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Voto Nulo

por Isabel Paulos, em 14.01.21

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No início de Outubro, já aqui havia falado do meu voto nas presidenciais. Nesse postal, não mencionei Mayan Gonçalves. Julgo que no momento ainda desconhecia o nome do candidato. É indiferente, o cantar liberal é-me demasiado próximo para não conhecer os vícios e prejuízos que comporta. Conheço a argumentaria desde sempre e, mais ainda, dos anos de faculdade. Em política, partir do princípio que existe um mundo sem desigualdades no qual a cada um é dado aquilo que merece é uma crença cínica que não convence.

Em Dezembro respondi a uma extensa e minuciosa sondagem da Pitagórica e já tinha, então, decidido voltar atrás e não votar João Ferreira a quem considerei dar o meu voto. Por não me rever em nenhum dos candidatos, voltarei nulo. 

Também já aqui falei do sentido habitual do meu voto. E daquilo que não se pode ignorar para além das questões ideológicas e programáticas puras e duras – que se esvaem rapidamente nos mais terrenos jogos de interesse e do peso das limitações reais. Tenho plena consciência que a maioria das pessoas sensatas acham um total disparate – uma tolice ou burrice -, deambular entre um partido dito moderado de centro direita – o PSD – e o PCP. A essas pessoas sensatas só tenho a dizer que faço parte da maioria: a maioria dos que estão pelos cabelos. Mas com uma diferença: em quase 30 anos de eleitora, só faltei a uma eleição, por estar em viagem de Luanda para Lisboa (recordo agora que foram duas: acabei por não votar, apesar de estar junto da assembleia de voto, numa eleição que exigiram prova de deficiência ao meu companheiro que tinha feito 300 quilómetros nesse dia para votar e esquecido da porcaria do papel que prova que é cego). Votei quase sempre no PSD, muito raramente no PCP (ou CDU) e julgo que vai ser a terceira vez que voto em branco ou nulo. Apesar de tudo ainda me dou ao trabalho de não faltar à urna de voto, mas percebo bem quem já nem a isso se digne. 

Como nota mais leve, conto apenas que foi curioso na sondagem a que respondi, quando perguntada com que candidato preferia jantar, escolher Marcelo Rebelo de Sousa e ao mesmo tempo ter respondido que preferia comprar um carro usado a João Ferreira. A única razão possível é que Marcelo Rebelo de Sousa diverte mais. Definitivamente algo vai mal. Não sei se comigo, se com o mundo.

Leio o que acabei de escrever e lembro-me do primeiro Comício a que fui - assisti a três ou quatro na vida e todos antes dos 19 anos. Tinha 12 anos, pedi autorização materna para sair da escola e ir assistir ao Comício; obtive-a. Saí e sozinha e, no meio da multidão do Jardim frente à Câmara Municipal de Felgueiras, vi e ouvi Freitas do Amaral. Detestei-o; sentimento que mantive ao longo da vida. À saída colaram-me um autocolante de Soares é fixe. Piada a que só então, quando criança, consegui achar graça.

 



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