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Recapitulando

por Isabel Paulos, em 08.06.21

Aos Tribunais o que é matéria dos Tribunais.

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Novos Julgamentos

por Isabel Paulos, em 11.12.20
 

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Tal como julgo ter esgotado por uns tempos os postais sobre a insensatez de não se ouvir o que têm a dizer os extremos mais à direita, depois de em Portugal passarmos quatro décadas de beneplácito com os extremos mais à esquerda, vou tentar secar de uma vez o tema dos fact-checks, polígrafos e afins. Ciente que não vou conseguir e que, como se costume, me vou meter em mais uma alhada interminável.
 
Quem tenha assistido à forma como a mentalidade predominante evoluiu nas últimas décadas e presta atenção no modo desajustado com que se diz repôr a verdade dos factos com esse tipo de mecanismos, percebe que esse mundo é um saco de gatos onde cabe tudo: desde factos propriamente ditos a preconceitos, suposições, intenções e juízos de valor e tudo mais quanto se possa imaginar.
 
Quem tem uma noção do que é o Direito sabe o quão ingénua ou perversa é a ideia daqueles acreditam ou dizem acreditar que a interpretação da lei se faz por juízos objectivos. Julgar o Direito mera questão técnica é uma tolice. Para lá de todo o conhecimento da lei propriamente dito e da técnica, está o espírito da dita e é ele que guia a interpretação ou julgamento mais correcto. Não se pode interpretar uma lei, sem perceber a sua causa, aquilo que lhe deu origem. Muito menos aplicá-la ao caso concreto. E até o espírito da lei pode ser questionado porque, como tudo na vida, obedece aos critérios de tempo e espaço.
 
E vem isto a propósito da dificuldade de fazer juízos de valor válidos sobre o quer que seja, incluindo factos. E se isto é assim para gente que está habituada ao estudo e interpretação das leis – disciplina com uns séculos de experiência -, imagine-se para os detentores há relativamente pouco tempo do poder de divulgação de notícias e escrutínio dos vários poderes instalados na comunidade e a tentação que existe de se arvorarem em juízes supremos de todo e qualquer comportamento humano.
 
E é neste contexto que vemos gente convencida – sem qualquer hesitação de tão inteiramente convencida -, de ser capaz de julgar como verdadeira, falsa ou talvez nem tanto determinada afirmação, sem se dar ao esforço de perceber nada do que está por detrás de cada declaração produzida. Percebendo zero da causa das coisas. Correndo para o que mais parece interessar hoje em dia: intenção de julgamento rápido. Os fact-checks dos jornalistas caem no mesmo logro das redes sociais. Acreditam ser detentores do poder de julgamento e com isso pretendem fazer vingar a mentalidade dominante. A mais atraente para cada um destes auto-investidos juízes.
 
O que me levou a escrever as linhas precedentes foi a constatação de que há jornalismo que usa as redes sociais como fonte e ganha-pão e, para cúmulo, em vez de estar agradecido, destrata-as para se arvorar em grande senhor dos factos. Ora, as fontes – agora com voz própria audível e com todos os vícios que sempre tiveram -, merecem respeito. As redes sociais, ainda que não embelezem a democracia, são a mais pungente manifestação da dita.
 

A tecla de sempre

por Isabel Paulos, em 08.12.20

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Ai e tal e as redes sociais são um lixo. São. E antes das redes sociais e a par delas, a comunicação social? A manipulação da informação através de imagens. As fotografias fofinhas ou credíveis dos políticos ou figuras públicas de que se quer dar uma imagem limpa e as distorcidas ou mal-amanhadas dos detestáveis. Tudo se vende e vendeu durante muitos anos na comunicação social. Venderam candidatos a cargos políticos, jornalistas, analistas e comentadores, empresários, cozinheiros, estilistas e outros ídolos. Ah, as redes sociais estão ao nível dos reality shows. Pois, é uma chatice: agora vendem empregados de mesa, cabeleireiras, personal trainers, lojistas e strippers. É verdade, é outro target. Mas o princípio é o mesmo. Quantas vezes dizer que há diferença entre informação credível e atoardas é pouco mais do que embrulho? E as encomendas de notícias a favorecer determinado político ou empresa? Ah, mas temos que pôr um travão nisto e não relativizar, se não é o descalabro total, e a democracia vira uma choldra. Mas, como assim? Choldra já ela é. E se criticamos o mexilhão por não saber distinguir factos de boatos, não podemos fechar os olhos à maior corrupção de princípios de quem tinha a obrigação de fazer diferente.

As novas lavadeiras

por Isabel Paulos, em 28.01.20

sem nome

Um nico de presunção não faz mal a ninguém e sempre alivia o tédio. Vamos lá a isto.

O que repele na argumentação de seitas e tribos do Twitter e do Facebook é o grau de infantilismo e de vulgaridade que assombra os cerebrozitos. Desde o tempo dos grupinhos de liceu – normalmente de meninas desinteressantes, porque há trinta anos a maioria dos rapazes não ligava a assuntos fúteis -, não via gente a perder tanto tempo a dissertar sobre o acerto ou desacerto do aspecto do cabelo, o tamanho e padrão do vestido, a piroseira da marca da camisola ou do fato mais justo, o cenário fashion ou kitsch - como se fossem manifestações essenciais ao carácter -, o diz que disse, o leva e trás, a pura intriga e revanche, tudo isto disfarçado de opinião ou pensamento sobre actualidade, política e cultura.

A sensação que tenho é que os cochichos fúteis das senhoras de outrora foram convertidos pela boa democracia em popular mexerico de tanque comunitário, sendo as novas lavadeiras, na maioria dos casos, homens com idade para ser avô e, em certos casos, ditos intelectuais.

E diverte particularmente ver os/as próprios/as - as novas lavadeiras - a desdenhar da falta de urbanidade, das fake news e do cariz desprezível das redes sociais, como se fosse um fenómeno inteiramente novo. Não, gente. Não é. A única diferença é que há microfone comunitário e é mesmo plural. Esta coisa da democracia é uma chatice para quem queria aceder aos privilégios que via em poucos e, agora, vê alargados a quase todos. Que aborrecida é igualdade. Onde estará o pedestal cobiçado?

Com diria a minha avó: ‘ainda estão muito perto’.





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