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Auto-estima

por Isabel Paulos, em 19.05.22

Creio que há muita confusão sobre aquilo a que se chama auto-estima. Constantes manifestações de certeza, desinibição, contentamento consigo próprio no que concerne à imagem física e intelectual e com a própria visão do mundo escondem não raro mera necessidade de afirmação e fuga em frente. Ao passo que a aceitação das deficiências e fragilidades pode corresponder a maior consistência e conforto na avaliação que se faz se si próprio.

É difícil fazer entender aos afirmativos que a autocrítica não é um monstro autodestrutivo nem a assunção dos defeitos conduz à infelicidade. Pode até ser uma forma de robustecer o carácter.

Naturalmente, em tudo isto haverá um ponto de equilíbrio mais aconselhável. Mas numa época em que se privilegia a venda da fantasia, do artifício da imagem física e intelectual, convém lembrar estas pequenas nuances.

Agradecimento

por Isabel Paulos, em 17.11.21

Agradeço uma vez mais à equipa da SapoBlogs o destaque de ontem. 

 

Aproveito para agradecer a companhia dos generosos visitantes das Comezinhas, em maior número nos últimos dias, e para admitir o seguinte: nem sempre posso falar da varanda, das flores, do dia-a-dia pacífico e de boas palavras.

 

Hoje dei por mim a pensar naquela ideia muito comum: "ah, porque nos havemos de chatear por causa da política, se no final eles são todos iguais?". Discordo totalmente desta visão: nem os políticos são todos iguais - apesar de maioria padecer dos mesmos defeitos em consequência dos circuitos de ascensão à política e aos lugares de relevância na sociedade estarem totalmente viciados pelo compadrio - nem a política é coisa de somenos importância. Foi a política que fez mergulhar o país em que eu nasci numa guerra fratricida durante 30 anos, é a política que determina o rumo da nossa vida - por mais que nos queiramos alhear e assobiar para o ar - e o que diz respeito ao meu país diz-me respeito. Traz-me contentamento ou sofrimento - às vezes fúria, admito. Mexe comigo desde sempre e por mais intempestiva e intransigente que seja, não me parece que veja tão mal a coisa que me deva coibir de manifestar o que penso e deixar-me ficar pelas flores e as boas palavras. Além de mais, o facto de não ter talento nem vocação para o comentário de estirpe e estereotipado sobre política, cujos rodriguinhos e dissimulações nada de bom trazem à vida do país, coloca-me na posição em que deveríamos estar todos: na do comum cidadão com preocupações sobre os problemas reais: nossos e dos nossos concidadãos. Tomara eu ouvir mais vozes - vou ouvindo algumas ainda tímidas - que mostrassem ao país quem são os portugueses reais - e não avatares de 'paradigmas' lifestyle ou de teorias de algibeira e das modas do 'economês' - e quais são os seus problemas, em vez de estarmos anestesiados com o futebol e as patranhas politiqueiras.

Porto

por Isabel Paulos, em 27.11.20

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Jardins do Palácio, 4 de Novembro 2020.

*

Confesso os momentos em que deixei correr as lágrimas só por me aproximar do Porto. Foram muitos. Chegada a casa de carro, autocarro, comboio ou avião, ao sentir o aconchego da cidade comovo-me. Creio que que metade da minha vontade de viajar – e céus, é muita apesar de pouco o fazer nos últimos anos –, é desejo de regressar. Sinto-me afortunada por viver neste chão que não é meu de nascença. Sou filha de pai gaiense e mãe portuense, e creio ter tomado posse do Porto, não só por herança como por usucapião. Chamam-lhe bairrismo. Orgulho tonto. Será. Mas é absolutamente sentido. Nestes dias difíceis em que tropeço nos que choram de preocupação e medo de perder os seus, vale-me o exemplo desta terra de fibra. Bonita, digna e de valentes corações.





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