Aqui, há um mês, era usual pedir-se 70 euros por uma caixa de 50 máscaras cirúrgicas e agora baixaram para metade: 35 euros. Ou seja, 70 cêntimos por máscara.

Já agora não teria sido mal pensado se quem dissertou na televisão em matéria de Covid-19 tivesse usado a regra dos três simples ao comparar dados estatísticos dos diversos pontos do globo, em vez de atirar quando interessava com números absolutos e aterradores. Uma morte é sempre uma morte. Mas uma cabeça também é sempre uma cabeça e convém que funcione com justeza e sem alarme.

Cravos & Máscaras

por Isabel Paulos, em 22.04.20

sem nome.png

Do grau de infantilismo da argumentação de Ferro Rodrigues.

*

OIP.jpg

Mãe - Filho larga os cravos, faz a cama e arruma o quarto, são quatro da tarde.
Filho - Mãe deixa-me brincar mais um bocadinho, por favor. Tu não gostas de mim, não gostas, nem das flores. És má. Fascista!

*

images.jpg

Filho - Pai tens que usar a máscara.
Pai - Pensas que eu sou palhaço, ou quê? Achas que isto é o Carnaval? Mandei vir isso para criadagem que nos serve. Todo o cuidado é pouco. Essa gentinha que anda nos autocarros ainda nos contagia.

Máscaras & Golas

por Isabel Paulos, em 28.02.20

golas.png

Fui à farmácia tentar arranjar máscaras para me prevenir, mas estão esgotadas. Será que o bando socialista ainda tem a fábrica das golas?





Dose recomendada

Accuradio


Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D