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Hungria 0 - Portugal 3

por Isabel Paulos, em 15.06.21

 

Resumindo e mais ou menos de acordo com o que oiço dizer aos jornalistas/comentadores televisivos da bola: ganhámos apesar do conservadorismo de Fernando Santos por estarmos imbuídos da dinâmica vencedora e da verticalidade incutidas pelo mesmo Fernando Santos, esse seleccionador pragmático.

 

O melhor do futebol

por Isabel Paulos, em 13.06.21

Do muito que lembro dos anos em que acompanhava o futebol realço o sorriso generoso, as cantorias, as partidas e a forma como o Neno ajustava a bola com malandrice a preparar-se para o grande momento. Era com certeza um homem bom e só pode deixar saudade.

Não consegui deixar de me arrepiar ao ouvir as bancadas de adeptos dinamarqueses e finlandeses entoar o nome Christian Eriksen, caído inanimado no relvado por paragem cardíaca e pronta e sagazmente acudido por companheiros e equipa médica.

Salvou-se.

São momentos como este que salvam o futebol e o mundo.

Sem o mesmo drama e intensidade, recordo um jogo de 97 entre o Barcelona e creio que o Desportivo da Corunha – sei que era uma equipa galega e o jogo se realizava na Galiza – no qual o Ronaldo (o Fenómeno) fez uma jogada incrível fintando vários jogadores adversários para terminar marcando golo. Lembro de como os adeptos galegos ovacionaram de pé o brilho do adversário.

Tal como me lembro do golaço de bicicleta que o Cristiano Ronaldo marcou há 3 anos pelo Real Madrid à Juventus e de ver adeptos italianos a aplaudi-lo. Outro grande momento do futebol. É pena que não sejam estas as imagens que prevaleçam na memória de todos e se perca tempo com marquises.

Lendo

por Isabel Paulos, em 08.06.21

Lendo as gordas dos jornais e pouca coisa dos blogues retenho apenas isto: nos últimos dias o mundo está ainda mais insano do que é costume. É um apagão da internet, é um presidente europeu agredido, é um país europeu que fecha (ou restringe) e abre as fronteiras numa questão de horas, são comentários e acusações estapafúrdios, é a inversão da realidade, é a proposta de soluções medievais. Medonho.  Cada um no mundo virtual - e por reflexo o mundo palpável -, cavalga a insanidade julgando ter resposta - que não tem -, ou temendo haver quem tenha o poder e todos os cordelinhos - quando não tem. O mundo segue à rédea-solta e quando assim é, é bom que alguém saiba o que anda a fazer e que as instituições democráticas sejam preservadas. 

Recapitulando

por Isabel Paulos, em 08.06.21

Aos Tribunais o que é matéria dos Tribunais.

*

Novos Julgamentos

por Isabel Paulos, em 11.12.20
 

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*
Tal como julgo ter esgotado por uns tempos os postais sobre a insensatez de não se ouvir o que têm a dizer os extremos mais à direita, depois de em Portugal passarmos quatro décadas de beneplácito com os extremos mais à esquerda, vou tentar secar de uma vez o tema dos fact-checks, polígrafos e afins. Ciente que não vou conseguir e que, como se costume, me vou meter em mais uma alhada interminável.
 
Quem tenha assistido à forma como a mentalidade predominante evoluiu nas últimas décadas e presta atenção no modo desajustado com que se diz repôr a verdade dos factos com esse tipo de mecanismos, percebe que esse mundo é um saco de gatos onde cabe tudo: desde factos propriamente ditos a preconceitos, suposições, intenções e juízos de valor e tudo mais quanto se possa imaginar.
 
Quem tem uma noção do que é o Direito sabe o quão ingénua ou perversa é a ideia daqueles acreditam ou dizem acreditar que a interpretação da lei se faz por juízos objectivos. Julgar o Direito mera questão técnica é uma tolice. Para lá de todo o conhecimento da lei propriamente dito e da técnica, está o espírito da dita e é ele que guia a interpretação ou julgamento mais correcto. Não se pode interpretar uma lei, sem perceber a sua causa, aquilo que lhe deu origem. Muito menos aplicá-la ao caso concreto. E até o espírito da lei pode ser questionado porque, como tudo na vida, obedece aos critérios de tempo e espaço.
 
E vem isto a propósito da dificuldade de fazer juízos de valor válidos sobre o quer que seja, incluindo factos. E se isto é assim para gente que está habituada ao estudo e interpretação das leis – disciplina com uns séculos de experiência -, imagine-se para os detentores há relativamente pouco tempo do poder de divulgação de notícias e escrutínio dos vários poderes instalados na comunidade e a tentação que existe de se arvorarem em juízes supremos de todo e qualquer comportamento humano.
 
E é neste contexto que vemos gente convencida – sem qualquer hesitação de tão inteiramente convencida -, de ser capaz de julgar como verdadeira, falsa ou talvez nem tanto determinada afirmação, sem se dar ao esforço de perceber nada do que está por detrás de cada declaração produzida. Percebendo zero da causa das coisas. Correndo para o que mais parece interessar hoje em dia: intenção de julgamento rápido. Os fact-checks dos jornalistas caem no mesmo logro das redes sociais. Acreditam ser detentores do poder de julgamento e com isso pretendem fazer vingar a mentalidade dominante. A mais atraente para cada um destes auto-investidos juízes.
 
O que me levou a escrever as linhas precedentes foi a constatação de que há jornalismo que usa as redes sociais como fonte e ganha-pão e, para cúmulo, em vez de estar agradecido, destrata-as para se arvorar em grande senhor dos factos. Ora, as fontes – agora com voz própria audível e com todos os vícios que sempre tiveram -, merecem respeito. As redes sociais, ainda que não embelezem a democracia, são a mais pungente manifestação da dita.
 

Complexificar

por Isabel Paulos, em 07.06.21

Noutro dia em que não tenha dor de cabeça (às vezes lá acontece tê-las) escreverei um postal mais pensado sobre a tendência absurda de complicar complexificar todos os raciocínios, acções e tarefas. O mundo profissional - seja o das empresas seja o do sector público - foi atingindo nos últimos anos pela hecatombe da multiplicação de procedimentos e, em muitos casos, a ideia é a de preparar terreno à simplificação e robotização das tarefas.

Como já aqui escrevi – hoje não vou colocar o link, mas creio que o postal em causa se chama ‘Gadanha’ -, é uma realidade que me faz sorrir - com um quê de trocista, confesso a ignorância e a menoridade –, ao lembrar o Sítio do Pica-Pau Amarelo e a imagem de se esvaziar o mar a balde.

A ideia que dá é que tendo grande percentagem da população acesso ao ensino, chegada à conclusão que é capaz de discorrer, uma vez munida de poder – seja apenas oratório ou real e efectivo, i. é, capaz de impôr mudança na sua vida e na vida dos outros - enche o peito de ar e vai de experimentalismo teórico. Nas escolas, nos bancos, nas empresas multiplicaram-se ao absurdo os procedimentos e tarefas sobrepostas e redundantes a que os trabalhadores estão sujeitos.

Somam-se e encastelam-se os planos para supostamente rentabilizar o tempo e os meios. Mas fica por saber se sabem definir prioridades, anular tarefas sobrepostas, articular trabalhos de forma eficiente e minimalista, ao invés de acrescentar, acrescentar rol imenso de procedimentos fúteis e prejudiciais. Fica por saber se é conhecida a possibilidade de dizer NÃO ao absurdo, quando se está absolutamente embrenhado na vontade de encher chouriços para mostrar ‘trabalho’ ou se fazer pagar por serviços de consultadoria estendendo a ‘consulta’ por longos períodos até que se consiga adequar a realidade às exigências legais e regulamentares, que por sua vez e como uma pescadinha-de-rabo-na-boca há muitos anos obedecem à lógica disparatada de quanto mais legislação melhor, empolando as reais necessidades das empresas e das instituições.

Resta saber se esse atraso de vida por alegada sofisticação irá contribuir para termos alunos mais preparados e empresas mais produtivas. Para já o único efeito útil que vejo desta tendência é a criação e proliferação de emprego entre os especialistas e consultores do nada e do artifício.

*

Nem de propósito acabo de receber duplicação - num caso triplicação - de sms relativas à confirmação do agendamento de vacinação dos residentes cá de casa.

Bem dito

por Isabel Paulos, em 07.06.21

«Escreve-se muito. Consomem-se sem critério dezenas ou centenas de páginas em argumentações desprovidas de interesse e em repetições escusadas. As decisões dos tribunais têm de deixar de se influenciar por essa tendência.»

Palavras do Juiz Conselheiro Henrique Araújo, novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Pedro Barroso - Balada do Desespero

por Isabel Paulos, em 07.06.21

Velho Oeste

por Isabel Paulos, em 06.06.21

Trogloditas@Sonsos.png

*

O facto de se reconhecer a existência de um frenesim opressor por parte dos identitários não obsta a que quem se sinta ofendido por uma afirmação produzida em peças jornalísticas, humorísticas ou textos literários actuais –  esqueçamos o revisionismo e a questão caricata da História errada e dos factos históricos errados - possa reagir de forma também ofensiva.

Por muito se saiba que isso pode levar a uma espiral de agressividade, o respeito pela liberdade de expressão não impõe a lei da rolha ao ofendido, para infortúnio de muitos trogloditas que pululam nas caixas de comentários online – a quem se continua a dar infinita trela -, que rotulam de sumidades os que injuriam, salvo se forem aquilo a chamam virgens ofendidas, logo catalogadas de asnos.

Sucede que se as virgens ofendidas – mulheres, homossexuais, negros e outros que tais – têm todo o direito a injuriar quem acham que as desconsiderou. Não têm é o direito (ou não deveriam ter) a impor uma doutrina, uma moral, muito menos proibir a publicação de livros, jornais ou peças de humor. Agora, ofender misóginos, homofóbicos, racistas, claro que sim.

Não tenho dúvida que há excessos de auto-defesa. Mais: não tenho dúvida que há muita injustiça, destempero e irracionalidade do lado dos identitários e também dos que não o sendo percebem muitas das razões para as fúrias. Pagam os justos pelos pecadores. Vejo por mim, quando me tocam nos calos, às vezes, vai tudo a eito. Temos pena, como diria o maçon. São muitos anos de ofensas, milhares de leituras e comentários agressivos e lesivos. Não estou a falar de chamar maricas, preto, loira burra ou gorda por piadinha. Estou a falar de dias e dias, meses e meses, anos e anos de agressões verbais deste ou de outro tipo com perfeito desprezo e no intuito de diminuir, marginalizar, achincalhar. E durante todos esses anos, onde estavam os actuais defensores da liberdade de criação literária de da liberdade de expressão? A insurgir-se contra os ataques à integridade dos ofendidos? A defender o bom senso? Ou antes a assistir em surdina à paródia regalados, quando não a participar das injúrias? E a tomar notas para uso nas suas peças humorísticas, jornalísticas ou literárias, tirando disso vantagem financeira?

Partem do princípio que todos os ofendidos ou os que simplesmente reparam nas ofensas não têm sentido de humor, são asnos, ignorantes e insanos. Não os vi reagir nas últimas duas décadas quando os espaços online se enchiam de injurias. Vi-os sim fazer de conta que não estavam lá, tantas vezes a ofender sob o anonimato. Tantas vezes a criar prejuízo sério a outros.  Não é a liberdade que defendem, mas a lei do mais forte.

Não tenhamos ilusão de que muito deste amor súbito pela liberdade de expressão é do mais hipócrita que há e nada tem a ver com o travão necessário ao totalitarismo e pensamento único. O que dói a muitos é que se ponha em causa a lei do mais forte. É a perda de poder e arbitrariedades. Temem o desaparecimento das teias de amigalhaços e respectivos interesses e dos velhos costumes que permitam rebaixar as mulheres, discriminar os homossexuais e os negros.

Vi muitos westerns em criança: sempre que reparar que valem os velhos costumes e a lei da selva, ainda que sujeita a erro de avaliação, reagirei olho por olho, dente por dente. Quando aceitarem ser cuidadosos com os outros, reverei o mau feitio e o carácter intempestivo.

Roman Protasevich

por Isabel Paulos, em 06.06.21

As imagens divulgadas anteontem do pedido de perdão de Roman Protasevich em entrevista transmitida quinta-feira e obtida sob tortura são de uma violência atroz. Deveríamos estar a denunciar e a reflectir como é possível que tudo isto se passe sob o olhar entre o curioso e o distraído da humanidade. É com espanto que reparo que ontem o tema saiu dos destaques dos principais jornais portugueses. É a normalização da brutalidade: hoje noticiamos e destacamos a tortura de um homem por um regime totalitário amanhã acenderemos as luzes sobre o partido dos gatinhos e cachorrinhos ou o cancelamento das viagens turísticas dos bifes. Tudo ao mesmo nível. Insano este tempo em que vivemos.

Fica aqui o registo do testemunho de uma militante comunista portuguesa sobre o assunto, citada pelo jornal (Nascer do) Sol: Temos que ver quem é Protasevich... Colocá-lo como um grande jornalista ativista dos direitos humanos... Basta pesquisar quem é esta personagem. Essa pessoa tem ligações à extrema-direita nazi.

Dia D

por Isabel Paulos, em 02.06.21

Vale a pena ouvir na íntegra.

Notas avulsas

por Isabel Paulos, em 01.06.21

Ando há dias para fazer um postal sobre opinião pública, contraditório e Democracia. Espiolhando a memória recente vejo que tenho ideias soterradas debaixo doutras ideias e começa a ser trabalho de arqueologia trazê-las à luz. A questão era a das contradições e a dificuldade em encontrar verdade no que se defende. Coerência, no mínimo. É difícil.

Vou por partes para ver se me entendo e faço entender. Há dados que tenho por adquiridos: 1.) a enumeração de factos per si, ainda que verdadeiros, não confere qualquer garantia de condução à verdade quando esses mesmos factos são reunidos num argumento orientado à defesa de um flanco (tal como nas ciências impostoras sabemos que quando se conhece ou procura legitimar uma conclusão de antemão, as hipóteses e todo o processo são falsos); 2.) como decorrência, o contraditório, feito à fase da enumeração de factos de cada um dos flancos, também não.

E desta limitação – acrescida das circunstâncias abaixo referidas -, nasce o tal chinfrim seja de opinião seja de contestação próprio das democracias. Por favor, dêem-me o benefício da dúvida: não estou a recusar ou denegrir as virtudes da Democracia – a tal pior forma de Governo, tirando todas as outras -, mas tão só a ver o lado negativo.

Até há poucas décadas poucos determinavam a orientação das decisões do poder central. Nos regimes autoritários, por força das restrições das liberdades e das hierarquias impostas pelo poder. Nas democracias, por força dos desníveis sociais e económicos reais que as ditas, tal como os regimes autoritários, não colmatam apesar da História nos ensinar que tendem a trazer melhores condições económicas ao grosso das populações.   

Em grande parte do mundo, vivemos no tempo em que quase todos têm opinião – livre ou condicionada - e além de direito a exprimi-la, estão munidos de ferramentas tecnológicas que permitem a sua difusão em massa. Os meios formais ou institucionais a que poucos acediam por sorte na hora do nascimento, por frequência do ensino ou por sucesso económico deixaram de ser vias únicas para ter voto na matéria.

Ao mesmo tempo, a base da organização política internacional, o Estado, perdeu espaço para estruturas supranacionais de natureza comercial. Além do que, os órgãos de soberania e todas a instituições garante da Democracia dentro dos Estados começaram também a deteriorar-se quer por impreparação dos titulares dos cargos quer por constante pressão e apetites da opinião pública irracional.

O peso da tecnologia é avassalador e a capacidade de condicionar e moldar o pensamento das massas aterrador. As grandes tecnológicas na área da comunicação têm hoje pelo peso económico capacidade de influência efectiva muito superior à maioria dos Estados, e tentem a escapar ao poder de decisão e controlo das entidades garante da Democracia. A opinião pública, que é hoje o principal barómetro dos governos, pode estar nas mãos dos joguetes e tacticismos políticos e económicos entre as grandes tecnológicas e os Estados com maior capacidade tecnológica. Enquanto isso os extremistas organizam-se e amplificam a sua voz através destes mesmos meios.

 

A preguiça e a falta de tempo – mais a primeira do que segunda -, faz com que não tenha leituras suficientes sobre a degeneração da Democracia. Talvez não seja inteiramente mau. Não estarei tão condicionada pelo que já foi escrito sobre o assunto e a coisa sairá naïf.

 

Fala-se em definhamento da Democracia seja qual for a falange política a que se pertence como uma inevitabilidade. Nego-me a desacreditar – apesar da evidência para aí apontar. Seria muito cómodo desacreditar e cair no cinismo. Uma tentação. Mas há-que contrariar e arranjar maneira de conseguir fazer perceber que o mero contraditório, a alternância de posições incompatíveis levará ao crescimento da bola de neve da intolerância.

Há cedências que devem ser feitas e por mais que custe a uma certa esquerda que se toma por dona, senhora e tutora dos bons princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade – tudo isto ainda se vai buscar à Revolução Francesa -, a verdade é que a marxista luta de classes e a moderna reivindicação identitária não estão isentas de grave prejuízo para a Liberdade. São históricas as chacinas e o horror totalitário comunista, como foi o fascismo. Por cada vez que se legitimarem ditaduras comunistas – passadas e presentes -, estar-se-ão a legitimar as aberrações e carnificinas nazis. Por cada bandeira identitária hasteada por moda e no intuito de derrubar a liberdade alheia e não por defesa do razoável, um extremista de direita nascerá e se sentirá legitimado. Por cada vez que se defenda a pena de morte, o ódio racial, a homofobia ou a misoginia, um extremista das bandeirinhas da moda se legitimará. O contraditório alimenta-se a si próprio criando uma espiral de ódios, incompreensões e ressentimentos.

O contraditório por si não resolve. É preciso descer ao terreno das ideias e introduzir critérios de validade:  razoabilidade e oportunidade. É preciso introduzir filtros de justiça nas ideias defendidas que ultrapassem os preconceitos de ambas as partes.

Às pessoas sensatas e moderadas em vez de as refutar sumariamente compete reconhecer, entre o manancial de reivindicações dos extremos, possíveis razões (fundamentos) válidas e trazê-las para o debate, assimilando-as de forma inteligente: depurando-as através daqueles critérios de razoabilidade e oportunidade daquilo que têm de maligno. No caso de Portugal é patente esse reconhecimento das reivindicações legítimas da esquerda radical e populista, mas não ainda o da direita radical e populista, que por mais ignorante seja, representa com toda a certeza um capital de contestação legítimo.

Não se trata de normalizar e legitimar os extremismos – inimigos da Democracia apesar de não se assumirem como tal por medo das populações que querem subjugar -, mas sim de esvaziá-los do que têm de perverso. Não me parece tão difícil Portugal desembaraçar-se por esta via dos perigos dos extremistas lusos.

Já me preocupa mais a actual 'elite' política portuguesa. Tenho reservas que tenha capacidade e jogo de cintura para os embates económicos internacionais e aproveitamentos ideológicos futuros. É que saber servir à mesa pode dar muito jeito, mas não é o suficiente. 

Actualizações da Microsoft

por Isabel Paulos, em 30.05.21

A quantidade de lixo que cada actualização dos computadores comporta devia ser assunto a ser tratado e regulado pelos governos e a UE. A Microsoft enche os terminais - cada um de nós -, das aplicações que bem entende, sem querer saber da aceitação pelos utentes, presumindo que ao optarmos por fazer a actualização aceitamos tudo quanto vem em pacote.

Além de desconfiar da bondade desta ‘venda’ de produtos à força - a Microsoft ganha com o tráfego gerado -, este permanente despejar de actualizações penaliza o utilizador. Quanto mais não seja pelo trabalho que tem em desinstalar os programas impingidos para conseguir usar a máquina com maior eficiência.

Se nesta tivesse mais do que uma vida, faria o curso de engenharia informática só para tirar algumas dúvidas e me proteger.

Usar os neurónios

por Isabel Paulos, em 26.05.21

Neste espaço devia estar um texto bem engendrado a demonstrar como na maioria dos casos os denunciadores do fascismo, que gritam e esbracejam muito, e se consideram gente corajosa, de coração bondoso e sempre de boa-fé mostram ser os que mais contribuem para o extremismo, de tão entretidos andam a injuriar gente sensata, enquanto esta mesma gente prudente está como usual discreta e subtil, mas não menos determinada, a cortar certeira as raízes do mal. As raízes do fascismo.

Imaginem-no, sff. Se acharem que corresponde à verdade, claro.

As Alsácias

por Isabel Paulos, em 23.05.21

Desde sempre ouvi falar das Alsácias e destas crónicas de Vera Lagoa. Por razões várias, vêm-me à memória. Finalmente, encontro e leio uma, publicada num blogue para nossa sorte.

Regresso ao passado

por Isabel Paulos, em 22.05.21

Eu não digo que paira no ar o regresso ao passado: os jornais estão empolgados com o Festival da Canção e o país adormecido à espera do resultado.

Escolha os factos forjados

- prefira o jornalismo -

por Isabel Paulos, em 21.05.21

Ah e tal, o perigo das fake news nas redes sociais. O que nos vale é a isenção e o rigor do jornalismo. Sim, sei: a investigação foi encomendada pela própria emissora pública. Sim, sei, maus profissionais há em todas as profissões. Estão quase redimidos. Pena que ao fim de 26 anos o mea culpa adiante um grosso aos visados. 

Sobre a entrevista a Diana Spencer, em 1995 na BBC, o Diário de Notícias de hoje:

 

O príncipe William, segundo na linha de sucessão do trono britânico, acusou a BBC de ter contribuído "significativamente para o medo, isolamento e paranóia" sofridos pela sua mãe, Diana de Gales, nos últimos anos da sua vida.

[…]

De acordo com um relatório independente divulgado na quinta-feira, a BBC encobriu as práticas "fraudulentas" utilizadas pelo jornalista Martin Bashir para garantir a sua famosa entrevista e não cumpriu as normas adequadas de "integridade e transparência".

[…]

Entre outras coisas, Bashir foi acusado de recorrer a práticas irregulares, tais como a utilização de documentação falsificada, para garantir a entrevista.

"Os empregados da BBC mentiram e usaram documentos falsos para garantir a entrevista com a minha mãe, fizeram afirmações falsas e esfarrapadas sobre a minha família, o que alimentou os seus medos e paranóia", disse William, na sua declaração.

E criticou a cadeia pela sua "terrível incompetência" ao investigar a forma como Bashir obteve a entrevista, e subsequentemente encobriu as suas conclusões.

Contribuiu "significativamente para o medo, paranóia e isolamento" que ela viveu nos seus últimos anos.

"A nossa mãe perdeu a sua vida por causa disto, e nada mudou. Ao proteger o seu legado, protegemos todos, e defendemos a dignidade com que viveu a sua vida"

O seu irmão mais novo, o príncipe Harry, entretanto, divulgou uma declaração escrita através das suas redes sociais, na qual denuncia que os "efeitos de ondulação de uma cultura de exploração e práticas antiéticas acabaram por reclamar a vida" da sua mãe, Diana.

"A nossa mãe perdeu a sua vida por causa disto, e nada mudou. Ao proteger o seu legado, protegemos todos, e defendemos a dignidade com que viveu a sua vida", disse o Duque de Sussex.

[…]

 Harry considerou que o relatório Dyson "é o primeiro passo para a justiça e a verdade", mas mostrou-se preocupado por "estas práticas, e ainda piores, estarem hoje generalizadas" e irem além de um único meio de comunicação social.

O mundo dos puros arrogantes

por Isabel Paulos, em 19.05.21

Texto corrigido. *

Ora, aí vou eu lançada outra vez. E continuarei a insistir até que os dedos me doam.

Pergunto-me muitas vezes de que massa são feitos alguns críticos das falhas alheias, a quem nunca se ouve admitir erros. Apontam faltas de carácter aos outros, como se fossem de uma lisura a toda a prova. Acusam outros de transgressões e ilicitudes como se não prevaricassem. Ridicularizam a gramática dos outros, como se o seu português não fosse pouco mais do que um aglomerado insípido e sofrível de letras sobrepostas.

Uns, um nadinha mais evoluídos de ouvir dizer, percebem que não há puros e prontificam-se a fazer gracinhas sobre as falsas moralidades. Mas qual é o momento que escolhem para o fazer? O da auto-defesa camuflada ou da defesa de amigos de oportunidade, claro. Os amigos de interesse de que sempre se rodeiam e são rodeados. Em nome de suposta superioridade intelectual saem em defesa de canalhas com quem partilham sórdida concepção do mundo.

Mais tiques deste tipo de gente? Considerar ou desconsiderar terceiros em função da aceitação que tenham ou não por membros influentes dos clãs que julgam oportuno integrar ou bajular até forçar a entrada. Perfeita incapacidade de perceber as qualidades de terceiros se não forem referenciadas por alguém cuja opinião considerem por devoção sectária.

E quão confrangedor é ver esta gente citar Eça – é sabido que qualquer bicho careta pouco mais do que analfabeto cita Eça para mimetizar a intelectualidade de trazer por casa – ou enaltecer os poetas e prosadores do regime – em bicos de pés bem esticados à procura de igual aceitação -, ou perorar sobre os descalabros da governação nacional e a fraca educação e instrução dos portugueses. Longe de perceberem que são eles próprios - convencidos das sua importância e superioridade, mas alçados sem verdadeiro critério de qualidade à elite do país – que fazem desta terra a choça que é.

E passa do aflitivo ao divertido – para não nos afogarmos no lodo – ver esta gente criticar a corrupção, as endogamias e a falta de elevador social. Este último existe. Os critérios para ascender à elite nacional é que são de fugir (de susto): por cada pessoa de valor alçada pelo seu valor, noventa e nove trepam e vivem do encosto, das referências mútuas, dos interesses e da dita corrupção. E não é por gritarem muito contra a endogamia que não se percebe que tudo quanto fazem na vida é viver nas e das tribos. É bem conhecida a táctica, mas ao atacarem os fantasmas da falta de mérito para afastar os olhares da própria mediocridade só conseguem convencer outros membros medíocres da tribo.

A verdade é que, na maior parte das vezes, o mundo do mérito passa ao lado desta gente, apesar das vaidades e de sempre terem o dedo apontado à vulgaridade, aos erros e imperfeições de quem faz a vida do lado de fora dos guetos da intelectualidade.

A vida tem-me demonstrado à saciedade que quanto mais arrogante é alguém menos qualidade intelectual tem e mais mau carácter é. Aprendi sempre bastante mais com sóbrios sabedores que cultivam a aprendizagem e a passagem do testemunho sem alarde nem achincalhar quem se mostra interessado em aprender. Enfim, gente sábia e humilde a quem devo muito. Mas lá está, humilde não é um adjectivo em voga, nem ser humilde é valorizado nos guetos da vaidade. Não é o conhecimento e a sabedoria que procuram, mas a glória. A glória do medíocre.

 

*Texto corrigido uma hora depois da publicação. Ainda assim é natural que tenha erros e gralhas para gáudio dos puros detentores da perfeição.

A floresta

por Isabel Paulos, em 16.05.21

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A dificuldade em atravessar a floresta de amiguismos e trocas de favores para quem tem vontade de fazer caminho próprio apenas à custa do que de facto vale, é que por mais que puxe da faca de mato para abrir caminho e fazer qualquer coisa de novo, as velhas - e novas, precocemente envelhecidas e corrompidas - figuras das redes de interesse deixam cair os seus frutos podres para alimentar mais mato, mais do mesmo, mais luxuriante e ofuscante bazófia.

Em compensação, o que abre caminho tem a vantagem de poder prescindir de tudo quando e como quiser. E a tranquilidade de saber que para o bem e o mal trará sempre a natureza consigo.

Perguntar não ofende

por Isabel Paulos, em 14.05.21

Se és tão contra o estado de coisas, porque é que usas o mesmo tipo de linguagem e discurso da situação? Porque é que incorres nos mesmo vícios que criticas nos outros? Porque é que a vontade de apontar o dedo a quem está numa posição de poder desperta em ti tanta fúria ao mesmo tempo que te comportas tal e qual quem está na dita posição de poder? Porque é que relativizas sarcástico defeitos teus e da tua tribo ao mesmo tempo que não perdoas o mais pequeno desalinho ao adversário? E porque é que vives à sombra do próprio poder e de redes de interesses?

É a democracia, lorpa.

Coisas simples

por Isabel Paulos, em 13.05.21

O último par de anos devia ter ensinado que os termos do futuro não estão garantidos. Pode-se tentar ser previdente, mas não partir do princípio que as coisas serão como se imaginam.

Bem sei que a antecipação das dificuldades pode levar a melhor planeamento, mas a realidade tem mostrado que quer a bruxaria económica quer a especulação financeira têm servido apenas para piorar a situação dos cidadãos. A tentativa de beneficiar quem é útil num futuro incerto e a ganância prejudicam os que mereciam melhor tratamento no presente.

Tanto me assusta a criação de novos impostos sobre os ‘ricos’ advogada por certa esquerda, como a resistência ao aumento do salário mínimo (e médio) ou o favorecimento das famílias numerosas por determinada direita. Qualquer destas medidas a longo prazo contribui para a perpectuação e alargamento da pobreza da maioria em favor do enriquecimento de uma minoria. Em última instância conduzem ao aumento do fosso social e económico.

Deve-se agir em função do que está certo em termos absolutos e não de previsões incertas. O que está certo é retribuir na justa medida o esforço ou trabalho de cada um – que se traduz na capacidade inventiva, produtiva e criativa – e apoiar socialmente quem de facto precisa – quem (já) não pode de contribuir.

Há tanta correcção a fazer no presente - é escusado projectar fantasmas do futuro por mais realistas e plausíveis sejam. Não vale a pena enviesar o mundo ao gosto do freguês. 





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